Domingo, 19 de Maio de 2019
SAÚDE

Na balança: acompanhamento e diagnóstico correto são essenciais para controle do peso

Apesar de saberem dos males do sobrepeso e da obesidade, pessoas relutam em procurar consultório médico e tentam emagrecer por conta própria



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Problemas com a balança podem ser resultado de um grande número de fatores, e por isso a consulta a profissionais – médicos, nutricionistas e outros – é importante (Foto: Divulgação)
22/01/2017 às 05:00

Embora seja um problema fácil de diagnosticar e conhecido pela associação a outros e mais temidos males, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, o excesso de peso nem sempre leva os pacientes ao consultório. Sem diagnóstico nem acompanhamento médico, muitos ignoram ou desprezam o excedente na balança ou buscam soluções por conta própria para perder medidas, enquanto convivem com problemas que podem se agravar com o tempo.

Foi o que aconteceu com a dona de casa Elaine Matos, de 53 anos. Em meados do ano passado, por conta de uma virose persistente, ela consultou vários médicos e acabou deparando com um diagnóstico inesperado. “Acabei descobrindo que estava diabética em consequência de obesidade”, conta. “Fiquei surpresa”.

Mesmo contando à época 100 quilos e tendo consciência do excesso de peso, ela explica que não conseguia encarar bem o problema. “Sabia que estava gorda, mas a gente vai negligenciando as coisas quando está nessa situação. É uma doença que você às vezes não sabe enfrentar”.

O engenheiro civil Marcelo Cunha, 37, passou por uma situação similar à de Elaine. Com quadro de diabetes e hipertensão, além de dores nas articulações, ele consultou profissionais de várias especialidades até ser diagnosticado com obesidade mórbida, um ano atrás. Ele pesava 182 quilos. “Isso me chocou, pois na faculdade sempre fui atleta. E decorreu de uma vida com alimentação desregrada, dedicada somente ao trabalho”, declara.

Trabalho em conjunto

Após o diagnóstico, Elaine e Cunha entratam em tratamento, que inclui mudanças na dieta e exercícios físicos. Recomendações à parte, eles avaliam que o acompanhamento dos profissionais – médicos, nutricionistas e outros – vem sendo essencial no processo. Isso é algo que os especialistas conhecem bem.

“Via de regra, perder ou manter o peso é extremamente difícil”, aponta Caroline Coimbra, endocrinologista que atende Elaine e Cunha em sua clínica no Adrianópolis. Ela explica que a mera prescrição de medicamentos e exercícios não garante o bom resultado de uma terapia.

“Muitos pacientes se dizem ‘desesperados para perder peso’, mas se mostram incapazes de cumprir tarefas como fazer registros de consumo de alimentos ou modificar qualquer de seus hábitos de vida”.

Apoio contribui

 


Pessoas com sobrepeso ou obesidade nem sempre conseguem mudar hábitos de vida sem acompanhamento, aponta a endocrinologista Caroline Coimbra (Foto: Aguilar Abecassis)

Para Cunha, que já tinha consultado outros quatro endocrinologistas, o tratamento multidisciplinar na clínica fez toda a diferença. “Todo mês estou lá e faço acompanhamento médico, psicológico e nutricional. E quando a dieta não cai bem, eles mudam e regionalizam. Hoje posso comer de tudo”, afirma ele, que ainda pratica triathlon e hoje ostenta cerca de 122 quilos – 60 a menos que um ano atrás.

“Hoje não tomo mais remédio para pressão, para diabetes, para nada”, disse Elaine, que também superou problemas como o descontrole nos níveis de glicose e a falta de disposição. “No início era um sacrifício fazer cinco minutos de esteira. Hoje já sinto vontade de fazer exercícios”, diz ela, que perdeu 16kg e vem recuperando também a vaidade. “Até já mudei o cabelo”.

Cunha enfatiza a necessidade de procurar um profissional para lidar com o problema do peso, e não buscar apenas medicamentos ou dietas da moda. “As pessoas procuram uma solução mágica ou isolada, mas a pessoa gorda tem de trabalhar a cabeça, e não só o estômago”.

Da mesma forma, Caroline lembra que “são muitas as causas da obesidade”. “O excesso de peso pode estar ligado ao patrimônio genético da pessoa, a maus hábitos alimentares ou, por exemplo, a disfunções endócrinas. Por isso, na hora de pensar em emagrecer, procure um especialista”, conclui.

A doença

A obesidade se caracteriza pelo acúmulo de gordura corporal, cujo excesso no organismo pode levar a problemas graves de saúde.

O mecanismo mais comum para diagnóstico da obesidade é o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), obtido por meio da divisão do peso (em quilogramas) do paciente pelo quadrado de sua altura (em metros).

Em números

58,2% das mulheres no Brasil apresenta sobrepeso ou obesidade (IMC igual ou maior que 25). Entre os homens, o percentual é de 55,6%. Os dados são de pesquisa do IBGE de 2013.

O IMC é considerado normal na faixa de 18,5 a 24,9, segundo padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS). De 25 a 29,9, indica sobrepeso. E, acima de 30, aponta quadro de obesidade.


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