Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
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Consul do Peru levará aos deputados proposta de uma rota comercial no Amazonas

A intenção da proposta é garantir para as indústrias dos dois países uma rota que pode ser até 15 dias mais curta que a utilização do Canal do Panamá



1.jpg Consul-geral do Peru em Manaus, Eduardo Rivoldi Nicolini, participará de sessão especial na ALE, no dia 6 deste mês
29/07/2013 às 09:19

A consolidação de uma rota comercial entre o Amazonas e o Peru através do Rio Solimões que liga os dois países até desembocar no Oceano Pacífico, será a tônica da conversa, no próximo dia 6, entre o consul-geral do Peru em Manaus, Eduardo Vicente Rivoldi Nicolini, e os deputados da Assembleia Legislativa (ALE-AM).

A intenção da proposta é garantir para as indústrias dos dois países uma rota que pode ser até 15 dias mais curta que a utilização do Canal do Panamá. A rota pode ser um canal de exportação para países asiáticos (no sentido Brasil/Peru) e europeus (no sentido Peru/Brasil). Nicolini aproveitará a sessão especial proposta pelo deputado Adjuto Afonso (PP), em homenagem aos 192 de Independência do Peru, comemorados ontem, para apresentar os números do País aos deputados.

A proposta que será apresentada por Nicolini faz uso das cidades amazonenses de Tabatinga e Benjamim Constant, que através do Rio Amazonas se comunicam com o porto de Iquitos, no Peru. De Iquitos, ainda por rio, a mercadoria segue para o porto de Yurimaguas e por estrada chegará ao porto de Paita.

“Facilmente o tempo de frete entre a Ásia e Manaus diminuiria 15 dias. Pelo Canal do Panamá, o navio daria uma volta muito grande até chegar ao Rio Solimões. Toda essa volta se corta pelo porto de Paica e de lá para Yurimaguas e então Manaus”, afirmou Nicolini.

Na última quarta-feira a ministra das Relações Exteriores da República do Peru, Eda Rivas, esteve no Brasil para conversar com o ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota. Na pauta, os países reafirmaram acordos de cooperação técnico-científica na utilização de madeira e recuperação de solos amazônicos. Segundo Nicolini, os dois ministros também discutiram o fortalecimento das rotas de fronteiras.

“Na conversa entre a ministra peruana e o ministro Patriona já estabeleceram a necessidade de reforçar o comércio das rotas comerciais fronteiriças”, revelou o consul.

Além da rota na parte norte, pelo Amazonas, o consul defende o fortalecimento da rota interoceânica que sai do porto brasileiro de Santos (SP) em direção aos portos de Matarani e Ilo, no Peru e de Arica e Iquique, no Chile. “São propostas fundamentais para os dois países”, defendeu Nicolini.

Imigrantes moram na zona Norte
De acordo com a embaixada do Peru em Manaus, a maior concentração de imigrantes peruanos na capital está nos bairros das zonas Norte e Oeste enquanto no interior do Estado a concentração está nos municípios próximos das fronteiras com o Peru, Bolívia e Colômbia: Tabatinga, Atalaia do Norte, Tefé e Benjamin Constant.

Nicolini informou que a embaixada está em adiantada conversa com o ministério das Relações Exteriores do Peru para criar uma campanha para expedir os documentos dos peruanos que estão de forma ilegal no Brasil para que tenham condições de pedir visto de permanência. “O visto é responsabilidade do Brasil, o que estamos buscando é uma forma de regularizar essas pessoas junto ao nosso consulado. Oficialmente temos registro de 4,5 mil peruanos. Mas sabemos que essa quantidade pode chegar à 15 mil”, comentou o consul-geral do Peru, Eduardo Nicolini.

Na região amazônica, além de Manaus, há um consulado do Peru na cidade de Letícia na Colômbia.

O Brasil ocupa o 6º Lugar em investimento no Peru em setores como energia, construção civil e mineração. No ano passado, o comércio bilateral entre os dois países alcançou a cifra de R$ 3,7 bilhões. A informação é do Ministério das Relações Exteriores.

Consul-geral do Peru, em Manaus, enfatiza que o País dele criou um Programa para incetivar o retorno dos imigrantes

O consulado sabe quantos peruanos vivem no Amazonas?

Temos uma estimativa. Porque a comunidade peruana registrada no consulado está entre 4 mil e 4,5 mil pessoas que moram no Amazonas. O problema é que para cada peruano registrado nós multiplicamos por três, o que dá uma média de uns 15 mil.

E o que fazer com esses peruanos que estão ilegais no Amazonas?

O Peru faz parte do acordo de regularização migratória com o Mercosul e por isso possui benefícios para se regularizar. E nesse contexto o consulado expede a documentação para os peruanos apresentarem às autoridades policias brasileiras.

Então, o consulado não repatria o peruano irregular?

Não. Isso é um conceito errado que muita gente tem em relação aos consulados. Aqui, nós zelamos pela segurança jurídica dos cidadãos peruanos e se polícia ou imigração quiser entrar tem que pedir permissão. Nosso trabalho não é deportar mas sim facilitar a regularização desses peruanos no país.

É mais fácil vir para o Brasil?

Historicamente o Estado do Amazonas e o oriente peruano têm uma relação muito antiga. Dos tempos da borracha, mesmo na época do império português. É uma vínculo de mais de 300 anos e o fluxo de cidadãos peruanos entre Tabatinga, Tefé, Manaus, Loreto e Iquitos é muito intenso. E além do que nós todos formamos uma grande panamazônia, porque as fronteiras são uma criação moderna.

Não é interessante para o Peru ter escritório nessas cidades para agilizar a regulamentação dos imigrantes?

É algo que estamos conversando com o Ministério das Relações Exteriores para que seja feita pelo menos uma oficina temporária em Tabatinga ou Benjamin Constant. Graças a Deus, o Peru tem consulado em Letícia, na Colômbia, porém para ficar no Brasil é preciso vir ao consulado em Manaus.

Essa resistência do governo peruano não pode ser receio por uma onda de peruanos saindo do país?

Não teremos esse problema porque felizmente o fluxo tem sido inverso. Há 25 anos o Peru se converteu em um país exportador de imigrantes, mas nos últimos três anos essa tendência está se invertendo. E, este mês, o Peru aprovou a lei de Reinserção do Migrante Retornado. É uma plataforma de incentivos econômicos para favorecer o retorno dos imigrantes.

O consulado sabe onde está a maior concentração de peruanos no Amazonas?

No interior, temos muitos peruanos em Tefé, Presidente Figueiredo, Tabatinga e Benjamin Constant. Os dois últimos porque ficam perto do Rio Solimões. Em Manaus, estão pulverizados, mas há concentração nos bairros da Zona Norte. No centro, temos muitas pessoas e sobretudo na área portuária.

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