Terça-feira, 21 de Maio de 2019
Notícias

Corpo de jovem fica 12 horas retido em necrotério por falta de documentação para liberação

Caso ocorreu na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado; direção do hospital vai abrir sindicância para apurar o caso



1.jpg
Rebeca Barbosa Freitas faleceu no Tropical
06/01/2016 às 12:57

Familiares da estudante Rebeca Barbosa Freitas, 21, denunciam mais um descaso na saúde pública do Amazonas. Por falta da ficha apropriada para liberação - conhecida como ficha amarela -, o corpo da jovem passou mais de 12 horas retido no necrotério da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, Zona Centro-Oeste de Manaus.

Rebeca foi internada na tarde desta terça-feira (5) n e morreu às 22h do mesmo dia. O corpo só foi liberado na manhã desta quarta-feira (6), por volta das 11h.

Os familiares da estudante contaram que além de Rebeca, mais cinco corpos ficaram sem a liberação por causa da falta do documento na unidade de saúde. Mesmo após a liberação do corpo da estudante para o necrotério, conhecidos e familiares foram proibidos de entrar na sala, pois a estudante ainda não tinha passado pelo processo se necropsia.

“São mais de 12 horas que a minha prima faleceu e quando pensamos que o corpo estava liberado para realizarmos os procedimentos de velório e enterro, somos informados que ainda será necessário realizar a necropsia e que houve todo esse atraso por causa da falta de uma ficha que está em falta no Tropical”, desabafou o primo de Rebeca, André Guerra de Souza, 25.

A proibição da entrada no necrotério só foi repassada aos familiares depois que todos já tinham ido olhar o corpo da estudante. “Como tem passado muito tempo, o corpo já está com mau-cheiro. A família nem terá como se despedir, sem condições de ficar com o caixão aberto no velório”, comentou.

Causa da morte

Há quatro anos, Rebeca Barbosa foi diagnosticada com  epilepsia e passou a ser tratada. No dia 29 de dezembro do ano passado, ela teve uma crise no momento em que saía de casa, no bairro da União, Zona Oeste. Rebeca caiu dentro do igarapé. Um vizinho viu a cena e resolveu chamar o pai da jovem.

A estudante acabou ingerindo muita água do igarapé. Após ser socorrida, ela foi levada ao Hospital Pronto-Socorro 28 de agosto.

“Desde o ocorrido, Rebeca começou a sentir dor de garganta, mas os médicos passaram um antibiótico e as liberaram”, relatou André.

Ontem (5), o quadro da estudante se agravou, além da inflamação na garganta ela começou a sentir fortes dores no corpo. Por causa disso, foi ao médico que a encaminhou diretamente para a Fundação Tropical. “Os médicos suspeitavam que ela estivesse com leptospirose, mas até o momento, nada foi confirmado”, disse o primo.

A direção da fundação esclareceu que a jovem estava com febre icterícia, que indica um quadro infeccioso, e que ela teve uma parada cardiorrespiratória. Entretanto, a causas do quadro clínico não puderam ser confirmadas porque a família não consentiu a realização de exame pós-morte, que daria o diagnóstico.

Direção vai abrir sindicância

Em nota, a diretora presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim, informa que o procedimento do qual trata a reportagem é de responsabilidade da Gerência de Enfermagem da unidade, departamento que controla o estoque de formulários de atestado de óbito (formulário amarelo).

"Graça Alecrim considera inadmissível a negligência nesse controle e já autorizou a abertura de sindicância para apurar os fatos. Ela lamenta o ocorrido e assegura que, uma vez identificada a falha, os responsáveis serão punidos. A direção da FMT tomou conhecimento do ocorrido logo pela manhã, solicitando o imediato abastecimento da unidade com o formulário, que é expedido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa)", diz o comunicado.

Quanto aos exames para liberação do corpo, a FMT explica que como o quadro da paciente era de febre icterícia a esclarecer, conforme procedimento padrão é solicitada a realização de exame pós-morte, para confirmação do diagnóstico.

"A família, entretanto, não consentiu e o exame não foi realizado. A direção da FMT informa que a paciente deu entrada na unidade na terça-feira (5), às 17h30, com quadro grave, sendo imediatamente encaminhada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde teve parada cardiorrespiratória. Todos os procedimentos foram adotados para reanimá-la, mas a paciente, infelizmente, veio a óbito, às 22h55", conclui.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.