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Cotidiano
COMÉRCIO

Venda irregular de pescado deve continuar por tempo indeterminado, em Manaus

De acordo com a Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) não tem como acabar com a prática a não ser que a população deixe de comprar peixe no local 28/03/2016 às 20:23 - Atualizado em 28/03/2016 às 23:21
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Sem preocupação com a falta de higiene, consumidora escolhe pescado direto do carrinho de mão do vendedor (Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

Mesmo reconhecendo que o comércio de pescado na beira da “Boca da Onça”, entre a Feira da Manaus Moderna e o Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro, é feito de forma ilegal pelos canoeiros, a Subsecretaria Municipal de Abastecimento, Feiras e Mercados (Subsempab) informou que não tem como acabar com a prática a não ser que a população deixe de comprar peixe no local.

De acordo com o titular da Subsempab, Fábio Albuquerque, apesar das diversas ações para coibir a prática ilegal, os canoeiros não estão sujeitos a nenhuma penalidade, o que dificulta o combate da venda irregular feita por eles. “Como eles não são cadastrados não tem como multá-los ou penalizá-los e mesmo que nós apreendemos seus peixes eles retornam depois com outro pescado”, enfatizou.

Albuquerque ressaltou que vários canoeiros foram notificados sobre essa ação ilegal e tiveram seus peixes apreendidos, no entanto, voltam para as mesmas atividades devidos os compradores que acabam alimentando essa prática que põe em risco à saúde pública. “A população corre risco ao comprar esses peixes porque não tem nenhuma procedência e são comercializados em condições precárias de higiene”, alertou.

O subsecretário salientou ainda que os canoeiros foram beneficiados com espaços em diversas feiras municipais da cidade, mas apesar dos investimentos para retirá-los da informalidade, a maioria abandonou todo o apoio logístico oferecido como boxes, uniformes e cursos e voltou para a ilegalidade. “Oferecemos esses locais, inclusive, próximo de onde eles moram, mas eles não aceitam”, afirmou.

Raimundo Hosana, 45, foi um dos canoeiros realocado na Feira Municipal do Coroado, na Zona Leste, que, assim como outros colegas, abandonou o local. O motivo foi porque só teve prejuízos, conforme ele. “A prefeitura colocou a gente em feiras distantes e sem movimento. Eu perdi R$ 5 mil. Todo o meu capital. Então continuar lá não tinha condições. Por isso, voltei para vender peixe aqui na beira”, declarou.


O canoeiro José Odil, 53, contou a mesma versão e destacou que todos estão comercializando pescado de forma irregular porque precisam sustentar as famílias e na beira da “Boca da Onça” a venda é melhor. Ele também rebateu a informação de que o peixe vendido pelos canoeiros não tem procedência e qualidade. “Muitos vendem o que pescam outros revendem peixe de pessoas que moram nas proximidades de Manaus e vendemos mais barato porque não temos despesas com carregadores e nem com frete”, apontou.

Frase
“Pedimos à população que não compre esses peixes, pois ao deixar de comprar  vai acaba com essa venda ilegal”.
Fábio Albuquerque
Subsecretário da Subsempab

Destaque
De acordo com os canoeiros, mais de 300 pessoas tiram o sustento da família com a venda de peixes na beira da “Boca da Onça”. A feira irregular acontece de segunda a segunda, com o pico das vendas durante a manhã, sendo que funciona a tarde também.

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