Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
POLÍTICA

Com o final da legislatura, metade dos vereadores se despedem da Câmara

Dos 41 membros da CMM, 20 não alcançaram a reeleição e darão 'adeus' a salários de R$ 15 mil, R$ 60 mil de verba de gabinete e R$ 14 mil do Cotão da Ceap



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Parlamentares se despedem da CMM após derrota nas eleições (Foto: Arquivo/AC)
26/12/2016 às 05:00

Com o final da legislatura na Câmara Municipal de Manaus (CMM) e a expressiva renovação promovida na Casa nas eleições de outubro, quase a metade dos vereadores estão fazendo suas malas e se despedindo do mandato.

Dos 41 membros da CMM, apenas 21 conseguiram se reeleger. Dando lugar aos novatos, 20 atualmente contemplam um regresso às profissões do passado, resolução de questões pessoais e continuidade de estudos - tudo isso sem o salário de R$ 15 mil, os R$ 60 mil de verba de gabinete e os R$ 14 mil da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), o chamado ‘Cotão’.

Luis Mitoso (PSD) disse que espera que a próxima legislatura contribua com a cidade e que ele pretende voltar a atuar no ramo do Direito. “Sou advogado há 31 anos tenho um escritório onde nunca deixei de exercer a advocacia, portanto continuarei advogando. Além disso, vou continuar a vida política. Faço parte de um grupo político. Sou filiado ao PSD e tive uma votação expressiva nas últimas eleições, sendo o 20° vereador mais bem votado do pleito”, comentou o parlamentar.

Já Júnior Ribeiro (PTN) ainda não sabe exatamente a que vai se dedicar e está avaliando várias opções no seu futuro. “Eu sou bacharel de Direito. Quero tirar a carteira da OAB e trabalhar na área. Eu trabalhei de forma autônoma com reciclagem de papelão, de plástico, então tenho que avaliar o mercado para ver se retomo isso. Além disso, temos aí as eleições de 2018 e 2020, além de ser suplente do meu partido. Vamos ver o que acontece na política em 2017 para que eu volte a esta Casa ou, quem sabe, chegue à Assembleia”, elencou o parlamentar.

Visivelmente emocionada, Socorro Sampaio (PP) agradeceu seus eleitores. “Política é assim. A vida não pára e as coisas precisam continuar. Encerro esse momento, pelo menos, a minha passagem pela Câmara Municipal como vereadora”, disse. Ela disse que pretende voltar a fazer matérias jornalísticas para a rádio, algo que fazia antes de se eleger, mas que sentirá falta de tudo relativo à Casa.

“Eu sempre tive muito carinho de todos os funcionários e fico até emocionada. É importante quando você não passa por um lugar, mas quando você faz história. Só o fato de eu ter deixado meu nome nessa legislatura é ótimo”, comentou.

Magistério

Professor Bibiano (PT) voltará para as salas de aula da rede municipal. “Volto a ser professor, mas trabalhando e colocando meu serviço à disposição da comunidade, da cidade e do partido. Vou sentir falta da briga aqui na Câmara. Você sofre lá fora, mas aqui dentro, você tem a possibilidade de minimizar esse sofrimento através de propostas”, refletiu o parlamentar.

Já Rosi Matos (PT) nem sabe se ficará em Manaus quando o mandato acabar. “Tem algumas questões pessoais que eu preciso dar andamento. Tenho também que dar uma refletida se eu volto ao meu posto de trabalho. Sou industriária e meu posto é na fábrica Gradiente em São Paulo, então não sei se fico aqui ou se vou para lá”, declarou a petista.

Muitos votos e sem mandato

Um ponto destacado por vários dos vereadores que estão de saída foi a sistemática eleitoral que privilegia os quocientes das legendas e não os números brutos de votos, que levou a vários parlamentares que tiveram votações expressivas nas urnas a ficarem de fora enquanto outros, que obtiveram menos votos, conseguiram uma vaga na Casa Legislativa por conta de suas legendas.

“Tive 5.266 votos. Infelizmente, a legenda nos deixou fora. Dezenove vereadores se elegeram com menos votos do que eu, mas isso faz parte da regra do jogo”, disse Joãozinho Miranda (PTN), com certo descontentamento. Da mesma forma, Ceará do Santa Etelvina (DEM) também mencionou com orgulho sua votação de 5.104 votos, que não conseguiu mantê-lo na Casa por mais quatro anos.

“Infelizmente, por causa do sistema injusto de quociente eleitoral da legenda, minha coligação não teve legenda suficiente para chegar a três vereadores. Fez dois, faltou fazer o terceiro, mas eu fui o 11º mais votado do pleito. Isso me consola. Eu sairia triste se não tivesse a votação que tive. Tive uma votação brilhante”, comentou Amauri Colares.

‘Não adianta colocar uma urna’

Mário Frota, um dos vereadores com mais experiência no Legislativo, tendo exercido três mandatos na CMM, além de mandatos como deputado estadual e federal, também deixa a cadeira de parlamento municipal este mês.

Ele disse que pretende se dedicar à carreira de advogado. “Minha mulher tem um escritório de advocacia e estou pensando em advogar com ela. Por enquanto, só isso mesmo, mas pode ser que surja um fato novo e eu tenha que repensar, mas o futuro, a Deus pertence. Só não posso ficar de braços cruzados. No dia em que isso acontecer, eu entro em depressão e morro”, comentou.

Ele também mencionou estar bastante desencantado com o cenário político atual. “Na minha infância política, eu achei que o problema do Brasil, na época dos militares, era não podermos escolher nossos prefeitos, governadores e presidentes. Eu achei, no meu idealismo, que qualquer problema grave seria solucionado com uma urna. Hoje, eu penso que não adianta colocar uma urna se o povo não estiver preparado e não tiver responsabilidade para votar”, declarou.


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