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Cotidiano
TROCA DE TIROS

Confusão em Caapiranga: seis que continuam internados foram baleados

Feridos seguem internados em hospitais de Manaus e Manacapuru, após serem transferidos depois da troca de tiros na Delegacia de Caapiranga 23/08/2018 às 18:50 - Atualizado em 23/08/2018 às 19:08
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Foto: Reprodução/Internet
acritica.com Manaus (AM)

As seis pessoas que permanecem internadas em unidades hospitalares do Amazonas após a confusão ocorrida nessa quarta-feira (22) na 32ª Delegacia Especializada de Polícia em Caapiranga (a 134 km de Manaus) tiveram ferimentos provocados por arma de fogo. Quatro delas permanecem em observação, um tem quadro de saúde estável e outra segue internada em clínica cirúrgica, conforme informou a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) na tarde desta quinta-feira (23).

Policiais e moradores de Caapiranga trocaram tiros na tarde de ontem (22), em frente à delegacia do município, após a população se aglomerar para “fazer justiça com as próprias mãos”, como descreveu a assessoria de imprensa da Polícia Civil. A agitação ao redor da unidade policial começou após a informação da transferência, para Manacapuru, de Osiane Mendes Lopes e Reginaldo Pereira dos Santos Júnior, que estavam presos desde a madrugada sob a suspeita de envolvimento no homicídio de Cosmo Dantas Mendes.

Um homem identificado como Carlos Paulo Lima Pereira morreu na confusão e doze pessoas ficaram feridas, entre elas o promotor de Justiça Daniel Amazonas, da Comarca de Caapiranga, e o delegado Sinval Souza, titular da delegacia local. Quatro feridos foram atendidos no Hospital Odilon Alves de Araújo e liberados. Cinco foram transferidos para o Hospital Lázaro Reis, de Manacapuru, e um para o Hospital João Lúcio Pereira Machado, em Manaus.

O paciente Jason Firmino de Mesquita, que foi transferido para a capital deu entrada no Hospital João Lúcio com ferimento na região da face. O quadro de saúde dele é considerado estável, e ele está sendo acompanhado pelo setor de cirurgia de cabeça e pescoço.

Entre os atendidos em Manacapuru, Renan Reis, passou por cirurgia para a retirada de projétil e segue internado em clínica cirúrgica. Permanecem em observação: Maria Dulcinte Dias de Lima, que teve ferimento no couro cabeludo; Geová Gomes Rodrigues com ferimento na perna esquerda; Davi Matias Martins, atingido na mão esquerda; e Osmar Macena de Matos, baleado no abdômen, que aguarda reavaliação do cirurgião.

Entenda o caso

Desde segunda-feira (20), Cosmo Dantas Mendes está desaparecido e, segundo denúncias e investigações da polícia, Osiane Mendes Lopes e Reginaldo Pereira dos Santos Júnior, presos pela Polícia Civil em Caapiranga, são suspeitos da execução do rival. Até o momento, o corpo de Cosmo não foi localizado.

De acordo com a Polícia Civil local, os três têm diversas passagens pela polícia por envolvimento com o tráfico de drogas, porte de arma de fogo e homicídio. Osiane, vulgo “Pingo”, fazia parte do mesmo grupo criminoso de Cosmo, conforme informações preliminares. Mas estavam rompidos.

Conforme o promotor de Justiça Daniel Amazonas, ele foi chamado pelo delegado à delegacia da cidade para negociar com centenas de manifestantes que queriam invadir o local e linchar a dupla presa.
A situação, que já era tensa, ficou descontrolada por voltas das 17h, quando a multidão tentou invadir a delegacia atirando pedras. Os policiais deram tiros de advertência e daí, começou a troca de tiros entre manifestantes e policiais.

“Eu estava no pátio da delegacia, jogaram um tijolo na minha direção, aí eu vi que começou aquela chuva de pedras, um policial deu um tiro para o chão, outro um tiro pra cima. Os policiais começaram a atirar pra se defender, não agiram de forma açodada. Foi meia hora de troca de tiros, a própria segurança institucional do MP foi lá, me resgatou, e confirmou que encontraram cápsulas de rifles, balas do outro lado que também atirou, mas o estrago foi grande, destruíram a delegacia”, relatou o promotor.

Após a troca de tiros, populares ainda tentaram incendiar a delegacia jogando bombas caseiras, e também fizeram barricadas para impedir a saída de quem estava no prédio, segundo Daniel.

Tropa extra

Reforços da Polícia Militar e Polícia Civil foram enviados a Caapiranga no início da noite desta quarta-feira para conter ações de depredação do patrimônio público e tentativa de invasão a 32ª Delegacia.

À noite, a situação foi controlada com a dispersão da população pelas tropas do reforço policial. A Força Tática de Manacapuru, além de policiais civis e PMs de Manaus foram enviados, seguindo determinação do secretário de segurança, Coronel Anézio Paiva.

Por telefone, o delegado titular de Caapiranga, Sinval Souza, informou que a unidade foi completamente depredada e que uma viatura da PM e outra da PC também foram danificadas. Segundo o delegado, a ação foi comandada por comparsas e familiares dos três infratores envolvidos no caso. O desaparecimento é um caso de repercussão na cidade e a notícia da transferência dos presos levou dezenas de curiosos para frente da delegacia. Infratores armados com espingardas atiraram contra a unidade policial quando o tumulto popular começou.

O delegado Sinval foi ferido por um tiro de raspão na cabeça, e passa bem.

O Secretário de Segurança Pública, Coronel Anézio Paiva, determinou apuração rigorosa do episódio para identificar e prender os envolvidos na ação criminosa. Reforços policiais permanecerão na cidade e um efetivo do Grupo Fera e do Comando de Policiamento Especializado da PM também chegou a cidade, no fim da noite, para o restabelecimento da ordem.

Osiane Mendes Lopes e Reginaldo Pereira dos Santos Júnior foram transferidos na tarde desta quinta-feira (23) para Manacapuru.

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