Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
DINHEIRO PÚBLICO

Coordenador de comissão paga para fazer mural da CMM se recusa a esclarecer atividades do grupo

Comissão do acervo histórico da Câmara Municipal de Manaus é composta por 20 servidores, de setores diversos, que ganharam acréscimo de R$ 2.108 no salário só para produzir um mural



mural_23182CC5-C83D-4E59-866E-84BBFAF8840D.JPG Membros da comissão técnica confirmaram à reportagem de A CRÍTICA que o mural, disponível no Memorial Carlos Zamith localizado no térreo da Casa Legislativa, reúne registros fotográficos e reportagens encontradas durante a pesquisa. Foto: Euzivaldo Queiroz
29/10/2019 às 16:41

A Câmara Municipal de Manaus (CMM), por meio da Diretoria de Comunicação (Dircom), informou que o coordenador da comissão técnica responsável pelo acervo histórico da Casa, servidor Dorval Mendes, não irá se posicionar a respeito das atividades desempenhadas pelos 20 membros da comissão em oito meses de trabalho.

“Ele não vai falar, pois já foi enviado uma nota de esclarecimento”, disse a diretora de comunicação da Casa Legislativa, Dora Tupinambá.



A reportagem de A CRÍTICA do dia 27 deste mês mostrou que a CMM mantém uma comissão técnica para recuperar o acervo histórico e cultural do poder legislativo que já consumiu mais de R$ 320 mil em gratificações, de fevereiro a setembro deste ano, e cujo único trabalho visível é um mural com registros fotográficos. A participação no grupo de trabalho garante a cada um de seus membros a gratificação mensal de R$ 2.108.

A primeira informação divulgada, por meio de nota, pela Dircom foi de que 35 servidores atuam na comissão técnica. Confrontada a informação, outra nota foi enviada à reportagem reduzindo a quantidade para 20 membros, divididos em grupos que desempenham atividades internas e externas.

“Dentre as atividades executadas pela comissão técnica estão a recuperação, catalogação, digitalização, pesquisa e disponibilização ao público interessado de todo acervo histórico e cultural do poder legislativo local. As reuniões da comissão ocorrem, em regra, sempre às segundas-feiras. Geralmente, após o expediente normal da CMM”, diz trecho da nota.

A reportagem de A CRÍTICA solicitou cópias dos relatórios de atividades da comissão técnica, mas não teve acesso aos documentos. A Dircom informou que todos os registros estão consignados em atas que em breve estarão disponíveis no site da CMM.

“As atas vão estar publicadas brevemente no site da CMM. Informamos, ainda, que, ao final do ano de 2020, será apresentado, pelo coordenador, o relatório final das atividades realizadas pela comissão”, diz trecho da nota.

No Diário Oficial Eletrônico do Legislativo, na edição do dia 12 de fevereiro, foi publicado a criação da comissão técnica com a finalidade de “proceder a recuperação, catalogação, digitalização e disponibilização ao público de todo o acervo histórico e cultural do poder legislativo”. Na publicação  consta a listagem de 20 membros, sendo quatro servidores efetivos da CMM e 16 comissionados, de livre nomeação pela presidência da Casa.

Servidor efetivo e coordenador da comissão, Dorval Mendes é pré-candidato a vereador em Iranduba pelo partido Patriotas. De acordo com a coluna SIM & NÃO, por conta dessa atividade política Dorval tem se ausentado bastante da Casa Legislativa.

Consultada sobre o assunto, a assessoria de imprensa do Ministério Público do Estado (MP-AM) disse que encaminhou a reportagem para Ouvidoria-Geral para ser analisada e seguir os trâmites do órgão.

O que dizem os vereadores

Procurados pela reportagem nesta terça-feira (29), vereadores disseram não ter conhecimento se o trabalho realizado pelos servidores negligencia o resgate histórico.

“Se tem alguma maracutaia pelo meio, eu não conheço, mas, se tiver alguma coisa nesse sentido, é lógico que eu não apoiaria. Mas não tenho esse detalhe, portanto não é justo que eu me pronuncie e também não sei qual o nível de facilidade ou dificuldade que tem da gente constituir um mural histórico. Não é tão simples. Isso demanda pesquisa que, às vezes, vai pra mais de um ano”, disse Gedeão Amorim (MDB).

Amauri Colares (PRB) disse que os parlamentares confiam nas decisões do presidente da Casa, vereador Joelson Silva (PSDB).  "É uma decisão do presidente e nós acatamos. O que eu sei é que está tudo ok”, comentou.

Para o vereador Eloi Abreu (PHS), o mural com registros fotográficos é apenas o início do trabalho da comissão técnica. “Não acompanho os trabalhos porque quando a Comissão começou e eu ainda estava assumindo aqui. Mas acredito que a comissão vai ainda desenvolver muito melhor o trabalho, vai resgatar muita coisa importante”, resumiu.

Na avaliação do vereador de oposição Chico Preto (sem partido) a direção da Casa Legislativa deve prestar os esclarecimentos. “Eu não tenho acompanhamento essa situação (...) Não sei se fizeram só um mural ou se fizeram mais, mas penso que a Casa precisa trazer as informações claras e verdadeiras desse assunto”, pondera.

*Reportagem assinada por Larissa Cavalcante e Rebeca Beatriz, do Jornal A Crítica

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