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Cotidiano
Recursos Humanos

Comum no ambiente escolar, bullying também afeta adultos em empresas

Comportamento compromete negativamente o desempenho no ambiente de trabalho, aponta estudo. Pessoas como deficientes, mulheres e LGBTs são os que mais sofrem com atitudes preconceituosas 12/06/2016 às 16:54 - Atualizado em 12/06/2016 às 19:23
Show bullying
Bullying pode prejudicar a auto-estima do profissional e afetar sua carreira, afirmam profissionais (Foto: Reprodução)
acrítica.com

A palavra bullying geralmente remete a crianças e adolescentes em fase escolar. Porém é um problema comum também no ambiente corporativo, muitas vezes partindo dos próprios colegas, por meio de violência verbal, piadas de mau gosto ou brincadeiras referentes a alguma fragilidade do outro.

Segundo estudo do site do CareerBuilder, as minorias costumam ser os alvos mais comuns do bullying nas empresas: 44% dos deficientes físicos, 34% das mulheres e 30% dos LGBTs já sofreram algum tipo de agressão no trabalho.

Alvo de piadas

A estudante de administração Pamela Carvalho, de 28 anos, conta que, por causa da sua sexualidade, era alvo de piadas e comentários preconceituosos em uma empresa onde estagiou. “No início não me importei, até levei na brincadeira, no bom humor. Não escondi que era transexual desde o primeiro dia, mas com o tempo o comportamento dos colegas com isso foi me deixando incomodada”, disse a universitária.

Ela relata que isso a afetou de tal maneira, que fez com que desistisse de trabalhar na empresa. “A direção via e não fazia nada, então, aos poucos fui me desmotivando, comecei a faltar bastante, até o dia que o contrato acabou e, mesmo a minha gerente querendo prorrogar, pois ela gostava do meu trabalho, preferi não continuar mais lá”, lembra Pamela.

A estudante universitária Suellem Freitas também possui relatos de humilhação no ambiente de trabalho. “No primeiro mês foi tudo bem, meu superior parecia ser uma boa pessoa. Um dia esse meu superior inventou que eu tinha o mandado calar a boca numa situação. A partir daí passou a não falar mais comigo, sorria sarcasticamente de mim, evitava me delegar funções ou me subestimava. Percebi que ele estava me perseguindo, tinha uma antipatia comigo, não sei por quê. Certo dia aconteceu uma situação em que eu fui dar minha opinião e ele simplesmente começou a gritar comigo, falou que eu era uma burra, uma incompetente, não sabia que estava falando, desde que fui pra lá só fazia besteira”, relatou.

Sequelas

A psicóloga e diretora de Educação Profissional do Centro Literatus (CEL), Rosselane Sandrini, explica que o bullying começa com uma brincadeira e aos poucos vai deixando sequelas. “Muitas vezes a vítima precisa de acompanhamento psicológico, tornando-se desmotivada, com medo de conhecer o novo e podendo também ficar agressiva, podendo torna-se uma pessoa fria e com o desejo de vingança”, ressalta.

O mais importante, diz ela, é que a pessoa que está sofrendo o problema reconheça que a culpa não é dela. “É preciso que tome uma atitude e faça uma denúncia para o setor responsável. Quem lida com isso possui medo de reagir e quem pratica não se dá conta do quanto é prejudicial, que isso causa danos ao desenvolvimento, a atuação e até o networking das vítimas”, frisou a diretora.

Além disso, Rosselane aponta que a postura da empresa é fundamental, por isso é importante ouvir seus colaboradores e se posicionar claramente pela diversidade e não aceitação de atitudes preconceituosas no seu quadro funcional. “Também é necessário investir em treinamentos e capacitar os gestores a terem habilidades capazes de identificar cada funcionário como um ser único e trabalhar suas deficiências e virtudes. É preciso levar a sério brincadeirinhas ou situações conflituosas, investigando e dando a devida importância ao problema”, apontou a psicóloga.

A coach de carreiras Eliana Pinheiro explica que o papel do líder é extremamente importante nesta situação. “Ele deve trabalhar positivamente tanto quem pratica quanto quem sofre o bullying”, orienta.

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