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Conferência debate os problemas que pessoas com deficiência enfrentam no Amazonas

Mobilidade, na capital e no interior, foi um dos temas que mais despertaram o interesse de participantes 25/09/2014 às 21:28
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A 2º Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência segue hoje com palestras e discussões sobre as necessidades do deficiente
jéssica vasconcelos ---

A efetividade das políticas públicas de atenção as pessoas com deficiência ainda estão longe de ser ideal. Acessibilidade nas repartições públicas, transporte coletivo e fluvial que atenda as demandas do deficiente são só algumas das reivindicações de quem possui necessidade especial no Amazonas.

Raimundo Júlio Marques, 38, conta que veio do município de Borba para participar da 2º Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que está sendo realizada desde ontem no auditório Berlamino Lins, na Assembleia Legislativa, e enfrentou uma verdadeira peregrinação até Manaus. De acordo com Raimundo, o camarote que viajou ficava no segundo andar, não tinha banheiro e para chegar ao refeitório era preciso descer duas escadas. “As refeições eram levadas até o camarote, mas cada vez que precisava ir ao banheiro era uma dificuldade”, disse.

Ainda de acordo com Raimundo, se para um deficiente que mora em Manaus a dificuldade é enorme, no interior do Estado a situação é ainda pior, pois nem mesmo as repartições  públicas oferecem condições para o deficiente. “O principal meio de transporte do Amazonas é o barco e esses não oferecem condições para quem tem necessidade”, acrescentou Raimundo.

Gradação

Para o professor de história Paulo Sérgio Oliveira, que é cego, a falta de educação dos motoristas no transporte coletivo e as calçadas esburacadas da cidade são os primeiros problemas a serem resolvidos para atender ao cego. Além disso, o professor  lembra que diferente do que acontece com os surdos e deficientes físicos, o cego tem muito mais dificuldade em encontrar emprego. “Os empresários acham que por ser cego a pessoa não consegue desempenhar a atividade e muitas vezes são coisas simples que qualquer um pode fazer”, disse Paulo Sérgio.

De acordo com o professor muitas coisas avançaram, mas é preciso melhorar muito e essa conferência incentiva as pessoas a falarem dos problemas. “O deficiente hoje não se sente excluído da sociedade, mas é preciso condições mínimas”, acrescentou.

 Opresidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Mário Célio Castro Alves, disse que  uma das discussões mais importantes do encontro é exatamente sobre trabalho e emprego. “A  lei 8.213  determina que até 5% dos das vagas de emprego sejam reservadas para pessoas com deficiência, mas  mesmo assim ainda há uma grande dificuldade”, explicou Mário.

Programação

A 2º Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência segue hoje com palestras e discussões sobre as necessidades do deficiente. O  presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência Mário Célio Castro Alves diz que o objetivo  é fazer uma avaliação da primeira conferência e o que efetivamente foi feito em termos de política públicas das demandas estabelecidas naquela época e trazer para esses dois dias uma discussão sobre a realidade da pessoa com deficiência.

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