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Confederação Nacional da Indústria diz que há um déficit de 150 mil engenheiros no País

Setor público e iniciativa privada buscam ampliar oferta de engenheiros no Estado por meio de projeto que incentiva e prepara estudantes a partir do ensino médio 25/05/2013 às 17:32
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Além das aulas adicionais em sala de aula, participantes do projeto fazem visitas. Uma delas ocorreu na Arena da Amazônia
Cinthia Guimarães Manaus

Enquanto o Brasil caminha a passos largos no processo de industrialização, o mercado passa por uma crise de mão de obra no campo das engenharias e tecnologias. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que haja um déficit de 150 mil engenheiros no País, que forma 40 mil profissionais dessa área por ano. Por outro lado, economias emergentes como China forma 440 mil engenheiros/ano; a Índia 250 mil; e a Coreia do Sul 80 mil.

A situação não é diferente no Amazonas, onde as universidades lançam anualmente cerca de mil engenheiros no mercado de trabalho, quantidade inferior à demanda, uma vez que as empresas precisam importar mão de obra para suprir a necessidade. No entanto, algumas iniciativas aparecem como solução para combater o déficit.

Há um ano, o Governo do Amazonas lançou o Pró-Engenharias (Programa Estratégico de Indução à Formação de Recursos Humanos em Engenharias), que consiste em preparar alunos do ensino médio para ingressarem na carreira de tecnologia. A capacitação em turno extracurricular inclui aulas práticas de matemática, física, química, língua portuguesa, inglês e filosofia, além de oficinas e visitas a empresas.

O projeto começou em 2012 com uma turma de 80 alunos do segundo ano, todos eles com bom rendimento escolar e provenientes de escolas da rede pública estadual. Este ano a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) - que coordena o projeto com apoio da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti) - ampliou o número de participantes. A turma de 2013 tem 160 alunos de uma escola de tempo integral, mas a proposta do Governo é estender a ideia para unidades privadas de ensino.

Os alunos do Pró-Engenharias recebem uma bolsa-auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), assim como os professores da rede pública envolvidos no projeto, alunos monitores (universitários da área) e coordenadores do projeto (professores universitários).

Mas o Governo Federal também se mobiliza através do “Pró-Engenharia”, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que ofertou no ano passado 12 mil bolsas de iniciação científica destinadas a estudantes de graduação de engenharia, alunos do ensino médio (iniciação científica júnior) e a professores orientadores.

A intenção do governo é aumentar o interesse dos estudantes pelas engenharias, diminuir a evasão do curso nas universidades e melhorar a formação de futuros profissionais na área. A meta é aumentar o número de formados em 60% até 2014.

Um terço é de fora
Responsável pela Coordenadoria de Trabalho e Emprego da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), o engenheiro Ocimar Melloni coordenou uma pesquisa que mapeou a mão de obra que atua no Polo Industrial de Manaus (PIM). O estudo revelou que um terço (33%) dos engenheiros do PIM são oriundos de outros Estados.

Melloni sugere um trabalho em conjunto entre os órgãos públicos, instituições de ensino e empresas para orientar melhor os estudantes universitários a fim de que eles saiam mais capacitados ao terminar a faculdade. “Temos que somar esforços, porque está cada um atirando pra um lado”, disse.


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