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Concessionárias registram o crescimento no número de vendas de motocicletas de luxo

2014 não foi nada bom para a indústria de motos de baixa potência. Por outro lado, o segmento de alta cilindrada segue acelerando na produção e nas venda 03/01/2015 às 19:59
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Motociclistas como Pietro Azize adquirem motos como a Harley-Davidson apenas para os momentos de lazer
PRISCILA ROSAS Manaus (AM)

O ano de 2014 foi difícil para o setor de motos. Eles fecharão o ano de 2014 com a produção 10,2% menor do que o esperado. Isso sem falar nas vendas em queda nas concessionárias e da retração nas exportações. O cenário não é dos melhores. Mas há um segmento que não tem do que reclamar. As “supermotos” - veículos com 400 cilindradas ou mais registraram alta de dois dígitos tanto na produção como na venda.

O segmento vai na contramão das estatísticas sobre motos de baixa e média cilindradas. Segundo informações da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), foram produzidas 51.122 unidades de alta cilindrada em 2014 contra 45.778 veículos em 2013, registrando uma alta de 11,7%.

Para efeito de comparação, em 2013 foram comercializadas para as concessionárias 45.229 motocicletas, enquanto em 2014 o número subiu para 49.050, um incremento de 8,4%. E as vendas no varejo, aquelas feitas para o consumidor final, cresceram 10,8%.

ANÁLISE

Vários fatores concorrem para o sucesso nas vendas das motos de alto valor agregado. O principal deles é o fato de que esse segmento não é afetado pela crise no crédito, grande inibidor das vendas de motos de baixa e média cilindrada.

O representante da Abraciclo no Amazonas, Mário Okubo, explica que, no caso dessas motocicletas: não há necessidade de financiamento. Geralmente elas são pagas à vista e os principais compradores possuem poder aquisitivo alto. Com isso, o setor não sofre.

O perfil dos compradores é bem específico. São pessoas que compram motos de marcas badaladas como Harley Davidson apenas para o lazer.

O consumidor, geralmente, utiliza outra moto ou um carro para as atividades diárias. Okubo ressalta que moto é uma coisa para quem gosta. “Depende muito do perfil do consumidor. É a pessoa que define a moto que ela gosta”, comenta.

PAIXÃO

A paixão por motos levou o servidor público Pietro Azize, 40, a economizar R$ 65 mil para realizar seu grande sonho: comprar uma motocicleta Harley Davidson. Ele levou dois anos, com muito esforço e planejamento, até conseguir sua Harley Davidson Road king 2014, uma das mais conceituadas motos para a estrada, com 1.800 cilindradas.

Um dos fatores mais decisivos para a compra foi à condição de juro praticamente zero. Nem todas as concessionárias vendem motos de alta cilindradas em Manaus e por isso teve que encomendar de São Paulo.  Pagou o frete e a moto chegou aqui três dias depois. Quando é preciso ser feita alguma manutenção, Pietro é quem faz. Ele compra as peças pela Internet.

A desvantagem principal é que ela é muito grande para andar no trânsito de Manaus, por isso ele usa um modelo mais simples, uma Harley Davidson Satboy. Membro do Sumaúma Motoclube, ele costuma viajar aos finais de semana para cidades próximas como Manacapuru, Iranduba e Presidente Figueredo ou para municípios distantes como Lethem, na Guiana Inglesa.

O sucesso das supermotos não se restringe ao mercado interno. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) apontam que, no acumulado de janeiro a novembro deste ano, as motos de 500 cilindradas ou mais experimentaram alta de 42,7%, o único segmento no setor de duas rodas que apresentou alta nas vendas externas.

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