Sábado, 20 de Julho de 2019
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Consultas e exames pelo SUS criam filas virtuais

CRM-AM denuncia problema e diz não poder fiscalizar Central de Regulação do Amazonas por esta não ter cadastro do órgão



1.jpg Usuários do SUS sofrem com filas físicas e virtuais
27/06/2013 às 20:58

Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) agora enfrentam filas virtuais. Quem precisa realizar um exame ou uma consulta especializada tem que passar pela Central Única de Regulação, um sistema criado pelo Ministério da Saúde que, desde 2009, assumiu a responsabilidade pela organização do acesso dos usuários do SUS às consultas e exames.

Na teoria, o serviço resolveria uma realidade que durante anos envergonhou a todos: as filas enormes nas portas de hospitais. Porém, na prática, as filas que antes ficavam expostas acabaram se tornando virtuais.

Segundo o chefe de fiscalização do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), médico Antônio de Pádua, em todos os Estados a regulação foi feita de forma progressiva. “Um exame foi escolhido para ser regulada a marcação e, aos poucos, foram incorporados outros. Mas em Manaus tudo foi realizado de uma única vez”, acrescentou Pádua.

De acordo com ele, todos os estabelecimento de saúde devem ter inscrição no CRM para que o órgão tenha autonomia para fiscalizar. Porém, a Central de Regulação do Amazonas, que já foi notificada pelo Conselho em 2012  não realizou o cadastro.

“O CRM não sabe como está o funcionamento da central. Não sabemos nem se a resolução nº 997, do Conselho Federal de Medicina, que diz que os estabelecimentos de saúde devem ser dirigidos por médicos designados diretores técnicos está sendo praticada”, afirmou Pádua.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), hoje a Central de Regulação do Amazonas agenda, em média, 600 mil procedimentos/mês, entre consultas e exames.

Para o chefe de fiscalização do CRM-AM, um dos princípios da administração pública, que é o da eficiência, está sendo ferido com tantos casos de pacientes que precisam aguardar semanas, ou até meses, para ter acesso a uma consulta. “Quando se trata de vidas que estão esperando em filas é preciso que o poder público haja com mais rigor” disse o médico.

A Susam informou que as Centrais de Regulação são identificadas no Cadastro Nacional de Centrais de Regulação, do Ministério da Saúde, como unidades administrativas, uma vez que não prestam atendimento direto ao paciente e não são estabelecimentos de saúde. A regulação intermedia o acesso da população aos estabelecimentos de saúde.

Espera por ressonância

O caso de Maria Nice Martins Menezes, 67, que  desde o dia 27 abril está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital 28 de Agosto, é um exemplo da demora que aqueles que necessitam de exames são submetidos. Segundo familiares, a idosa teve que aguardar durante três dias para fazer um exame de ressonância magnética, pois o hospital não disponibiliza do recurso e pacientes precisam esperar para fazer o exame em clínicas credenciadas.

No caso de Maria Nice a espera foi agravada porque ela necessitava de uma ambulância com UTI móvel. Segundo Maurinice Martins, filha da paciente, quando questionou o hospital sobre a demora foi informada que somente uma ambulância com UTI móvel estava disponível para fazer a remoção, o que gerou grande revolta entre os filhos da idosa. “É inaceitável que uma pessoa  precise esperar tanto tempo para receber atendimento”, declarou Maurinice.

O hospital informou que a paciente chegou a ser levada  pela ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), com rebaixamento do nível de consciência e intensa falta de ar causada por uma doença pulmonar crônica.

A Susam diz que possui três ambulâncias com UTI, que atendem urgências e exames eletivos com atendimento exclusivo nas unidades da rede estadual de saúde e que esse número atende a demanda atual.

Segundo a assessoria de comunicação da secretaria, no caso da paciente Maria Nice a remoção não dependia somente da disponibilidade de ambulâncias, mas também da data em que a clínica conveniada agendaria o atendimento. “A remoção dela já estava agendada. Mas a clínica suspendeu a realização do exame, por conta da mobilização que ocorreu em Manaus, e este precisou ser remarcado”, informou a assessoria da Susam.

A filha da paciente disse que o exame foi realizado e que agora está sendo aguardado um neurologista para providenciar o laudo da ressonância.

“As estâncias não estão se comunicando entre si, o sistema de transporte com os prontos-socorros e Central de Regulação de Exames.  O governo tinha que oferecer uma equipe completa, com uma estrutura para melhor atender. Um hospital do porte do 28 de Agosto deveria dar condições e um suporte integral para quem sofre trauma, por exemplo. Esse paciente não deve ter que passar pelo desconforto de ser deslocado para vários hospitais para só então conseguir realizar um exame. Todos os exames de imagens devem ser oferecidos em um único lugar e também é necessário ter, na unidade, profissionais para laudá-los. Infelizmente, paciente ficam submetidos a essa cruel realidade de serem atendidos em um lugar e fazer exames em outro. Esse sitema, chamado Central de Regulação de Exames e Consultas, é que deveria otimizar todos esses atendimentos para que os pacientes não passassem por transtornos desse tipo”, disse Jeferson Jezini, presidente do CRM-AM.

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