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Conheça detalhes e personagens do caso Oscar Cardoso

O delegado Oscar foi morto com mais de 20 tiros em março de 2014. Saiba o passo a passo da investigação policial, quem são os acusados e o andamento do processo na Justiça 02/03/2015 às 15:58
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No sentido horário: Diego Bruno, Messias Sodré, Marcos Pará, Mário Tabatinga e João Branco (centro)
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

Foi executado com mais de 20 tiros, no dia 9 de março de 2014, o delegado Oscar Cardoso, 61. Ele foi morto em uma banca de peixe em frente à casa dele, na rua Negreiros Ferreira, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus, na presença de vizinhos e do neto, um menino de 1 ano e seis meses, à época, e que estava no colo da vítima. Os assassinos agiram de “cara limpa”.

No crime, Oscar, segundo testemunhas, suplicou pela vida do neto. Os assassinos pediram que populares se afastassem e um deles arrancou a criança do braço de Oscar e a jogou para o lado. Os criminosos fizeram a vítima ficar de joelhos. “Eu não avisei? Eu não te falei?”, teria falado um dos suspeitos antes de atirar no rosto da vítima.

Conforme denúncia do Ministério Público, o assassinato de Oscar foi motivado por vingança, já que “João Branco” acreditava que um grupo de policiais da equipe do delegado Oscar, presos na operação Tribunal de Rua, teria sequestrado e estuprado a mulher de João, Sheila Faustino Peres, em 2013. Eles ainda teriam tentado extorquir o narcotraficante ao pedir dinheiro pela liberdade de Sheila.

O promotor de Justiça Ednaldo Medeiros, que cuidava do caso, atribuiu, na época da denúncia, qualificadores para o crime: motivo fútil, vingança e promessa de recompensa, dificuldade de defesa da vítima, motivo cruel, e associação para o crime. O processo judicial sobre o crime possui doze volumes e mais de 2,5 mil páginas e pode ser levado à Júri Popular.

Julgamento

No dia 2 de março de 2015, o juiz do 2º Tribunal do Júri, Anésio Rocha Pinheiro, aceitou denúncia do MP e decidiu que os cinco réus deveriam ser julgados em Júri Popular. O quinteto deve responder pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) e formação de quadrilha (com o agravante de estarem armados).

No dia 23 de janeiro, ocorreu uma audiência de instrução no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus, onde os quatro réus presos foram ouvidos. Todos falaram a portas fechadas, sem a presença da imprensa. Na ocasião, também foram ouvidas as testemunhas de defesa. No dia 9 de dezembro de 2014 ocorreu a oitiva das 12 testemunhas de acusação. O processo judicial tramita em segredo de justiça.

Investigação

O caso de homicídio do delegado Oscar foi investigado por policiais civis da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), sob o comando do delegado Paulo Martins, além da contribuição de outros delegados e policiais na operação Hórus, em março de 2014. Prisões internacionais e interestaduais fizeram parte das diligências.

As cápsulas das balas que mataram o delegado Oscar são de pistolas calibre PT .40, arma de uso restrio às policiais Civil, Militar e Rodoviária Federal. A polícia investigou e descobriu que tais balas eram de lotes comprados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e encaminhados para o Instituto de Ensino de Segurança Publico (IESP).

O carro usado pelos atiradores no dia do crime, um Gran Siena de cor branca e placas OAB-7782, foi encontrado incendiado e abandonado em chamas horas depois do homicídio, em um ramal que liga a Alameda Cosme Ferreira com o Parque Mauá, no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste de Manaus.

João Branco

O suposto mandante do assassinato, o narcotraficante “João Branco”, está foragido da Justiça desde março de 2014. Ele conseguiu fugir do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no Km 8 da rodovia BR-174, no mesmo dia em que a Polícia Civil cumpriria o mandado de prisão dele, durante a operação Hórus.

No dia da operação, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) fez uma recontagem dos internos e informou que “João Branco” não estava lá. Uma vistoria também foi realizada e foram encontrados vários celulares, um rádio comunicador que opera nas frequências das Polícias Civil e Militar, além de um túnel subterrâneo.

“João Branco” é apontado como um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN). Dentro do semiaberto do Compaj, ele tinha uma cela diferenciada das demais, com piso de cerâmica, paredes pintadas, prateleiras e ventilador. No dia 9 de março, data do crime, ele teria saído do Compaj só para matar Oscar, e depois retornou.

Um dia antes do assassinato, João e “Mário Tabatinga” tiveram um encontro, regado a uísque, na área do semiaberto do Compaj, conforme informações da polícia. Na ocasião, o plano para matar o delegado foi exposto por João e também foi acertado que Messias, Diego e Marcos Pará pegariam o Siena fornecido por Mário.

Messias Sodré

Messias foi preso no dia 25 de maio de 2014 na cidade de São Paulo. Ele teria sido o responsável por dirigir o carro Siena usado para o assassinato do delegado Oscar. Entretanto, testemunhas da polícia afirmaram que o motorista saiu do veículo e também efetuou disparos. Messias, segundo a polícia, trabalhava para “João Branco”.

Em depoimento na DEHS, Messias confirmou que o mandante do homicídio foi o narcotraficante “João Branco”. Messias também cumpria pena no semiaberto do Compaj por tráfico de drogas e estava condenado há mais de nove anos de prisão. Messias e João fugiram juntos da penitenciária.

Diego Bruno

Diego Bruno foi preso no dia 19 de abril de 2014. Durante as investigações policiais, ele também confirmou que o crime ocorreu a mando de “João Branco”. Segundo o delegado Paulo Martins, da DEHS, Diego facilitou para a fuga dos assassinos de Oscar Cardoso e também contribuiu com a ida de Messias para São Paulo.

Conforme a polícia, após matarem Oscar, os suspeitos abandonaram o carro Siena – que foi incendiado, e embarcaram em outro carro, um Voyage, que era dirigido por Diego. “Diego deu fuga para quatro pessoas que atiraram no delegado, então ele tem participação no crime”, reforçou, à época, o delegado Paulo Martins.

Marco Pará

Marcos Roberto Miranda da Silva, 27, o “Marcos Pará”, foi preso em Manaus no dia 28 de maio de 2014. Em depoimento à polícia, ele confessou que estava com o grupo que matou Oscar, mas disse que não atirou na vítima porque a arma dele havia falhado. Marcos também disse ter sido ele quem retirou e salvou o neto do delegado do tiroteio.

Mário Tabatinga

“Mario Tabatinga”, empresário do ramo de venda de veículo, foi preso na cidade de Puerto Ordaz, na Venezuela. Ele está preso desde março na carceragem da DEHS, e não foi para uma unidade prisional por estar sob suposto risco de morte. Foi pelo depoimento dele que a polícia conseguiu identificar a maioria dos envolvidos.

“Mário Tabatinga” já havia confessado à polícia ter dado o Gran Siena, de cor branca e placas OAB-7782, para o traficante “João Branco” assassinar o delegado. Segundo a Polícia Civil, Mário pegou o carro na locadora de veículos dele e o guardou em casa, no conjunto Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul, de onde só foi retirado no dia do crime.

O Siena estava registrado no Detran-AM em nome de H. Brandão, empresa da mãe coronel da PM Marcos Brandão. A polícia divulgou, na época, que Mário fazia parte de um esquema de lavagem de dinheiro no tráfico de drogas. Ele forneceria carros para integrantes da FDN para transportar drogas, fazer assaltos e crimes de pistolagem.

Oscar Cardoso

O delegado Oscar foi titular da Força Tarefa da SSP-AM. Ele estava afastado das funções desde outubro de 2013, quando foi preso na operação Tribunal de Rua, com mais seis policiais militares, sob a suspeita de comandar um grupo que praticava crimes de extorsão, sequestro, tráfico de drogas, associação para o tráfico e corrupção ativa.

Ronairon e ‘Piu Piu’

Na época das investigações, a polícia prendeu Fábio Diego de Mattos, o “Piu Piu”, e Ronarion Moreira Negreiros, mas depois descartou a participação direta deles no crime. Segundo o delegado Paulo Martins, os depoimentos dos dois foram essenciais para as investigações. Além deles, também foi preso Arlindo Jorge Teles Macedo, o “Macêdo”, envolvido com o aluguel do carro junto a “Mário Tabatinga”.

‘Queima de arquivo’

Além dos cinco réus, outras três pessoas também foram apontadas pela polícia como participantes diretos na execução do delegado Oscar, mas foram mortos antes de serem presos pela polícia: Adriano Freire Corrêa, o “Maresia”, Marcos Sampaio de Oliveira, 34, o “Marcos Osso” ou “Marcos Eletricista” e Alessandro Barbosa Fonseca, 38, o “Alê”.

Sobrinha de Oscar

A sobrinha do delegado Oscar, a estudante Karina Cristine Pereira do Nascimento, 20, também foi presa pela polícia por suposta participação no homicídio do tio. Ela foi capturada no dia 21 de março de 2014 em Santarém, no Pará. Além de sobrinha, ela é cunhada de “Piu Piu”. Karine teria informado para os suspeitos a localização de Oscar no dia do crime.

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