Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
operação timbó 2

Compra de 500 bolas de basquete para cidade que não tem quadra foi indício da fraude

A segunda fase da operação Timbó teve como alvo empresas que participaram de licitações fraudulentas, que ultrapassam R$ 17 milhões, entre 2013 e 2016 em Santa Isabel (AM)



20160812_055359.jpg
12/08/2016 às 17:31

Uma licitação para a compra de 500 bolas de basquete foi um dos estopins para a operação que desarticulou o grupo criminoso que fraudava licitações na Prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro, a 631 quilômetros de Manaus. O detalhe é que o município não possui uma quadra sequer para essa prática esportiva. A informação é do procurador-geral de Justiça exercício, Pedro Bezerra.

Para o membro do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), tal prática é motivada pela certeza da impunidade. “Me chama a atenção o absurdo da coisa. O MP quer cortar a cadeia desse circulo perverso para que a municipalidade possa ser coberta com a verba destinada a ela", disse.

Só as bolas e equipamentos de basquete custaram mais de R$ 600 mil. "Surpreendeu muito porque foram compradas 500 bolas de basquete para um município que não possui nenhuma quadra de basquetebol. Essas bolas e os equipamentos nunca chegaram ao município”, afirmou a promotora Christiane Corrêa, do Grupo de Combate ao Crime Organizado do MP-AM (Gaeco).

A segunda fase da operação Timbó (Timbó 2 - Zagaia), deflagrada na manhã desta sexta-feira (12), teve como alvo empresas que participaram de licitações fraudulentas entre os anos de 2013 até o início de 2016 na cidade, atuando na montagem de processos de licitação cujos valores licitados ultrapassaram R$ 17.000.000,00 (dezessete milhões de reais).

O objetivo da Timbó 2 - Zagaia foi cumprir quatro mandados de prisão temporária, dois mandados de condução coercitiva, oito mandados de busca e apreensão, além da apresentação de dois presos, conforme mandados expedidos pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM).

No dia 10 de maio, o MP-AM deflagrou a primeira fase da Timbó, focada no núcleo político da organização. O prefeito Mariolino Siqueira foi preso na ocasião.

Apoio

As equipes do MP-AM contaram com o apoio da Secretaria de Segurança Pública, Secretaria Adjunta de Inteligência, Delegacia Geral e Departamento de Perícia Técnico-científica.

Prisões decretadas

Os empresários Thiago Guilherme Caliri Queiroz e Rômulo Figueiredo de Souza Júnior tiveram prisões temporárias decretadas, os dois estão presos. Rômulo era empregado de uma empresa de contabilidade prestadora de serviços da Prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro. De acordo com as investigações do Gaeco, Rômulo recebia propina da organização criminosa.
Dois empresários continuam foragidos: Fábio de Camargo Calil, da empresa F De C. Calil, e Renan Correa Peixoto Filho, da empresa R.C. Comércio.

Empresário no alvo

O alvo nesse desdobramento da Operação Timbó foi o núcleo empresarial da organização criminosa que atuava na prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro, a 630 km de Manaus, para desviar verbas públicas. A investigação se concentrou em licitações fraudadas para beneficiar empresários, o prefeito, Mariolino Siqueira, preso em Manaus desde maio, secretários municipais e servidores públicos.
O trabalho investigativo apontou que nos últimos três anos, o grupo desviou cerca de R$ 17 milhões em oito processos licitatórios.

Quatro empresas são investigadas pelas fraudes: RC Comércio, Nortepetro, F.De C. Calil e GEA. Todas elas estão sediadas em Manaus e participaram de oito pregões e uma modalidade “carona” de processo de licitatório, de 2013 até o início de 2016.

*Com informações de Joana Queiroz e da assessoria do MP-AM

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.