Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020
Privatização à vista

Comitê na ALE é ampliado e aponta prejuízos se a Caixa Econômica for vendida

Grupo prevê perdas em programas sociais gerenciados pela Caixa. Presidente da Federação Nacional de Pessoal da Caixa (Fenae) acredita que juros poderão aumentar e área social será abalada



2AP__foto_ALBERTO_ARA_JO_ALEAM.JPG Comitê em defesa do setor elétrico, na ALE, foi ampliado para abranger a eventual privatização da Caixa Econômica.
06/03/2018 às 07:42

O comitê em defesa do setor elétrico, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), foi ampliado para abranger a Caixa Econômica Federal (CEF), tendo em vista a iminente privatização. A decisão foi tomada ontem após a audiência pública na Casa Legislativa.

Segundo o presidente da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica (Fenae), Jair Ferreira, as empresas públicas estão “sob ataque” e necessitam de uma mobilização. “A reivindicação ou o nosso objetivo de mobilização é envolver a sociedade, porque aqui no Amazonas, por exemplo, de todos os financiamentos habitacionais só tem a Caixa e o Banco do Brasil que financiam”, disse. 



A consequência da venda da CEF, para Ferreira, é o aumento dos juros, exigindo maior rentabilidade e, assim, impactando na área social que a instituição financeira atua. “A administração do FGTS, do “Minha Casa, Minha Vida”, fundo de garantia, isso tudo corre risco”, contou.

Em relação aos trabalhadores, o presidente da Fenae revelou que 14 mil pessoas já se afastaram da CEF por conta das aposentadorias desde 2014 até hoje e não houve uma reposição. Conforme Ferreira, a Caixa tem atualmente 87 mil empregados e mais funcionários serão demitidos caso ocorra a privatização. “Se ocorrer um processo desses ou diminua para 30%, nós podemos ter 50 mil trabalhadores desempregados só na Caixa”, destacou. 

O presidente da Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef-AM), Paulo Roberto da Costa, afirma que os serviços da instituição financeira será comprometido. “Se chegar a ser privatizada, nem que seja só a metade, não vai ter como prestar um serviço como presta hoje para o povo”, enfatizou.

Durante a audiência pública, foi apontado pelo presidente da Fenae que 91% dos financiamentos é realizado pela Caixa no Amazonas. São 35 agências, sendo 20 na capital e 15 no interior, com um total de 900 empregados.

O presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Amazonas (Seeb-AM), Nindberg dos Santos, ressaltou as dificuldades para atender as demandas do interior por conta da diminuição dos postos de trabalho. “Estão preparando para a privatização”, disse. 

De acordo com o autor da proposta de audiência, deputado estadual Sinésio Campos (PT), a privatização da CEF não se enquadra no argumento de que a estatal é “um fardo negativo para as contas públicas”. “Defender a Caixa Econômica é defender o Brasil. A defesa da Caixa é que ela não é uma estatal deficitária”, afirmou.

O Fórum do Setor Elétrico faz parte da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento, presidida por Sinésio, e tem entidades que atuam dentro da temática.


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