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Cotidiano
Saúde Pública

Com salários atrasados, servidores do Careiro Castanho ameaçam cruzar os braços

A informação foi confirmada pela enfermeira e delegada do SindSaúde no Careiro, Aldineia Pascoal. Sem problema solucionado, os moradores de comunidades mais distantes são os que mais sofrem com ausência de atendimento 03/12/2016 às 10:19 - Atualizado em 03/12/2016 às 10:24
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Moradores de comunidades mais distantes são os que mais sofrem com o problema e as unidades de saúde fechadas (Fotos: Divulgação)
Kelly Melo Manaus (AM)

Profissionais da saúde do Município de Careiro Castanho (distante 102 quilômetros de Manaus) prometem cruzar os braços a partir da próxima semana caso a prefeitura não efetue o pagamento dos servidores. A informação foi confirmada pela enfermeira e  delegada do Sindicato dos Profissionais de Saúde (SindSaúde) no Careiro, Aldineia Pascoal. 

Além de pagamentos atrasados, a delegada do SindSaúde também denuncia a falta de medicamentos, combustível e até de materiais como luva de manipulação, usada para atender os pacientes. Segundo a enfermeira, o problema se agravou após as eleições municipais de 2016.

“A  situação  está fora  de  controle, insuportável  e a  cada dia  se agrava  mais. Estamos trabalhando sem qualquer condição. As unidades estão sem remédios e nem luva tem para os profissionais. O problema vem se arrastando desde o início do  ano, mas piorou de outubro para cá”, informou. 

A falta de medicamentos de uso contínuo, como os usados no tratamento de diabetes e hipertensão, e a falta de combustível para as ambulâncias, também  causou a morte de pelo menos três pacientes nos últimos seis meses, segundo Aldineia Pascoal.

“Um dos pacientes morreu porque  ele  deveria ser transportado da comunidade  do Samaúma  para  o hospital do  Careiro, mas isso não ocorreu em por falta de gasolina na ambulância. Foi  preciso que familiares e vizinhos fizessem uma cota para  transportar o paciente. Infelizmente, com a demora, ele  veio a óbito antes de chegar na  cidade”, denunciou. 

O município possui 10 unidades de atendimento, entre Unidade Básica de Saúde (UBS) e Pronto Socorro para atender uma população de 32 mil habitantes. 

Preocupação 

O SindSaúde denunciou ainda a demissão em massa, ocorrida logo após as eleições, quando mais de 60 profissionais, entre médicos, psicólogos, terapeutas e agentes de saúde foram desligados da Secretaria Municipal de Saúde, mesmo muito deles tendo sido contratos por programas federais e cujos contratos só vencem em março de 2017.  

“Acionamos a  Delegacia Regional  do  Trabalho e o prefeito,  Hamilton  Villar, mas  não  obtivemos  respostas. Nossos salários estão sendo pagos com atraso todos os meses e, se até o dia 7 não recebermos, vamos paralisar as atividades por tempo indeterminado”, afirmou.

Prejudicados

Enquanto o problema não é solucionado, os moradores das comunidades mais distantes são os que mais sofrem com a ausência de atendimento médico. Na comunidade do Puru-Puru,  não tem médicos e enfermeiros. Na comunidade do Araça, a 50 quilômetros da sede do município, a UBS está em reforma há sete meses e a ambulância foi recolhida por falta de combustível. Outro problema é a falta de remédios. “Há seis meses que não chega nenhum tipo de medicação”, denunciou a enfermeira Liliane Oliveira, 37. 

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