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Cotidiano
POVOS INDÍGENAS

Conselho diz que há denúncias de outros massacres e Javari é ‘barril de pólvora’

Vale está sendo invadido por garimpos ilegais, fazendeiros, madeireiros e caçadores, por falta de fiscalização na região, o que pode aumentar  o risco de conflitos 12/09/2017 às 20:25 - Atualizado em 13/09/2017 às 07:25
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Pelo menos 15 grupos de indígenas que vivem isolados habitam o Vale do Javari e pelo menos 110, a Amazônia Brasileira (Foto: Reprodução/Internet)
Kelly Melo Manaus (AM)

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que possui um grupo de apoio aos povos indígenas isolados, afirma que outros massacres de índios  podem acontecer nas Terras Indígenas (TI) do Vale do Javari e em outras regiões do Amazonas, caso os garimpos ilegais não sejam coibidos. Além da suposta matança de índios “flecheiros” no mês de agosto, a entidade afirma que há informações de mortes de outros povos em isolamento na mesma região dos rios Jandiatuba e Jutaí, no extremo Oeste do Amazonas. Apesar da denúncia, nenhum  dos casos foram confirmados até o momento. 

De acordo com o membro da equipe do Cimi de Apoio aos Povos Isolados, Francisco Loebens, o Vale do Javari está sendo invadido por garimpos ilegais, fazendeiros, madeireiros e caçadores, por falta de investimentos e fiscalização na região, o que pode aumentar  o risco de conflitos.

“Hoje, essa área conta apenas com três bases da Funai que estão inviabilizadas de atuar por falta de recursos. Isso impede que haja fiscalização e essas áreas ficam completamente desprotegidas”, disse ele. O sucatemanto da Funai na região foi confirmado pela Frente de Proteção do Vale do Javari. 

Loebens destacou que  a região do Vale do Javari é a que concentra o maior número de povos indígenas isolados do Estado. Ao todo, o Amazonas possui 39 comunidades em isolamento, das quais pelo menos 15 estão no Vale do Javari. Estima-se ainda que em toda a Amazônia Brasileira existam 110 povos isolados.

“Essas invasões estão acontecendo não só no Javari, mas em todo o Estado. Temos relatos de invasões de terras indígenas na fronteira com o Pará, em Atalaia do Norte, e nessas áreas também temos informações de comunidades isoladas. Esse descontrole precisa ser combatido e as autoridades precisam aplicar medidas de proteção para evitar novas ocorrências de massacres”, ressaltou. 

Segundo ele, os indígenas relatam que outros dois massacres ocorreram na TI do Vale do Javari, na região do rio Jutaí, nos últimos anos. Um dos relatos indica a morte de pelo menos 18 índios da etnia Warikama Djapar, em 2014. 

Em nota publicada em seu site ontem, o Cimi também defendeu o reconhecimento de territórios dos povos indígenas Kambeba, Kokama e Ticuna do município de São Paulo de Olivença. Há ao menos sete comunidades destes povos no baixo e médio Jandiatuba, que também sofrem com as consequências do garimpo. No entanto,  os processos de identificação e delimitação dessas áreas estão paralisados pelo governo federal.

Visita de deputados é sugerida

Deputados  usaram a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), ontem, para cobrar agilidade na apuração do massacre de índios na Terra Indígena do Vale do Javari. José Ricardo (PT) sugeriu que membros da Casa Legislativa viagem até São Paulo de Olivença acompanhar a situação  e conversar com as entidades que estão em defesa  dos povos indígenas. “Precisamos cuidar desse patrimônio cultural”, defendeu o petista.

Luiz Castro (Rede) denunciou a exploração ilegal de minério na região, que está causando desmatamento e o despejo de mercúrio nas águas dos rios, contaminando os peixes que são a base alimentar dos índios, ribeirinhos e da população de São Paulo de Olivença.

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