Terça-feira, 23 de Julho de 2019
Saúde Pública

Com salários atrasados, servidores do Careiro Castanho ameaçam cruzar os braços

A informação foi confirmada pela enfermeira e delegada do SindSaúde no Careiro, Aldineia Pascoal. Sem problema solucionado, os moradores de comunidades mais distantes são os que mais sofrem com ausência de atendimento



1167445.jpg Moradores de comunidades mais distantes são os que mais sofrem com o problema e as unidades de saúde fechadas (Fotos: Divulgação)
03/12/2016 às 10:19

Profissionais da saúde do Município de Careiro Castanho (distante 102 quilômetros de Manaus) prometem cruzar os braços a partir da próxima semana caso a prefeitura não efetue o pagamento dos servidores. A informação foi confirmada pela enfermeira e  delegada do Sindicato dos Profissionais de Saúde (SindSaúde) no Careiro, Aldineia Pascoal. 

Além de pagamentos atrasados, a delegada do SindSaúde também denuncia a falta de medicamentos, combustível e até de materiais como luva de manipulação, usada para atender os pacientes. Segundo a enfermeira, o problema se agravou após as eleições municipais de 2016.

“A  situação  está fora  de  controle, insuportável  e a  cada dia  se agrava  mais. Estamos trabalhando sem qualquer condição. As unidades estão sem remédios e nem luva tem para os profissionais. O problema vem se arrastando desde o início do  ano, mas piorou de outubro para cá”, informou. 

A falta de medicamentos de uso contínuo, como os usados no tratamento de diabetes e hipertensão, e a falta de combustível para as ambulâncias, também  causou a morte de pelo menos três pacientes nos últimos seis meses, segundo Aldineia Pascoal.

“Um dos pacientes morreu porque  ele  deveria ser transportado da comunidade  do Samaúma  para  o hospital do  Careiro, mas isso não ocorreu em por falta de gasolina na ambulância. Foi  preciso que familiares e vizinhos fizessem uma cota para  transportar o paciente. Infelizmente, com a demora, ele  veio a óbito antes de chegar na  cidade”, denunciou. 

O município possui 10 unidades de atendimento, entre Unidade Básica de Saúde (UBS) e Pronto Socorro para atender uma população de 32 mil habitantes. 

Preocupação 

O SindSaúde denunciou ainda a demissão em massa, ocorrida logo após as eleições, quando mais de 60 profissionais, entre médicos, psicólogos, terapeutas e agentes de saúde foram desligados da Secretaria Municipal de Saúde, mesmo muito deles tendo sido contratos por programas federais e cujos contratos só vencem em março de 2017.  

“Acionamos a  Delegacia Regional  do  Trabalho e o prefeito,  Hamilton  Villar, mas  não  obtivemos  respostas. Nossos salários estão sendo pagos com atraso todos os meses e, se até o dia 7 não recebermos, vamos paralisar as atividades por tempo indeterminado”, afirmou.

Prejudicados

Enquanto o problema não é solucionado, os moradores das comunidades mais distantes são os que mais sofrem com a ausência de atendimento médico. Na comunidade do Puru-Puru,  não tem médicos e enfermeiros. Na comunidade do Araça, a 50 quilômetros da sede do município, a UBS está em reforma há sete meses e a ambulância foi recolhida por falta de combustível. Outro problema é a falta de remédios. “Há seis meses que não chega nenhum tipo de medicação”, denunciou a enfermeira Liliane Oliveira, 37. 

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