Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
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Conanda discutirá impacto de Belo Monte (PA) na exploração de crianças e adolescentes

Na região, os dados de trabalho infantil e exploração sexual mais que dobraram após o início das obras, segundo estimativa do Conselho Tutelar de Altamira. 



1.jpg Coordenadora da Funai, Estella Libardi de Souza visitou no último dia 10 trechos das obras da hidrelétrica ocupados por indígenas, pescadores, ribeirinhos e agricultores
17/10/2012 às 17:22

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), realiza, a partir desta quinta-feira (18), assembleia em Altamira, no Pará, para discutir o impacto de grandes obras em execução no estado, principalmente da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na exploração de crianças e adolescentes.

Participam das atividades membros do Conanda, conselheiros tutelares de municípios da região, agentes de segurança e membros da comunidade. A reunião prossegue até sexta-feira (19), sempre a partir das 9h, no Centro Cultural de Altamira e no campus local da Universidade Federal do Pará (UFPA).



Na região, os dados de trabalho infantil e exploração sexual mais que dobraram após o início das obras, segundo estimativa do Conselho Tutelar de Altamira. A principal causa é a presença de cerca de 200 mil pessoas envolvidas com as obras, a maioria homens, segundo o Conanda.

De acordo com a conselheira tutelar em Altamira, Lucenilda Lima, “a maioria dos casos que chega ao conselho é relacionada aos trabalhadores da obra, que usam, aliciam, exploram crianças e adolescentes”. De acordo com ela, “Altamira precisa ser vista com olhar diferenciado”.

O objetivo do Conanda é mobilizar autoridades e a comunidade para uma ação conjunta. “Nós sabemos que grandes obras trazem impactos como violência sexual, homicídios, violência doméstica e trabalho infantil. A rede de serviços dos municípios e do estado não consegue atender às demandas”, explica a presidenta do Conanda, Miriam Maria José dos Santos.

Serão convidados para a assembleia moradores dos 11 mnicípios da região do Baixo Xingu. “Vamos priorizar a estruturação de conselhos nos municípios que ainda não têm um sistema de Justiça estruturado”, informou o ouvidor Nacional dos Direitos Humanos, Bruno Renato Teixeira.

Segundo ele, no próximo ano, a SDH organizará caravanas da cidadania que visitarão os municípios oferecendo capacitação de profissionais, emissão de documento e atendimento direito à população por psicólogos, assistentes sociais e advogados. O objetivo é a integração de quem ainda não é atendido por programas sociais.

A partir das discussões na assembleia, será elaborada a Carta de Altamira do Xingu em Defesa da Criança e do Adolescente. Também farão parte do acordo, os empreendedores do setor elétrico. Sobre a ocupação do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e demais conflitos que envolvem comunidades tradicionais, o Conanda afirma que não serão abordados na visita.


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