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Conservadores querem mudanças em documento do Vaticano sobre a questão dos homossexuais

O documento foi redigido por um comitê de bispos após uma semana de discursos na reunião a portas fechadas. Os participantes agora estão divididos em 10 grupos de discussão menores para propor mudanças 14/10/2014 às 17:52
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Líderes católicos discordaram dos conservadores, alegando que o documento foi “uma representação honesta de como o debate transcorreu”.
Philip Pullella/Reuters Cidade do Vaticano

Prelados conservadores da Igreja Católica prometeram nesta terça-feira alterar um polêmico documento do Vaticano que acenou com a possibilidade de uma grande mudança na atitude da entidade em relação a homossexuais.

O texto, divulgado na segunda-feira, afirmou que os homossexuais têm “dons e qualidades a oferecer” e indagou se o catolicismo é capaz de aceitar os gays e reconhecer aspectos positivos do casamento do mesmo sexo.

Exibindo uma mudança de tom dramática, o documento disse que a Igreja deveria aceitar o desafio de encontrar “um espaço fraternal” para os homossexuais sem abdicar da doutrina católica sobre família e matrimônio.

Nesta terça-feira, o Vaticano ressaltou que o comunicado ainda é “um trabalho em andamento” e que uma versão definitiva será divulgada depois do sínodo de 200 bispos, que termina no domingo.

O ultraconservador cardeal norte-americano Raymond Burke acusou os liberais do comitê que preparou o texto de terem apressado a assembleia, disse que isso não reflete a posição consensual e pediu alterações.

“Embora o documento pretenda relatar a discussão ocorrida entre os padres do sínodo, ele, na verdade, sugere posições que muitos deles não aceitam", declarou ele à revista on-line The Catholic World.

“Um grande número de padres do sínodo o consideraram censurável”, afirmou, pedindo ao papa Francisco que emita uma declaração clara defendendo o casamento e a família tradicional.

Versões conflitantes

Embora muitos grupos católicos de direitos dos gays de todo o mundo tenham saudado o documento como um avanço, os conservadores o criticaram por ser uma traição dos ensinamentos da Igreja e disseram que sua linguagem semeou confusão entre os fiéis.

“Ele (o documento) não é em absoluto o que estamos dizendo”, declarou o cardeal Wilfrid Fox Napier, da África do Sul, em uma coletiva de imprensa no Vaticano. “Não é uma mensagem verdadeira”.

“O que quer que digamos depois irá parecer controle de danos”, afirmou. Uma fonte no sínodo disse que vários bispos conservadores ficaram “decepcionados” com o texto, conhecido em latim como “relatio”.

Ele foi redigido por um comitê de bispos após uma semana de discursos na reunião a portas fechadas. Os participantes agora estão divididos em 10 grupos de discussão menores para propor mudanças.

A versão final servirá para novas reflexões dos católicos nos próximos 12 meses e como referência de um segundo e definitivo sínodo sobre a família no ano que vem.

O cardeal alemão Reinhard Marx discordou dos conservadores, classificando o documento como “uma representação honesta de como o debate transcorreu”.


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