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Conheça detalhes e personagens do ‘caso Marcelaine Schumann’

Socialite manauara foi presa e acusada de arquitetar a morte da “rival” em um triângulo amoroso. As duas mulheres dividiam o mesmo amante 06/03/2015 às 00:39
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Marcelaine Schumann após ser presa e levada ao IML para fazer de corpo de delito
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

A socialite Marcelaine Santos Schumann, 36, a “Elaine”, foi apontada como mandante de um assassinato em Manaus: ela teria arquitetado a morte da “rival” em um triângulo amoroso, Denise Almeida da Silva, 34. As duas dividiam, segundo a polícia, o mesmo amante: o empresário Marco Souto. Os três eram casados, mas mantinham relacionamentos extraconjugais.

Marcelaine foi denunciada pelo Ministério Público do Estado pelo crime de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe, seguindo o inquérito produzido pela Polícia Civil do Amazonas. “Elaine” poderá ficar presa durante 15 anos em regime fechado caso seja condenada a pena máxima, segundo o juiz Mauro Antony, responsável pelo caso, que corre em segredo na Justiça.

Marcelaine foi presa pela Polícia Federal no dia 5 de janeiro de 2015 dentro do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes ao chegar de uma viagem de Miami, nos EUA, onde estava desde dezembro de férias com o marido, o empresário Edmar Costa. Ela teve voz de prisão decretada dentro da aeronave. Ela foi levada pela PF ao Centro de Detenção Provisória (CDP) Feminino, no Km 8 da rodovia BR-174.

Baleada na academia

A vítima, Denise Almeida, foi alvejada com dois tiros no dia 12 de novembro de 2014 dentro do carro dela, quando saía do estacionamento da academia Cheik Clube, no Centro de Manaus. Denise foi surpreendida por um homem que bateu no vidro do carro e efetuou três disparos. Denise foi hospitalizada e sobreviveu. Segundo a polícia, o objetivo era matar ou deixar a vítima aleijada.

Documentos e fotos

A Polícia Civil encontrou e confiscou um envelope com anotações de endereços que indicavam os locais frequentados pela vítima, durante cumprimento de mandado de busca e apreensão no apartamento de Marcelaine, localizado no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus. Durante o cumprimento, o companheiro de Marcelaine, Edmar Costa, e o advogado José Bezerra de Araújo, acompanharam os policiais.

Foram apreendidos pertences da socialite guardados em diversas caixas, entre eles uma filmadora e três fitas, um aparelho celular, duas máquinas fotográficas, chips de celular, uma agenda, uma faca de cozinha ainda na embalagem dentro da bolsa de Marcelaine, além de um envelope branco contendo informações como nome completo, endereço, placa e modelo do carro de Denise, uma Mercedez Benz de cor branca.

No envelope também havia dados do esposo de Denise, o advogado Erivelton Ferreira Barreto, 39, e duas fotos da própria Marcelaine com o suposto amante, Marcos Souto. Em uma fotografias, a suspeita aparece em momento íntimo, dando beijos, e na outra aparentando ser antiga. Segundo a polícia, esses eram indícios de que Marcelaine arquitetou o crime contra Denise.

Ela negou o crime

Em depoimento à polícia, “Elaine” negou ter pagado R$ 7 mil para que Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, matasse Denise, sua rival em um triângulo amoroso. Ela também negou à Polícia Civil que Charles tenha contratado por R$ 3 mil o pistoleiro Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, para matar ou deixar aleijada Denise.

Segundo ela, “Salsicha” teria ido ao estacionamento da academia Cheik Club para cobrar uma dívida que Marcos Souto mantinha com Marcelaine, um cheque de R$ 40 mil emprestado a ele. Assim, “Salsicha” teria alvejado Denise “acidentalmente”, achando que Souto estava no carro.

Ainda de acordo com “Elaine”, ela apenas teria emprestado o dinheiro ao empresário Marcos Souto, mas eles não eram amantes. Marcelaine é casada com outro grande empresário de Manaus, dono de uma importante agência de publicidade. Denise e Souto também são casados com outras pessoas.

Por ‘amizade’

Conforme Marcelaine, ela conheceu Charles quando ele era funcionário de uma agência bancária em Manaus onde ela era cliente. Os dois se tornaram amigos e “Elaine” visitou Charles no hospital quando o mesmo ficou doente. A polícia tem imagens da socialite entrando no hospital

Segundo “Elaine”, durante a visita ao hospital, Charles disse que estava com problemas financeiros e ela sugeriu a ele, pela amizade, que o mesmo fizesse a cobrança da dívida dos R$ 40 mil, já que o mesmo era funcionário de banco e tinha “habilidade” para cobranças. “Elaine” disse que, na época, prometeu pagar de comissão à Charles parte dos R$ 40 mil.

A socialite ainda relatou que não pediu que Charles, ou “Salsicha”, fossem armados até o local da cobrança, e que o tiro disparado contra Denise não foi ordenado por ela e nem que queria ver Marco Souto morto. Ela culpou o amigo Charles pelo crime.

A investigação

A primeira versão para o atentado contra Denise, a de que “Elaine” teria mandado matá-la por ciúme do amante, foi divulgado pelo delegado Paulo Martins, então titular da Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS), através do depoimento dos quatro envolvidos: Rafael Leal dos Santos, 25, o “Salsicha”, o atirador, Charles “Mac Donald” Lopes Castelo Branco, 27, o negociador, Karen Arevalo Marques, 22, quem conseguiu a arma de fogo, e o vigilante Edney Costa Gomes.

Denise, a vítima

A universitária Denise Almeida disse em entrevista ao A CRÍTICA no dia 19 de dezembro que nunca foi amante de Marcos Souto e que nem conhecia Marcelaine, mas que era ameaçada pela suspeita. “Eu não sou a amante desse homem (Marcos) que sequer conheço, assim como não conheço essa mulher (Elaine). Sou casada e vivo muito bem com o meu marido. Meu marido não é o corno da jogada”, disse Denise.

A universitária explicou, à época, os motivos do crime: “O que aconteceu é que há pelo menos um ano essa mulher começou a ligar para a minha casa, para mim e para o meu marido. Ela dizia que tinha encontrado algumas ligações com o número do meu celular na conta do telefone do amante dela”, disse.

A vítima continuou: “Algumas vezes eu e o meu marido fomos seguidos pelo carro do amante dela. Ele chegou a ligar para o meu celular dizendo que queria se encontrar comigo para me pedir desculpas pelos insultos e ligações que ela fazia, mas não aceitei e acabou acontecendo o que vocês já sabem”.

O amante confirma

Em dezembro, o jornal A CRÍTICA também publicou matéria com o conteúdo do depoimento de Marcos, o amante, dado à polícia. Na época, segundo o delegado Martins, Souto se mostrou surpreso, mas confessou ter um caso amoroso com “Elaine” há nove anos.

Segundo Martins, o empresário Marcos Souto se negava a acreditar que “Elaine” teria sido capaz de ter encomendar a morte de Denise, quem conhecia apenas como amizade, segundo ele. Marcos chegou a repetir várias vezes “eu não acredito que ela foi capaz. A Elaine não”, relatou o delegado Martins à reportagem.

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