Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
Festa das luzes

Judeus não celebram o Natal, mas comemoram a festa de Chanuká em dezembro

Início da celebração de de fim de ano do povo judaíco, em 2016, coincide com a festa natalina cristã, mas tem outro significado



25/12/2016 às 05:00

O Natal é uma data comemorativa que para os cristãos simboliza o nascimento de Jesus Cristo. Porém, para muitos amazonenses, o dia 25 de dezembro não significa nada de tão especial. Isso porque eles fazem parte das religiões que não comemoram a data, como o judaísmo. Para os judeus, a comemoração de fim de ano é a Chanuká, a tradicional Festa das Luzes que, apesar de acontecer quase na mesma época, tem outros motivos para ser celebrada. 

O rabino da Sinagoga de Manaus, Isaac Dahan, explica que a festa de Chanuká começa no dia 25 do mês judaico de Kislev, se estende por oito dias consecutivos e lembra dois acontecimentos importantes que ocorreram no ano de 165 antes de Cristo: uma vitória militar e uma reivindicação espiritual. Este ano, seu início coincide com a noite do dia 24 de dezembro do calendário gregoriano, justamente quando os cristãos realizam a ceia de Natal em família.

De acordo com ele, a festa corresponde à rebelião da Judéia contra o domínio selêucida-greco-sírio, que pressionava os judeus a aceitarem sua cultura, proibindo o cumprimento das mitsvot (preceitos) da Torá e forçando a prática da idolatria pagã. Na mesma ocasião, após o povo conseguir expulsar os invasores, houve um milagre: o óleo para acender as velas do candelabro do Templo de Salomão, que seria suficiente para apenas um dia, durou oito.

“Para reinaugurar o Templo de Salomão, os judeus tinham que acender o candelabro com óleo, mas só encontraram um cântaro de óleo que não tinha sido violado e dava para um dia. Mesmo assim, reinauguraram o templo e o óleo durou oito dias, justo o tempo necessário para fazer novos óleos. Isso foi um milagre. E esse é o motivo da festa de Chanuká: iluminar o mundo com as luzes da liberdade e agradecer a Deus por permitir que o candelabro ficasse acesso”, contou o rabino.

Para os judeus, Jesus Cristo não é o verdadeiro Messias (o ungido de Deus). Conforme o rabino Isaac Dahan, ele veio para mostrar que havia muita coisa errada na prática religiosa, mas não é o filho de Deus -  conotação dada pelo cristianismo. “Para nós, ele foi um sábio que estudou muito e por não querer ver Israel sob o domínio dos romanos, que estavam fazendo negócio com a religião, acabou sendo morto. Os romanos não queriam nenhuma ameaça e Cristo podia subversar toda a população”.

Festa dura oito dias

Em Chanuká, as luzes são acesas em todos os lares judaicos e a chanukiá (candelabro de oito braços) é colocada perto de alguma janela, onde possa estar de frente para a rua.  Na primeira noite, acende-se a lâmpada que está à direita de quem a acende; na segunda noite, acender-se-á primeiro a segunda lâmpada que está à esquerda da primeira e depois esta, e assim em todas as noites, a fim de dizer a berachá sempre sobre a lâmpada nova, acrescentada naquela noite.

chanukiá (candelabro de oito braços). Símbolo da festa de Chanuká 

Comemoração em Manaus 

A grande festa de Chanuká, em Manaus, vai acontecer na noite do dia 25, no Clube Hebraica, na avenida Joaquim Nabuco, 1842, Centro. Conforme o rabino Isaac Dahan, a finalidade do evento é reunir as famílias para louvar a Deus. A programação de Chanuká na cidade pode ser consultada no endereço eletrônico do Comitê Israelita: http://www.comiteisraelita.com.br/

‘Todos os povos são irmãos’

O rabino da Sinagoga de Manaus, Isaac Dahan, desejou shalom (paz) aos cristãos amazonenses neste período festivo e estendeu o anseio para o próximo ano também. “Que essa paz possa pairar não só nos lares das pessoas, mas em todo o Estado e no nosso Brasil, porque não é isso que estamos vendo em muitas partes do mundo, onde os fanáticos estão matando em atentados”, lembrou Isaac Dahan.

Ele destacou que todos nós somos irmãos. “Temos um único Deus, mas Ele tem mais de um povo, pois todos os povos são dele, então somos irmãos. Que o sentimento de fraternidade, união, amor e prosperidade possam pairar entre as pessoas e os governos. É necessário paz no governo para podermos ter também. Com isso, vêm todas as coisas: saúde, educação, segurança”, pontuou o rabino.

“Na festa de Chanuká, a gente junta à família, canta, come, acende o candelabro e dá presentes para as crianças durante oito dias. Não é o Natal, mas ambas celebram o amor e o que Cristo fez foi semear o amor”. Isaac Dahan, rabino da Sinagoga de Manaus

Número

220 famílias judaicas há no Amazonas, de acordo com o rabino da Sinagoga de Manaus, Isaac Dahan. Ao todo, deve haver em torno de 700 a 800 judeus no Estado.

Receba Novidades


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.