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Cotidiano
SURTO

Água contaminada causa diarreia em população de Manacapuru (AM)

Para o diretor presidente da FVS/AM, Bernardino Albuquerque muitos fatores contribuíram para a contaminação da água do rio Miriti, entre os quais: o baixo nível do rio e o lixo acumulado nas redondezas 07/01/2017 às 05:00 - Atualizado em 09/01/2017 às 08:49
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Funcionário do sistema de abastecimento de água da cidade mostra a água contaminada (Foto: Clóvis Miranda)
Silane Souza Manaus (AM)

Os primeiros resultados das análises feitas pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) mostram que o surto de diarreia em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) foi provocado pela falta de tratamento da água captada pelo sistema que abastece a população daquela cidade. Só nos primeiros cinco dias deste ano, 498 pessoas deram entrada no Hospital Geral do município com os sintomas da doença. Esse número pode ser maior tento em vista que muitos acabam se tratando em casa.

De acordo com o diretor presidente da FVS/AM, Bernardino Albuquerque, as análises de qualidade da água, que foi coletada pela equipe do órgão no sistema de captação do rio Miriti, apontam que ela está realmente contaminada e imprópria para consumo. Logo, necessariamente, ela teria que receber tratamento antes de ser distribuída a população, o que não está acontecendo desde outubro do ano passado. “A informação que temos é que a água não estava sendo tratada por falta de insumo”, observou.

Para Bernardino, muitos fatores contribuíram para a contaminação da água do Miriti, entre os quais: o baixo nível do rio e o lixo acumulado nas redondezas. “O nível do rio está baixo e com isso a concentração de material, principalmente fecal é maior. A informação da nossa equipe de vigilância que foi a Manacapuru, na segunda-feira, quando fomos notificados sobre o aumento dos casos de diarreia, é que o local de captação da água não é mais apropriado porque logo acima fica um depósito de dejetos”, explicou.

O Hospital Geral de Manacapuru está com os leitos lotados de crianças, adultos e idosos em tratamento. Mas tem muitas pessoas que estão doentes e ainda não foram à unidade de saúde e, portanto, não entraram na estatística do surto. É o caso da professora Thais Sleuri, 25, que desde a última segunda-feira está com os sintomas da doença. “No primeiro dia não consegui sair de casa. Nos outros dias fui melhorando e por isso não cheguei a ir ao hospital. Mas ainda estou com muita dor no estômago”, comentou.

A pescadora Maria Santos Pinheiro Alves, 32, é outra que pegou a doença e não procurou atendimento. Ela está doente há três dias. “Passei a terça toda com muita dor no estômago. À noite eu vomitei muito e na quarta que veio a diarreia. Estou me tratando em casa com medicamento como buscopan e diclofenaco para dor de cabeça, além de chá de casca de laranja, mas ainda estou com muita fraqueza”, relatou, destacando que está comprando água mineral para evitar que os dois filhos pequenos também fiquem doentes.

Crianças são maioria no hospital (Foto: Clóvis Miranda)

Adultos e idosos também estão sendo acometidos pela doença (Foto: Clóvis Miranda)

Tratamento
De acordo com orientações do diretor presidente da FVS/AM, Bernardino Albuquerque, as pessoas com diarreia precisam manter a hidratação, que não deve ser só com água, mas também com reidratante oral que é disponibilizado nas Unidades Básicas de Saúde. “A própria pessoa também pode fazer um hidratante caseiro a base de água (fervida), açúcar e sal, que funciona muito bem. O tratamento mais eficiente para evitar a doença é usar o hipoclorito de sódio: duas gotas para cada litro de água”, evidenciou.

Hipoclorito de sódio para a população
Na sexta-feira (6), a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS/AM) disponibilizou 10 mil frascos de hipoclorito de sódio para a Prefeitura de Manacapuru. O produto químico deve ser distribuído entre a população para ser utilizado no tratamento da água para consumo enquanto o serviço de abastecimento não é normalizado. A instituição também está fechando o relatório para encaminhar ao município.

Conforme o diretor presidente da FVS/AM, Bernardino Albuquerque, na segunda-feira, quando a instituição foi notificada sobre o aumento da incidência de diarréia em Manacapuru, uma equipe composta por especialistas da qualidade de água e de vigilância de semiologia e sanitária foi enviada ao município para acompanhar a situação e fazer a investigação o que ocasiono o surto.

O grupo, dentro do processo de investigação, coletou 16 amostras de fezes de pacientes internados no Hospital Geral da cidade, além de amostras de água do sistema de captação do Miriti e de poços artesiano para análise. “Das amostras que temos, a água imprópria para consumo é a captada via rio. As águas de poços até então não tem nenhum problema”, afirmou Bernardino.

De acordo com a secretaria municipal de Saúde, Marilyn D’Angelo, na sexta-feira mesmo a Prefeitura de Manacapuru mandou uma equipe pegar os frascos de hipoclorito de sódio desmobilizados pela FVS/AM. Conforme ela, neste sábado (7), começa a distribuição do produto nas unidades de saúde do município.

Secretaria municipal de Saúde, Marilyn D’Angelo (Foto: Clóvis Miranda)

Situação de emergência
A Prefeitura de Manacapuru decretou situação de emergência, na última quinta-feira, por causa do surto de diarreia. O decreto foi publicado sexta-feira (6) no Diário Oficial do município. De acordo com a secretaria municipal de Saúde, Marilyn D’Angelo, o aumento dos casos de diarreia começou em outubro do ano passado, quando foram registrados 316 casos. Em novembro foram 310 casos, dezembro 330, e em janeiro, nos cinco primeiros dias, foram 498.

“Desde outubro do ano passado que a água distribuída à população não é tratada. O prefeito teve que decretar situação de emergência porque nós (atual gestão) recebemos o Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Manacapuru) em péssimas condições e com o estoque de produtos químicos para o tratamento da água zerado. Com o decreto publicado vamos poder fazer aquisição desses produtos mais rápida e normalizar o serviço”, destacou.

A maior preocupação, de acordo com Marilyn, é que a água contaminada pode provocar também um surto de infecção por rotavírus. “Nós tivemos três casos confirmados em dezembro e mais três estão sendo investigados neste mês. Nossa preocupação é porque esse tipo de infecção é mais grave e pode dar mais de uma vez na mesma pessoa”, disse.

A secretaria enfatizou que as pessoas com sintoma da doença precisam procurar o serviço de saúde. “Precisa ir ao médico até para saber como lidar com a situação”, ressaltou. De acordo com Marilyn, o prefeito Beto D’Angelo, está empenhado em resolver a questão. “Além do atendimento no hospital, que no final do ano passado não tinha médico, também há mutirão de limpeza na cidade e um estudo técnico da água está sendo feito tudo para solucionar este problema”.

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