Após exoneração

Condenados por corrupção e até sequestro ganham secretarias em Coari

Lista dos secretários também conta com investigados por improbidade administrativa e corrupção

Waldick Júnior
11/01/2022 às 22:22.
Atualizado em 08/03/2022 às 18:08

(Da esquerda para a direita: Maria Landia (condenada); Júlio (investigado); Emídio (condenado); Carlos (investigado))

A prefeitura de Coari apresentou os novos secretários que devem compor a gestão municipal do prefeito Keitton Pinheiro (MDB), membro do clã de mesmo nome, eleito para comandar o município até 2024. Estão na lista condenados por peculato, sequestro, exploração sexual de menores e investigados pela Justiça.

Um dos nomes de destaque é o da ex-servidora municipal Maria Landia Rodrigues dos Santos. Em 2014 ela foi condenada a 11 anos de prisão pelos crimes de sequestro e cárcere privado de menor, favorecimento e mediação à prostituição e corrupção de menores. Agora volta à gestão no cargo de secretária municipal adjunta de agroeconomia e produção rural.

A condenação de Maria Landia ocorreu após denúncia na Operação Vorax, a mesma que também investigou o ex-prefeito Adail Pinheiro, preso por crimes de favorecimento à prostituição, envolvimento em rede de exploração sexual, abuso sexual e corrupção de menores.

Está nomeado também Emídio Rodrigues Neto, novo secretário municipal adjunto de saúde da capital. Ele foi condenado em 2017 a 19 anos, cinco meses e dez dias de prisão por peculato. Era representante do município de Coari em Manaus e servidor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde participou de um esquema que desviou, a título de propina, pelo menos R$ 1,395 milhões. Foi denunciado pela operação Matusalém. 

No caso de Emídio Rodrigues Neto, uma recomendação do Ministério Público do Amazonas (MPAM) datada de novembro do ano passado já havia pedido para que fosse exonerado, a considerar que ele estava como servidor mesmo sendo ficha suja. Na nova nomeação como secretário, o documento do MPAM foi ignorado pela prefeitura.

 “Recomenda-se, ainda, que a municipalidade exonere, imediatamente, todas as pessoas que estejam na situação de inelegibilidade, em razão de atos ilícitos”, escreveu Rafael Fonseca, promotor de justiça substituto, citando Emídio. 

Investigados

Além dos nomes já condenados, outros dois estão sob investigação no Ministério Público do Amazonas (MPAM). Carlos Endrick dos Santos foi nomeado secretário municipal adjunto de lazer, mesmo sendo suspeito de integrar o ‘mensalinho’ da Câmara Municipal de Coari, um suposto esquema da Prefeitura para comprar apoio de vereadores. 

A lista encerra com Júlio dos Santos Sales, ex-secretário de Desenvolvimento Social investigado por improbidade administrativa. Ele é acusado de, junto da ex-prefeita de Coari, Dulce Menezes, usar o programa “Direito à Cidadania” para interesses eleitorais, ampliando beneficiários e o valor recebido. 

Exonerações

Após exonerar todos os servidores com contratação temporária no município, a prefeitura de Coari retirou de cargos estratégicos secretários, diretores de autarquias municipais e funcionários em funções de confiança.  O decreto publicado nesta terça-feira tem apenas caráter organizacional, para realocar nomes. 

No entanto, opositores da prefeitura apontam que há anos a gestão Pinheiro utiliza cargos públicos para garantir eleitores. O próprio prefeito de Coari, Keitton Pinheiro (MDB) foi gravado dizendo que iria demitir quem não votasse nele.

“E aí, meus amigos, me perguntam: 'Keitton, como tu vai contratar mais [servidores]?' Eu vou contratar mais porque eu vou demitir os contra, que não aceitam o progresso de Coari e nem o desenvolvimento. E vou contratar os nossos”, afirmou o prefeito, quando ainda era candidato, em comício no dia 2 de dezembro do ano passado. 

Além disso, Keitton criou 2.494 novos cargos comissionados no último dia 6 de janeiro através da Lei Municipal 769/2022. A atitude gerou uma representação no Ministério Público do Amazonas (MPAM) e no Tribunal de Contas do Estado (TCE), ingressada pelo radialista e opositor Raione Queiroz.

“Agora eles [a prefeitura] certamente tentarão fazer um processo seletivo, o que é ilegal, porque a Constituição Federal diz que isso deve se dar por concurso publico, mas Coari não tem [um certame] há mais de 16 anos. Todo ano as pessoas passam por isso com processos seletivos fajutos, com falta de lisura”, critica Queiroz. 

Ele critica as nomeações de secretários condenados e investigados pela Justiça para a nova gestão municipal e cita, inclusive, o próprio prefeito. “Keitton [...] também é investigado pelo MP e foi preso na Operação Patrinus, acusado de desviar R$ 100 milhões dos cofres de Coari”. 

A CRÍTICA contatou a Prefeitura de Coari por assessores, os quais foram comunicados sobre a reportagem. No entanto, até o fechamento desta reportagem não responderam aos questionamentos. O espaço continua aberto para manifestações.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
© Copyright 2022Portal A Crítica.Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por
Distribuído por