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Cotidiano
CARREIRAS

Conheça pessoas que investiram em múltiplas profissões e na rotina variada

Vários profissionais optaram por explorar diversas habilidades para satisfazer necessidades econômicas e pessoais. No processo, se valorizaram em um mercado cada vez mais sedento de versatilidade 18/09/2016 às 15:35 - Atualizado em 18/09/2016 às 15:44
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Empresária, administradora, bailarina, costureira, professora, intérprete e massagista são as profissões desempenhadas por Juliana Borges (Foto: Antônio Lima)
Geizyara Brandão Manaus (AM)

Empresária, administradora, bailarina, costureira, professora, intérprete, massagista. Em primeiro momento achamos que podem ser apenas um elencado de profissões, porém elas são executadas por Juliana Borges. A dona da Escola de Ballet Clássico Cia de Dança Encontro das Águas, localizada no Parque 10, se desdobra em múltiplas funções.

Formada em Administração com ênfase em Marketing, Bacharelado em Dança pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Ballet Clássico pela Royal Academy of Dance, Juliana fez curso de Língua Espanhola e Inglesa, além de cursos de costureira e massagista. Atuou como intérprete na área religiosa, traduzindo pregações de pastores assim como festivais de dança para companhias. O pai de Juliana gostaria que fosse tradutora juramentada, mas a ‘polivalente’, como se denomina, escolheu trabalhar com amor e a alma.

Mas a carreira de bailarina deu frutos e com o dom de vendas começou a comercializar produtos de dança, em 2005, vindos da região Sul e Sudeste do Brasil. “Sonhei durante muitos anos ter uma marca de artigos de dança”, contou.

E o sonho tornou-se realidade: a marca de dança foi inspirada em um passo do ballet chamado “tilt” e originou a Tilt Dacewear. Em 2013, aprofundou-se no segmento fazendo curso de costura e pintura em tecido. Por necessidade financeira, aceitou o desafio de trabalhar na confecção de figurinos de ballet. “Como quase todos os pais, eles sempre têm a preocupação que seu filho tenha uma estabilidade financeira. Então, para tirar essa preocupação, busquei desenvolver outras áreas que fossem relacionadas à dança”, revelou.

Após resistência da família em relação à carreira de bailarina, Juliana alcançou o respeito e apoio de todos a sua volta. “Hoje, já com minha escola de ballet, minha família entendeu que eu sigo meu coração, faço o que eu amo”, disse.

“As pessoas dizem que os artistas são loucos, mas eu acho que vale mais a pena ter menos dinheiro e mais qualidade de vida com aquilo que você faz do que você pensar em estabilidade financeira, prosperidade e dentro do seu coração, na sua alma, você é um prisioneiro”, completou.

A ‘polivalente’ destaca que o segredo para conciliar todas as profissões é o equilíbrio entre elas. “Creio que minha vida está equilibrada. Tem que ter tempo para trabalhar, tempo para se divertir, tempo para estar com a família e acima de tudo, fazer um trabalho que agrade a Deus. Buscando um equilíbrio acho que é um essencial”, enfatizou.

O trabalho como massagista é esporádico. Surgiu pela necessidade de auxiliar a mãe idosa, além de agregar na arte da dança. 

Juliana Borges divide seu tempo em: três vezes na semana atua como professora de ballet; quatro vezes como professora de idiomas para idosos; nas horas vagas é costureira; arma estratégias para realizar trabalhos como intérprete em viagens cinco vezes ao ano; atua como massagista durante festivais de dança e administra a escola de ballet clássico. “Para combater a crise é sempre bom ter uma carta na manga”, finalizou.

Blog: Kelly Santiago, ‘EmpregueHabilidade’ do CEL

“Mediante ao cenário que nós estamos vivendo hoje, as pessoas acabam procurando outra solução para se manterem financeiramente. Existem pessoas que trabalham como técnico de enfermagem e fazem plantão, mas acabam trabalhando como babá, por exemplo, para ganhar renda de outra maneira. As pessoas acabam encontrando outras oportunidades, acabam se tornando empreendedoras, trabalhando no ramo informal produzindo bolos, fazendo e vendendo doces, costurando, ganhando para se manter. Atualmente, nós incentivamos nossos alunos a ter seu lado empreendedor porque têm estudos que afirmam que daqui um tempo todo mundo vai precisar ser empreendedor. Incentivamos porque não tem como esperar a crise passar, tem que investir em outras coisas, mas sem parar de estudar, uma vez que é essencial".

Administrador e psicólogo

Assim como Juliana Borges, o empresário, psicólogo, administrador, professor e consultor Sálvio Rizzato adequa o cotidiano entre as profissões que exerce. “Eu preciso da psicologia para trabalhar com pessoas e a administração trabalha com pessoas. Por isso mantive as duas”, justificou.

Trabalhou durante um tempo na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ao sair optou por montar sua própria empresa de consultoria baseado no trabalho que realizava anteriormente, uma área que a psicologia estava aplicada tanto na área das escolas quanto para as organizações. “Então eu juntava o conhecimento de administração e psicologia fazendo os trabalhos de consultoria”, apontou.

Ao desenvolver os treinamentos na empresa de consultoria desenvolveu o gosto por sala de aula. “A partir daí me apaixonei pela docência e não larguei até hoje. Tanto é que atualmente sou professor concursado da Universidade do Estado do Amazonas”, relatou.

“A UEA não me exige dedicação exclusiva, o que é uma coisa extremamente positiva. Então sou professor durante a tarde e à noite. Portanto, tenho as manhãs para me dedicar às consultorias. Como a consultoria é por projetos, consigo organizar os meus horários. Sou completamente apaixonado pelo que eu faço. Eu não conseguiria manter esse ritmo de trabalho se eu não tivesse paixão”, ressaltou.

Sálvio revela que incentiva os alunos para abrirem o leque de opções na formação profissional. “A administração é uma ciência que precisa de muitos conhecimentos, então se puder ter outra formação acadêmica, melhor. Não tem como ser um bom administrador sem ter conhecimento de todas as outras áreas de formação”, assegurou.

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