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Cotidiano
LITERATURA

Conheça 5 livros que ajudam a entender o Brasil de hoje

De historiadores a antropólogos, de sociólogos a jornalistas, o país de hoje é fruto de diversas interpretações importantes para compreendê-lo 26/06/2017 às 15:15 - Atualizado em 05/07/2017 às 17:34
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O Brasil comemorou no último abril seus 194 anos de independência em relação a Portugal, data simbólica para o país porque, na prática, o império continuou sendo governado por um europeu, D. Pedro I, e a nação ibérica seguiu dominando o cenário político e econômico brasileiro.

Em novembro, a proclamação da República comemora 127 anos, outra data mais simbólica do que real, já que a política republicana do Brasil permaneceria um jogo de poucos atores até, pelo menos, a revolução de 1930.

As duas datas, outrora esquecidas pela historiografia e pelo senso comum, preocupados com outros aspectos da realidade brasileira, voltaram a ser lembradas pelos autores – algo que pode ser visto no volume de obras dedicadas a estudá-las nas livrarias online.

De 1905 até 2017, listamos cinco obras que ajudam a compreender o país atual – com sua crise política e suas consequências – e podem tentar mostrar caminhos para o futuro:

América Latina: males de origem (Manoel Bonfim)

Em 1905, o médico alagoano Manoel Bonfim publicaria América Latina: males de origem, promovendo um “contradiscurso” ao que se defendia no debate entre republicanos e monarquistas após a proclamação da República brasileira.  Ele argumentava que havia uma visão externa que unificava toda a América Latina como uma só, com os mesmos problemas e vícios – assim como era (e é) feito com a África.

O problema do Brasil e do continente em que ele estava localizado era o “parasitismo” das metrópoles, isto é, a forma como elas “sugaram” as riquezas das colônias e não ajudaram a desenvolvê-las, o que demonstra que os europeus também eram atrasados. Ao contrário, a América inglesa não tinha sido fruto de uma invasão, mas de um projeto de construção de nova pátria, e por isso os Estados Unidos eram o que eram já no início do século XX.

Casa Grande e Senzala (Gilberto Freyre)

Para o professor Antônio Cândido, recém-falecido, a obra de Freyre – publicada em 1933 – foi um “verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira” porque completou a noção de raça que se discutia desde o início dos estudos sobre a sociedade brasileira com a ideia de cultura.

Gilberto Freyre, em Casa Grande e Senzala, utiliza uma linguagem literária, desvinculada dos vícios acadêmicos e traz uma série de visões novas sobre a formação do Brasil. Para ele, o relacionamento das três raças no nosso país – o negro, o índio e o branco – criou uma raça inédita, a mestiça. Ela seria a concepção de um mundo futuro, ainda distante, em que todas as sociedades viveriam uma fusão de raças já experimentada pelo Brasil.

Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda)

Em Raízes do Brasil, de 1936, o sociólogo e historiador Sérgio Buarque tentou entender o país a partir das origens culturais e sociais dos brasileiros na história da colonização portuguesa. Para ele, ao contrário da conquista holandesa no Nordeste, que se baseava no investimento em meios tecnológicos para exploração da terra, Portugal não se preocupou em estabelecer um empreendimento no seu novo território, mas apenas mantê-lo de forma indisciplinada. Assim, estabeleceu um comportamento descompromissado que permaneceu durante o período colonial.

O conceito mais famoso do livro é o de homem cordial. Por meio dele, Buarque demonstrou que, por uma série de aspectos históricos, os brasileiros não se ajustaram à impessoalidade do Estado moderno, baseado na burocracia e na racionalidade. Ao contrário, eles observam esses processos de forma pessoal, baseada mais na cordialidade. Assim, tudo é encarado com informalidade.

História dos índios do Brasil (Manuela Carneiro da Cunha)

Nascida em Portugal, mas apaixonada pelo Brasil (onde veio pela primeira vez aos 11 anos), a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha organizou no começo dos anos 1990 uma obra que reunia diversos artigos de 27 pesquisadores de várias áreas sobre os índios brasileiros. É até hoje uma referência para o estudo histórico e antropológico dos nativos.

 

Em 2013, Antônio Cândido disse que o livro dispensava a leitura de “qualquer clássico” sobre os indígenas, porque os autores “iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando em uma introdução sólida e abrangente”, escreveu.

 

1808 (Laurentino Gomes)

 

Ao contrário dos demais livros dessa lista, a obra de Laurentino Gomes, publicada pela primeira vez em 2008, exatamente 200 anos após a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, foi escrita por um jornalista – não um acadêmico. Por isso mesmo, recebeu algumas críticas pela forma simples e sucinta com que descreveu boa parte dos aspectos históricos.

 

Em 1808, o rei de Portugal, D. João, chegou ao Rio com sua mulher, seus filhos e mais uma centena de nobres europeus fugidos das tropas francesas. Essa mudança alterou não apenas os rumos da colonização brasileira, mas o futuro de Portugal, que ficaria sendo governado à distância. Por sua linguagem fácil, a obra é acessível para diversos tipos de leitores – de leigos a intelectuais. Atualmente, Laurentino costuma viajar a Portugal com crianças de escolas públicas brasileiras apresentando locais do país que contam alguma história daquele período.

 

*Com informações da assessoria de comunicação.

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