Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
SAÚDE

Governo inicia prevenção contra o coronavírus no Amazonas

Não há notificação de casos suspeitos no Estado, mas o secretário de Saúde Rodrigo Tobias afirma que a rede assistencial está organizada para atender possíveis ocorrências da doença



senhora_de_idade_6DBD302D-1858-4426-A147-8E2F54E1468F.JPG Foto: Marcely Gomes
31/01/2020 às 07:00

Para prevenir e tratar possíveis casos do novo coronavírus (2019-nCoV), o Governo do Amazonas criou o Comitê Interinstitucional de Gestão de Emergência em Saúde Pública para Resposta Rápida aos Vírus Respiratórios. E, ontem (30), foi realizada a primeira reunião para alinhar estratégias diante da gravidade da doença em vários países do mundo. 

Na pauta do comitê, estiveram as atualizações sobre o novo vírus e as outras Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) e os posicionamentos das autoridades em relação às medidas de prevenção e controle que estão sendo adotadas no Estado, conforme orientações do Ministério da Saúde (MS) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).



O Brasil segue com nove casos suspeitos sendo investigados, em Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), Rio Grande do Sul (2), São Paulo (3), Paraná (1) e Ceará (1), segundo o último Boletim do MS. Ontem, a OMS declarou o novo coronavírus como emergência internacional em saúde. No Amazonas, não há notificação de casos suspeitos de coronavírus, mas o secretário estadual de Saúde (Susam), Rodrigo Tobias, informou que a rede assistencial está organizada para atender possíveis ocorrências da doença.

“O nosso objetivo é fazer a execução de medidas preventivas e, sobretudo, de buscas ativas no controle das epidemias por síndromes gripais. Nesse sentido, fizemos a primeira reunião, alinhamos e determinamos fluxos no nosso atendimento de modo que todo o sistema de saúde do Amazonas está preparado para fazer a assistência de pacientes que apresentarem os sintomas”, disse Tobias.

O secretário municipal de Saúde (Semsa) de Manaus, Marcelo Magaldi, destacou a integração entre os órgãos para minimizar os impactos, caso os primeiros casos de coronavírus sejam confirmados na capital do Estado. “Aqui, em Manaus, nós estamos procurando tomar todas as providências no sentido de minimizar os impactos, caso esse vírus chegue, e também minimizar os impactos em relação aos outros vírus que causam a Síndrome Respiratória Grave. É importante dizer que não é um vírus tão agressivo, mas ele se espalha rápido”, explicou.

A diretora da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto, destacou a importância do controle em locais de trânsito de pessoas, principalmente, nos aeroportos internacionais Eduardo Gomes e em Letícia, na fronteira com Tabatinga (a 1.108 quilômetros a oeste de Manaus), diante de casos suspeitos no Peru e Colômbia. Segundo Rosemary, já estão sendo feitas tratativas com as autoridades de vigilância e aeroportuárias desses países. No caso do Peru, a preocupação é com a movimentação pelos portos nas cidades de fronteira.

Protolocos para aeroportos e portos

Na manhã de ontem, a diretora da FVS-AM, Rosemary Costa Pinto, e uma equipe do órgão estadual estiveram no Aeroporto Eduardo Gomes para alinhamento de protocolos com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e empresas aéreas para identificação e condução de pacientes com suspeita do novo coronavírus (2019-nCoV).

A unidade de referência para onde serão encaminhados os casos é o Hospital da Zona Norte Delphina Aziz. O hospital também será referência para pacientes que forem atendidos nas unidades da rede de saúde e apresentarem algum sintoma. As transferências serão feitas via central de regulação do Sistema de Transferência e Emergências Reguladas, que interliga os hospitais.

O diretor técnico da FVS-AM, Cristiano Fernandes, disse que uma equipe está sendo preparada para ir ao município de Tabatinga. A equipe será composta por profissionais da vigilância epidemiológica e do Laboratório Central (Lacen), que vão se reunir com o Laboratório de Fronteira, além de um médico epidemiologista da Fundação de Medina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), para capacitar os profissionais de saúde.

“Considerando que os aeroportos, principalmente, os internacionais, servem de entrada para passageiros em trânsito oriundos de países asiáticos, principalmente a China, temos que ter uma atenção maior para com esses locais”, disse Cristiano. Ele disse que os protocolos em aeroportos e portos já são definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“São áreas estratégicas, a gente sempre fica alerta para a questão da vulnerabilidade dessas áreas e de possibilidade de trânsito de pessoas. Temos uma resolução sanitária relacionada às praticas voltadas às áreas de fronteiras, de portos e aeroportos e rodovias, com trânsito de grande fluxo de pessoas. A partir dessas áreas de maior risco, adotamos diferentes protocolos, lembrando que são protocolos definidos pelo Ministério da Saúde e OMS. A Anvisa faz a definição de protocolos para essas áreas”, explicou.

FVS informa 18 óbitos por SRAG

A FVS divulgou, ontem, a quarta edição do Boletim Epidemiológico da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Amazonas, que corresponde à análise de notificações de novembro de 2019 até o dia 30 de janeiro de 2020. Segundo o boletim, foram notificados até o momento 129 casos de SRAG; destes foram identificados 13 Influenza B, 11 casos provocados por Adenovírus, quatro para Vírus Sincicial Respiratório (VSR), dois para Metapneumovírus e um para Parainfluenza 1.

A FVS informou que, no total, foram registrados a partir de novembro 18 óbitos por SRAG, sendo sete confirmados por vírus respiratórios e 11 por outras síndromes respiratórias. Dos sete óbitos, todos eram residentes de Manaus, sendo três casos por Influenza B, dois por Adenovírus, um por Metapeneumovírus e um por Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

Ainda em relação aos óbitos, 71% dos casos apresentaram pelo menos um fator de risco agravamento, com 42% respectivamente em pacientes idosos, cardiovasculares ou com diabetes, 28% pneumopatas e 14% em crianças de 1 a 4 anos.

O diretor-presidente da FMT-HVD, médico infectologista Marcus Guerra, reforçou as medidas de prevenção e controle, como a lavagem frequente das mãos com água e sabão, o uso de álcool gel a 70%, evitar contato com pessoas gripadas e lugares aglomerados, etiqueta da tosse (evitando-se tossir diretamente nas mãos, e sim na curva interna do braço), uso de lenços descartáveis, uso de máscaras, repouso adequado, boa hidratação, alimentação equilibrada, entre outras.

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