Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020
DEBATE

Comunidade LGBTQ+ discute políticas públicas em videoconferência online

Encontro em plataforma online reuniu ativistas, pesquisadores e artistas. Essa foi a primeira de uma série de conferências que a plataforma vem organizando e pretende divulgar nos próximos dias



1790288_73D999D3-AD6F-447A-9073-C7141D949C69.jpeg Foto: Reprodução/Internet
13/07/2020 às 08:50

Acesso à saúde, educação e segurança pública voltadas ao público LGBT foram as principais pautas da primeira live do ‘Esse é o Nosso Norte’, plataforma de ocupação e inclusão política, que ocorreu no sábado, e reuniu ativistas, professores, pesquisadores, artistas, psicólogos e produtores culturais para debater o direito à cidade da pessoa LGBT+ em Manaus.

A construção de políticas públicas para a comunidade da capital foi o tema da conferência online e foi a primeira de conferências que a plataforma vem organizando e pretende divulgar nos próximos dias.



Mirna Lysa, auxiliar de enfermagem e Conselheira Municipal de Direitos das Mulheres LBT Manaus, pontuou a falta de garantias de educação e de empregabilidade para transexuais.

“Em primeiro lugar, a população trans pauta direito à escola e oportunidade de emprego. Muitas transexuais e travestis são expulsas da escola pela sua orientação sexual, modo de vestir e trajar. E segundo, garantia de emprego, um balcão de emprego, porque muitas meninas conseguem aprovar currículos, mas quando se apresentam têm a resposta que a vaga já foi preenchida, que a empresa ligará depois. E isso tudo é uma conversa, nós sabemos que é preconceito e discriminação que ainda existem e estão enraizados em Manaus. Precisamos de um norte, sem preconceito e sem discriminação para a população trans”, disse Mirna.

Bruno Santos, publicitário e ativista de Direitos Humanos levantou a relação entre o crescente no número de suicídios na população LGBT e a falta de acesso à políticas públicas.

“Manaus é a capital do Norte com maior número de crimes lgbtfóbicos, mas também vale colocar uma constante que é o número de suicídios da população LGBT ter aumentando em mais de 200% entre 2017 e 2018. Isso reflete de que formas as políticas estão sendo implementadas. Elas não são implementadas para que a população LGBT tenha acesso”, disse.

Bruno lembrou também que a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (SEMMASDH) não conta mais com uma gerência de diversidade sexual e de gênero desde 2018.

“E isso começa a dialogar com o que a população LGBT representa pra Manaus, apenas uma pauta, que é a de HIVe AIDS. Temos que passar essa barreira e entender que temos nossas especificidades”, explicou o ativista.

Representação

A bancada coletiva do PSOL, que é pré-candidata à Câmara Municipal de Manaus, participou da conferência. A ativista Silvia Moraes ressaltou a importância e urgência que a  população LGBT têm em ocupar espaços de poder para visibilizar suas pautas em face do avanço de bancadas conservadoras.

Pesquisadora cobra centro de auxílio

A professora, pesquisadora, assistente social e ativista, Lidiany Cavalcante denunciou, na live de sábado, a inexistência de políticas de saúde mental para a comunidade LGBT. Lidiany atua com pesquisas voltadas para o segmento LGBT no Amazonas, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

“Nós não temos política de saúde mental para comunidade LGBT. Se você chegar no  Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) com uma demanda do tema você não tem nenhum tipo de particularidade em atendimento. Se você chegar no pronto atendimento que fica em anexo ao Hospital Eduardo Ribeiro você também não tem nenhum tipo de perspectiva de atendimento”, afirmou.

A professora explicou que em recente pesquisa realizada na UFAM, 85% das pessoas LGBT+  já pensaram em cometer  suicídio e 63 já tentaram realizar de fato o ato. A pesquisa foi realizada por meio eletrônico e teve a resposta de 250 pessoas.

“Precisamos ter essa particularidade para ser trabalhado também, informação para profissionais que estão no único centro de emergência que o Eduardo Ribeiro possui. Nós não temos capacitação para esses profissionais”, lamentou.

Maria Luiza Dacio
Repórter do Caderno A do Jornal A Crítica

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