Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
Aumento da Selic

Combate à inflação tem impacto negativo no consumo

Especialistas apontam lado ruim do aumento dos juros/selic: retração do consumo e, consequentemente, da atividade produtiva brasileira



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05/08/2021 às 17:49

O aumento da taxa Selic, que serve de referência para os demais juros no país, prejudica a retomada da atividade industrial e amplia o custo de vida da população, na medida em que encarece ainda mais os preços dos produtos. Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou de 4,25% para 5,25% a Selic. Esse é o maior aumento desde 2003 – o quarto consecutivo deste ano.

A avaliação foi feita pela economista Denise Kassama e pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva. Denise lembra que a Selic impacta em todas as outras taxas de juros praticadas no mercado.

“Tal iniciativa visa controlar a inflação, que já está em 3,77% no acumulado do ano. Os juros altos estimulam a poupança e as aplicações financeiras, pois a remuneração será melhor e vai reduzir a circulação de moeda na economia. Por outro lado, os juros altos, desestimulam o crédito, e as compras em geral, pois aumenta todos os preços. Então, basicamente, a ideia do governo é reduzir o consumo, estimular a poupança e assim combater a inflação. Em teoria, não deixa de ser uma solução, se não fosse o momento atual que estamos passando”, disse Denise.

Para a economista, os principais vilões da inflação foram os aumentos nos preços dos alimentos. “Esse aumento de preços ocorreu não só pelo aumento do consumo, uma vez que boa parte das famílias que comiam fora passaram a comer em casa durante a pandemia, mas também pelo aumento das exportações, o que acabou reduzindo a oferta no mercado interno”, afirmou.

Denise lembra que o país ainda está tentando se recuperar das perdas econômicas geradas pela pandemia. “A grande maioria empresas que não encerraram suas operações, reduziram as atividades e, consequentemente, os postos de trabalho. Neste momento em que as restrições começam a serem flexibilizadas, aumentando o horário de atendimento do setor de serviços, seria ideal que as empresas investissem na recuperação de suas perdas”, avaliou.

AMAZONAS

Com o desemprego no Amazonas atingindo 17,5% (número de maio), boa parte dos amazonenses contraíram dívidas no período da pandemia, seja no crédito, no cheque especial, no cartão.

“O aumento da taxa de juros impacta diretamente no montante destas dividas, onerando justamente a parcela da população que ficou desempregada ou teve perda de renda, se endividou e agora não tem como pagar”, ressaltou a economista.

A medida trás consequência que podem impactar na vida econômica em geral. “A retração do consumo, via aumento dos juros, impacta diretamente nos novos investimentos, reduzindo a geração de empregos, e, consequentemente, de renda, dificultando a recuperação econômica e o crescimento. O remédio pode ser bom, mas pode matar o paciente”, concluiu Denise.

INDÚSTRIA

Para o presidente da Fieam, Antônio Silva, a medida é prejudicial tanto para o cidadão quanto para as empresas. “Ao elevar a taxa básica de juros substancialmente o governo encarece o custo do investimento e desestimula a atividade econômica. O intuito da medida é controlar a inflação. Entendemos que, hoje, a principal causa de pressão sobre os preços não é derivada dessa questão e deve se acomodar naturalmente dentro de alguns meses. Essa elevação deve inibir novos investimentos e uma maior retomada da atividade produtiva”, disse Antônio Silva.




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