Publicidade
Cotidiano
ATENTOS AOS RUÍDOS

Conversa em voz alta e barulho em excesso podem prejudicar vida escolar

Psicopedagoga afirma que é preciso ter um diálogo com os alunos desde o começo da vida escolar para que eles comecem a entender a importância de não se fazer tanto barulho em sala de aula e em outras áreas da escola 19/02/2017 às 17:15
Show barulhoooo01
Ruídos em excesso prejudicam alunos e professores. Foto: Arquivo/AC
Alik Menezes Manaus

Com o início das aulas, uma velha preocupação dos professores volta à tona: o barulho em sala de aula que pode, ao longo dos anos, pode prejudicar a audição de alunos e educadores.

O excesso de ruídos pode trazer vários outros problemas de saúde, como falta de concentração, estresse e até perda auditiva progressiva, mas como é impossível “calar” os alunos, em qualquer fase, é preciso criar estratégias para atrair a atenção deles e, assim, evitar barulhos excessivos ou prolongados em sala de aula.

Para a psicopedagoga Rosalise da Mata Campelo, é preciso ter um diálogo com os alunos desde o começo da vida escolar para que eles comecem a entender a importância de não se fazer tanto barulho em sala de aula e em outras áreas da escola.

“Nós não temos como calar nossos alunos. É tudo novo para eles quando entram na escola, conhecem novas pessoas, eles ficam empolgados, mas é muito importante criar estratégias”, disse.

Entre as estratégias, a educadora destacou atividades como vídeo aulas e até leitura de histórias (nos casos de alunos do primário). “Você precisa vencer o desafio que é acalmar a turma, acalmar os ânimos, e esses recursos são eficientes”, disse.

Para a educadora, professores da rede pública têm um desafio ainda maior. “Na escola particular temos vários recursos, enquanto que na pública nem sempre eles estão disponíveis”.

Para o professor do ensino médio Bruno Siqueira, o problema geralmente começa em casa, com o uso de fones de ouvidos e o tom de voz. “Quando você está acostumado de uma forma, é bem difícil mudar. Alguns têm o hábito de passar muito tempo com o fone de ouvido escutando música e jogando”, disse.

Dessa forma, segundo o educador, fica mais difícil tentar “calar” os alunos, que geralmente são mais de 30 por sala e todos falando ao mesmo tempo. “É complicado, tem que ter jogo de cintura para tentar manter o silêncio em sala de aula”, disse.

Além dos problemas de audição, Siqueira afirmou que professores podem ter problemas na voz. “O mais comum é termos algum problema na voz porque, com o barulho que eles fazem, a gente precisa falar mais alto, forçando a voz. No fim do dia estamos sem voz”, contou.

Cuidados para evitar problemas
O médico otorrinolaringologista Rafael Iglesias afirma que professores deveriam adotar medidas na sala de aula para conscientizar os alunos sobre os riscos da exposição aos ruídos e barulhos excessivos. “O professor deve orientar a falarem mais baixo, não gritar, não arrastar as cadeiras. São atitudes que irão prevenir futuros problemas”, disse.

O especialista aconselha, também, que os pais observem a mudança no tom de voz dos filhos. “Às vezes uma simples rolha de cerume pode causar uma perda importante de audição, fazendo com que a criança acabe falando mais alto”.

O profissional disse que é necessário realizar exames periódicos. “É preciso cuidar logo no início para que as crianças e jovens não sofram com outros problemas, como falta de concentração e assimilação de matéria”.

Desafio é fazer alunos perceberem limites, diz sociólogo
Para o sociólogo José Matos, as conversas, ruídos e barulhos em sala de aula são uma questão cultural e um desafio para os educadores. “É natural da idade”, disse. Matos destacou que os educadores devem buscar novas estratégias e investir no relacionamento com os alunos. “Eles precisam entender os limites e o professor precisa se impor”.

 

 

Publicidade
Publicidade