Sábado, 17 de Agosto de 2019
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Com o acirramento da crise, mais pessoas têm buscado o setor público, ignorando outros fatores

“O que precisa existir é a compatibilidade com o perfil próprio de cada indivíduo”, salienta a especialista em recursos humanos Kátia Andrade



1.jpg "Independentemente do tipo de carreira que o profissional quer seguir, a busca pelo conhecimento é fundamental", diz o professor Alan Galusni
06/03/2016 às 11:10

Certamente, quem inicia uma graduação ou disputa uma vaga de estágio ou emprego avalia se seria mais vantajoso optar pela carreira pública ou privada. “A busca por estabilidade é o que faz o profissional optar por um emprego público. Mas há quem aproveite esse momento para optar por instituições privadas e alavancar a carreira em um menor espaço de tempo”, destaca Kátia Andrade, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-AM).

O estudo “Você é inquieto?”, realizado em 2015 pelo site Inquietaria, mostrou que apenas 5,9% dos brasileiros estão felizes com o seu trabalho atual. Um número significativo que demonstra não somente a insatisfação dos funcionários com os seus empregos, mas a necessidade que os mesmos estão tendo para manter um vínculo empregatício.

Segundo a presidente da ABRH-AM, existe um fator que deve preceder a escolha. “O mais importante é o perfil do profissional. Não temos como afirmar que uma carreira é melhor que a outra, porque isso varia de profissional para profissional. O que precisa existir é a compatibilidade com o perfil próprio de cada indivíduo”, salienta.

As carreiras

Caroline Gusmão optou pela carreira privada. “Muitas vezes escutei dos meus pais comentários críticos em relação à minha escolha. Na visão deles, eu obrigatoriamente teria que escolher a vida pública devido à estabilidade”, explica.

A design de interiores têm sete anos de profissão, e carrega no currículo um portifólio com exposições em todo o País. “Represento uma empresa de arquitetos e designers. Hoje, me sinto muito realizada”, complementa.

Jefferson Medeiros, médico e professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), exerce as carreiras pública e privada. “Eu não me vejo escolhendo uma das opções. Sou realizado como médico. Desde criança sonhei em ser, e professor é a minha segunda paixão”, destaca.

Segundo ele, o emprego público serve como uma prestação de contas à sociedade. “Eu vim de Universidade pública (Ufam) e atender as pessoas mais humildes é a contrapartida que devemos realizar enquanto profissionais”, enfatiza.

Para o especialista em cabeça e pescoço, a medicina é a profissão que se apresenta de maneira inversa das demais. “O reconhecimento na área privada ocorre mais tardiamente que na área pública”, explica.

Segundo Medeiros, para um profissional se destacar, o tempo estimado de é em torno de 10 anos. “Já na carreira pública, você atende mais pacientes, e o contato com eles se estabelece de maneira diferente. Isso acaba contribuindo para o reconhecimento mais rápido do trabalho”, finaliza.

“A busca por estabilidade está na satisfação com o emprego. Entrar em uma carreira pública nem sempre demonstra tal equilíbrio, mas assumir um cargo público e continuar os estudos almejando ocupar a área com a qual se estabelece uma boa identificação. Isso sim é estabilidade”, destaca Kátia Andrade. Isso porque, segundo ela, a estabilidade está muito mais relacionada à harmonia entre a realização profissional e pessoal, quanto somente o retorno financeiro.

O caminho até a aprovação

Há quem escolha, nesse momento considerado como crise, por uma qualificação profissional. Pessoas que apostam na rescisão dos contratos para investir financeiramente nelas mesmas, ou que buscam uma estabilidade financeira em empregos públicos mas permanecem disciplinados aos estudos para concorrer a novas vagas. 

Nesse contexto, o empenho e a disciplina são fundamentais para a obtenção do êxito. Reduzir a vida social e o “desperdício” de tempo com festas, exercitar a mente e o corpo, e principalmente, construir um calendário de estudos com a divisão do tempo para cada atividade exercida ao longo do dia, são as principais dicas de especialistas. 

João Victor Tayah é delegado da Polícia Civil e professor do curso preparatório Alfiero e Equipol. Em sua trajetória, ele contabiliza 19 concursos em que foi aprovado e chamado a assumir. “Eu cheguei a assumir outros cargos, mas atualmente, eu me encontro onde sempre quis estar”, afirma. 

Para ele, há três características fundamentais para chegar à aprovações. A primeira é nunca desistir. “Muitas pessoas deixam de tentar após a primeira reprovação. Tem que haver determinação”, enfatiza.  O segundo conselho é dedicação efetiva. “De 3h a 8h diárias de estudo denso é o tempo ideal”. O terceiro são as renúncias que devem ocorrer ao longo do processo. “É uma abdicação temporária para o retorno para a vida toda”, finaliza o delegado.

Traçar três objetivos iniciais ou  identificar um concurso que queira realmente conquistar êxito pode servir de ponto de partida e motivação para a rotina densa de estudos que o concurseiro deve seguir, afirmam especialistas.

Blog: Alan Galusni, professor da Faculdade Anhanguera (Campinas)

“Independentemente do tipo de carreira que o profissional quer seguir, a busca pelo conhecimento é fundamental para quem deseja se desenvolver profissionalmente. A qualificação profissional, alcançada por meio dos estudos, aumenta a chance de obter uma boa colocação e até maiores rendimentos. Tanto o profissional que opta pela carreira pública quanto o que escolhe o setor privado, estará melhor preparado e terá melhores oportunidades se investir na sua qualificação. Não acredito que uma carreira seja melhor a outra. Tudo depende dos objetivos de cada profissional e de como ele encara a carreira escolhida e, também, dos desafios que ele busca para a sua trajetória profissional”.

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