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Com nome incluso no relatório final da CNV, general Thaumaturgo Vaz falece aos 83

O militar amazonense, que chegou ao posto de comandante da 12ª Região Militar, em Manaus - onde também chefiou o CIGS e o 1° BIS, durante a Ditadura - estava internado há mais de uma semana após apresentar quadro grave de pneumonia. Sua história é marcada por polêmicas  20/12/2015 às 20:21
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O general amazonense Thaumaturgo Sotero Vaz faleceu aos 83 anos
Isabelle Valois Manaus (AM)

Faleceu no final da tarde deste domingo (20) o general de brigada Thaumaturgo Sotero Vaz, aos 83 anos, que estava internado no Hospital Militar há mais de uma semana após dar entrada com um quadro de pneumonia. Thaumaturgo foi, no período da ditadura militar, entre 1964 a 1985, o comandante do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS). Ele atuou também no Comando Militar da Amazônia (CMA), onde chegou a ser o segundo em comando.

De acordo com a chefia de comunicação do CMA, o general estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Militar, mesmo local onde faleceu. O velório do general iniciará às 6h desta segunda-feira (21), na funerária Viana Viana, localizada na avenida Getúlio Vargas, Centro de Manaus.

Até a publicação desta matéria, a orientação é que o velório seja fechado apenas para a família. O sepultamento ocorrerá pelo horário da tarde, no cemitério São João Batista.

Crimes da Ditadura

No final de 2014, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) divulgou no seu relatório final o nome do general como sendo o responsável direto pela execução do guerrilheiro Bergson Gurjão Farias, na região da guerrilha do Araguaia, e por ter participado da sessão de torturas de Danilo Carneiro.

Thaumaturgo também foi apontado no relatório da CNV como um dos observadores brasileiros da sessão inaugural da Operação Condor, em Santiago do Chile, que envolvia comando de Forças Armadas de países sulamericanos, apontado como responsável pela morte e desaparecimento de vários líderes políticos que foram contra as ditaduras na América do Sul nos anos de 70 e 80.

O general chegou a ser convocado duas vezes para prestar esclarecimentos sobre os casos de Bergson e Danilo, mas alegou motivos de saúde para não ir a CNV.

Histórico

Depois de servir na guerrilha do Araguaia, o general Thaumaturgo seguiu carreira no Exército, onde chegou ao cargo do comandante da 12ª Região Militar, em Manaus, considerado como o segundo posto mais importante do Exército em toda a Amazônia.

O general chegou a ser, ainda, secretário do município de Presidente Figueiredo (a 117 quilômetros de Manaus). Já na reserva, Thaumaturgo se dedicou a criticar as ONGs ambientalistas com atuação na Amazônia.

Em setembro de 2013, Vaz foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) com a Medalha Ruy Araújo, pelos seus 40 anos dedicados ao Exército Brasileiro. A comenda, no entanto, chegou a ser questionada por movimentos sociais como o Projeto Jaraqui, que chegou a pedir a cassação da medalha, posteriormente negada.

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