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COP21 reforça segurança em Paris e nos arredores, principalmente nos bairros de imigrantes

É em Montmartre, pérola da tradicional boemia parisiense, que se observa a mudança cultural e de comportamento provocadas pelos últimos atentados, de acordo com relatos de moradores e observação de jornalista, hospedado no local 06/12/2015 às 15:07
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Bairro francês de Monmertre, que recebe atualmente forte policiamento, é um dos mais famosos pontos turísticos e culturais de Paris
Antônio Ximenes França, Paris

Estou hospedado em um hotel sobre uma mesquita no bairro de Montmartre na rua Myrtha, 28.  Na região, predomina a população de origem árabe, norte africana (países magrebinos) e de famílias das antigas colônias francesas do Senegal, Costa do Marfim, Camarões, dentre outras da África Ocidental. 

Antes dos fiéis entrarem para as orações na mesquita eles são revistados, uma prática acentuada com os últimos atentados em Paris, que provocaram a morte de 129 pessoas e deixaram mais de 350 feridos, naquele que ficou conhecido como o massacre de 13 de novembro, uma sexta feira fatídica.

Moreno, nariz adunco e falando um francês básico, minha presença não chamou atenção dos fiéis muçulmanos que frequentam a mesquita da rua Myrtha. No FM Hotel, mais de 90% dos hospedes são estrangeiros oriundos da África e de países de fala árabe. A língua corrente no local é o árabe.

Os responsáveis pela portaria são igualmente árabes, ou da África, como o simpático Sudanes "Sid" que com saudade de Cartum, sua cidade natal, fala que em Paris muita coisa mudou depois dos atentados."A vigilância no bairro aumentou muito, especialmente aqui onde fica a mesquita do bairro".


A sede da COP 21 fica em Le Bourget, nos arredores de Paris, região onde a vigilância policial tem seu ponto alto nos trens, ônibus e metrôs que trafegam em suas proximidades. Diferentemente de outras épocas, antes dos atentados, agora, as pessoas são abordadas nos meios de transportes e em outras áreas nas imediações da COP 21. Paris se militarizou para proteger quem vem à conferência do clima, mais importante do planeta.

Próximo da Gare du Nord (Garagem do Norte de trens), onde a presença de árabes, africanos e asiáticos é grande, o policiamento foi reforçado. Mas é em Montmartre, pérola da tradicional boemia parisiense, que se observa a mudança cultural e de comportamento provocadas pelos últimos atentados. 

Um repórter brasileiro com características físicas árabe, pode não despertar suspeita de quem vive como um bom muçulmano na região, mas os saxões, germânicos e norte americanos em geral não estão muito presentes nesta parte de Paris, onde a fé em Alá, segundo as palavras da profeta Maomé, predomina. 

Nas imediações, a Basílica de Sacre Couer e a Igreja de São Bernard de La Chapelle, continuam esplendorosas, mas nas vielas e ruas menos glamorosas predomina a cultura muçulmana. Não por acaso mais de 7,5% da população francesa tem origem africana, árabe e magrebina, povos que rezam voltados para Meca.

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