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Congresso de pastores e políticos reúne Marcos Feliciano e Eduardo Cunha em Manaus, no dia 29

Entre os temas do encontro, que espera reunir três mil pastores, está a criação de uma frente parlamentar evangélica na Assembleia Legislativa do Amazonas 25/06/2015 às 18:56
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Marcos Feliciano e Eduardo Cunha vêm a Manaus para participar de evento cristão com líderes religiosos e políticos home
Luciano Falbo Manaus (AM)

Um encontro na próxima segunda-feira (29) em Manaus deve reunir pelo menos três mil pastores e políticos de expressão da bancada evangélica no Congresso Nacional, como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado e pastor Marcos Feliciano (PSC-SP) e o senador Magno Malta (PR-ES). O evento será realizado no momento em que debates acalorados sobre questões de gêneros sexuais dominam o Parlamento amazonense na elaboração dos planos educação.

Entre os temas que serão abordados no encontro, está a criação de uma frente parlamentar evangélica na Assembleia Legislativa (ALE-AM). A proposta, de autoria do deputado estadual Dr. Gomes (PSD) já tramita na Casa Legislativa.

"Não será tratado nada de assuntos polêmicos, que envolvam divergência ideológicas, religiosas ou de grupos. Nada, nada mesmo. E sim assuntos de liderança cristã no contexto nacional", afirma Dr. Gomes, sobre o evento, o "I Encontro de Liderança Cristã - O Brasil que queremos", que será realizado no Centro de Convenções Vasco Vasquez, na avenida Constantino Nery, no bairro Flores, a partir das 14h.

Segundo Dr. Gomes, será o maior evento dessa natureza já realizado no Amazonas - líderes de todas as denominações evangélicas do Estado estarão presentes na conferência. Além dos pastores, o evento pretende reunir pelo menos 10 vereadores da bancada evangélica da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e 30 vereadores dos municípios do interior, além dos deputados estaduais e federais evangélicos do Amazonas.

Frente parlamentar do AM e seus objetivos

O primeiro  objetivo da frente parlamentar evangélica na ALE-AM (que consta no projeto de resolução legislativa que cria o colegiado) é "seguir as diretrizes pautadas  nos ensinamentos da Palavra de Deus contidos na Bíblia Sagrada". O segundo objetivo é fazer a "defesa dos valores morais e éticos da família Cristã Evangélica".

Ainda entre os objetivos da frente está o de representar a ALE-AM quando a Casa "for convidada por quaisquer entidades ou órgãos do Município de Manaus ou do Estado do Amazonas, acompanhando os projetos e discussões de quaisquer temas que digam respeito ao segmento evagélico". E "fazer a integração com a Frente Evangélica no Congresso Nacional e em outros Estados da Federação, quando se fizer necessário".

Além de Dr. Gomes, a frente terá como representantes os deputados David Almeida (PSD), Carlos Alberto (PRB), Wanderley Dallas (PMDB) e Francisco Souza (PSC). O projeto foi formalizado na ALE-AM no dia 23.

Deputados que farão parte da frente evangélica na ALE-AM

O autor do projeto afirma que outra função da frente parlamentar evangélica é "apoiar outras causas como os direitos humanos ou questões humanitárias no âmbito do Estado do Amazonas". Dr. Gomes disse acreditar que o projeto será aprovado. "Na hora da votação, terá o apoio de todos os outros parlamentares como um todo na Casa", afirmou.

A proposta de criação da frente surge no momento de ascensão do poder político de uma nova força conservadora no País, formada sobretudo por políticos ligados a igrejas neopentecostais, e também por católicos "fervorosos" (expressão cunhada pelo deputado federal Jair Bolsonaro, do PP-RJ).

Força dos evangélicos no Parlamento do AM

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) experimentou, essa semana, a força deste segmento - que representa 31% do Parlamento - na votação do Plano Municipal de Educação (PME). O plano foi aprovado sem os termos “gênero”, “diversidade” e “orientação sexual”, após pressão de grupos religiosos.

O Plano Estadual seguiu os mesmos passos na ALE-AM. Os deputados resolveram substituir a expressão "igualdade de gênero, racial e outras diferenças” pela genérica “respeito à diversidade". E o plano foi aprovado assim.

Os textos originais dos planos previam que profissionais da educação receberiam formação sobre questões de gêneros e orientação sexual, e que o assunto pudesse ser discutido em sala de aula. Os conservadores, no entanto, afirmam, em seus discursos mais conhecidos, que o Estado quer impor a escolha sexual de suas crianças e uma "ideologia do gênero".

O poder que a frente pode ter

Se onda conservadora se consolidar no cenário político nacional, a frente evangélica da ALE-AM terá uma força política ainda não capaz de ser mensurada. Pelo movimento que vetou essa semana termos do Plano Estadual de Educação, a força pode chegar a ser a de uma comissão terminativa da Casa. Isso porque a adesão de parlamentares não evangélicos às propostas oriundas do segmento - seja pela argumentação das bancadas, pela identificação com as propostas ou pressão dos eleitores -  tem sido cada vez maior.

Uma comissão terminativa é capaz de derrubar uma proposta. Esse é o caso da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), que analisa o aspecto legal das propostas. Se uma proposta ferir a Constituição Federal ou a Carta Magna do Estado. A derrubada de uma desaprovação na CCJR só acontece se o Plenário (que regimentalmente é soberano) decidir.

Números, influência e representação

Em números, as bancadas evangélicas sozinhas são cada vez mais expressivas, mas não têm maioria absoluta para aprovar projetos. Entretanto, contam com esse poder de persuasão política e eleitoral para obter a adesão de outros parlamentares que estão fora das bancadas. O crescimentos das bancadas evangélicas são reflexo das mudanças na sociedade brasileira.

Segundo Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010, o número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% em 10 anos, entre 2000 e 2010. Conforme os dados, 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros, se declararam evangélicos no censo de 2010. Em 2000, os evangélicos eram 26,2 milhões, ou 15,4% da população. O crescimento ainda é mais elevado em comparação com anos anteriores: em 1991, o percentual era de 9% e, em 1980, de 6,6%.

Na Câmara dos Deputados, 78 parlamentares compõe a bancada evangélica atualmente, representando 15,2% do total de deputados. A força é inédita no Congresso Nacional. Em 2006, por exemplo,  a bancada tinha menos da metade de representação que tem hoje (era formada por 32 deputados federais). Sinal da força da ascensão é a eleição de um de seus representantes a presidência da Casa -  Eduardo Cunha, eleito presidente no início deste ano.

Em Manaus, a bancada da CMM tem 13 vereadores, ou 31,7% do total de parlamentares da Casa - 41 vereadores. A representação na CMM está bem próxima do percentual de evangélicos na capital Amazonense. Segundo o Censo do IBGE, 35,19 % da  população de Manaus é evangélica (577,2 mil pessoas).

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