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Cooperação Brasil-Alemanha traz ao país duas ararinhas-azuis

Objetivo do programa é reintroduzir na natureza, a partir de 2021, aves da espécie considerada extinta em seu habitat original, a Caatinga, há 15 anos 04/03/2015 às 16:53
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A espécie é considerada extinta na natureza desde o ano 2000 e, atualmente, existem apenas 90 animais em criadouros do mundo
ACRITICA.COM Manaus (AM)

Em comemoração ao Dia Mundial da Vida Selvagem, dia 3 de março, chegou ao Brasil um casal de ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) nascidas em Berlim, na Alemanha.

A iniciativa se insere no âmbito do Projeto Ararinha na Natureza e faz parte da parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, e a Agência Federal Alemã de Conservação da Natureza (Bundesamtfür Naturschutz, BfN).

As duas instituições trabalham em parceria há mais de dez anos no Programa de Cativeiro da espécie. O casal Carla e Tiago é filho de uma fêmea de propriedade do governo brasileiro, chamada Bonita, levada para a Alemanha em 2013 para parear com o macho Ferdinando na ONG alemã Associação para Conservação de Papagaios em Extinção (ACTP).

De acordo com a chefe da Autoridade Administrativa Alemã da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites), Irina Sprotte, os dois pássaros, criados em cativeiro na Alemanha e entregues hoje ao governo brasileiro, ajudarão a aumentar sua população no Brasil.

“Esperamos que, daqui a alguns anos, a ararinha-azul retorne à vida selvagem”. Segundo Irina, “este é um programa de recuperação ambicioso e bem-sucedido, que só é possível graças à confiança e à colaboração internacionais, fato que tornou a recuperação desta ararinha uma realidade”, disse Irina.

Para o presidente do conselho diretor da ONG alemã Associação para Conservação de Papagaios em Extinção (ACTP), Jürgen Dienst, neste Dia Mundial da Vida Selvagem de 2015, trazer os dois exemplares da espécie para seu país de origem “é a realização de um sonho que, para mim, começou em 2006, com muitas preocupações e desafios”. Ele disse que espera ver “esses pequenos pássaros azuis” voando, livres, por seu habitat natural, a Caatinga. “Será uma ocasião maravilhosa”, confessou.

Chegada

Depois que desembarcar no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, na manhã desta terça-feira (3), as aves foram transportadas até o quarentenário oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) na cidade de Cananeia (a 224 km de São Paulo), onde permanecerão em observação por cerca de 15 dias.

O próximo destino de Carla e Tiago será o Nest (sigla para New Ecological Scientific Treatment), um criadouro científico da fauna silvestre para fins de conservação, localizado no interior de São Paulo.

A espécie é considerada extinta na natureza desde o ano 2000 e, atualmente, existem apenas 90 animais em criadouros do Brasil, Alemanha e Catar, sendo 11 deles no mantenedor do interior paulista.

Essas aves só começam a se reproduzir após o quarto ano de vida, quando entram na fase adulta. A taxa de crescimento populacional, atualmente, é de apenas 5% ao ano, ou seja, aproximadamente cinco animais nascem a cada 12 meses.

Com a definição dos pares ideais, os especialistas esperam que as ararinhas se reproduzam de maneira satisfatória para começar as reintroduções na natureza em 2021. “Para que isto aconteça, esperamos ter, pelo menos, 150 aves no plantel reprodutivo e 50% desses animais do Programa de Cativeiro no Brasil até 2017”, contou a veterinária do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (Cemave), instituição ligada ao ICMBio, Camile Lugarini

Boa parte das ações previstas no Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da ararinha-azul é executada por meio do Projeto Ararinha na Natureza, uma parceria entre o ICMBio e o setor privado, com o objetivo de recuperar esta espécie na natureza, colocando-a de volta na Caatinga baiana. A Sociedade para a Conservação das Aves do Brasil (Save Brasil) é a principal executora do Projeto, financiado pela Vale.

O PAN Ararinha-azul, aprovado pela Portaria 17/2012, visa aumentar a população criada em cativeiro, além de promover sua recuperação e a conservação do hábitat de ocorrência histórica da espécie, até 2017, para favorecer a reintrodução até 2021.

A ararinha azul (Cyanopsitta spixii) tem coloração em tons de azul, mede de 55 a 57 cm, pesa entre 296 e 400 g. Seu habitat é a mata de galeria da Caatinga, na área do município de Curaçá, norte da Bahia.

Alimenta-se de sementes e frutos, e usa o bico para escalar e subir em galhos. A espécie pertence à família dos psitacídeos, que têm patas com dois dedos virados para frente e dois para trás.

Projeto Ararinha na Natureza

O esforço para implementar as ações do Plano de Ação Nacional para Conservação dessas ararinhas conta com o apoio da Vale, Funbio e Save Brasil. Seu escopo envolve políticas públicas, pesquisa científica e educação ambiental voltadas para conservar a Caatinga, habitat da ararinha.

Mais do que isso, pretende-se proteger uma área importante para a conservação da biodiversidade no bioma, utilizando-se a ararinha-azul como espécie bandeira.

Para a comunidade de Curaçá, a vida dessa pequena ave é análoga à do sertanejo na luta para sobreviver num dos locais mais secos do país. E a volta da espécie à região trará muitos benefícios diretos e indiretos para a comunidade.

Dia Mundial da Vida Selvagem

A data foi criada em dezembro de 2013 pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES), da Organização das Nações Unidas (ONU). A celebração tem, entre seus objetivos, promover a cooperação entre países para preservar as espécies. Por isso a chegada das ararinhas azuis ao Brasil, neste dia, é bastante simbólica e está de acordo com as diretrizes da Convenção.

O documento destaca, ainda, as contribuições da fauna e da flora para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da humanidade, citando os aspectos ecológicos, genético, social, econômico, científico, educacional e cultural.

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