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Corpo de Marcos Archer, fuzilado na Indonésia, é cremado e cinzas entregues a tia de Manaus

A tia Lourdes Archer Pinto acompanhou o cortejo do corpo que foi cremado. Ela é a única parente com quem ele teve contato antes da execução 18/01/2015 às 17:16
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Marcos Archer Cardoso estava preso desde 2003
acritica.com ---

O corpo do brasileiro de família amazonense Marcos Archer Cardoso Moreira, fuzilado na prisão de Nisakambangan, na Indonésia, às 13h30 do sábado em Manaus (0h30 de domingo em Jacarta), 10 anos após ser condenado à morte por tráfico internacional de cocaína, foi cremado e as cinzas entregues a sua tia, Lourdes Archer Pinto, que mora em Manaus. Ela é a única parente com quem ele teve contato antes da execução.

Lourdes saiu de Manaus rumo à Indonésia no início da semana passada para se despedir do sobrinho e atender ao seu último desejo em vida: tomar whisky e comer bacalhau. Na ocasião, ela o entregou cartas com mensagens de apoio de amigos.

O brasileiro que era órfão de pai e mãe, não tinha mulher nem filhos.

O correspondente da Folha de São Paulo na Indonésia, Ricardo Gallo, disse em reportagem que Marcos levou apenas um tiro de misericórdia no peito, morrendo na hora. Ele e mais quatro prisioneiros executados neste sábado foram amarrados em uma estaca antes de serem fuzilados pelo pelotão da pena de morte.

Marcos pertencia à tradicional família amazonense de classe média alta por parte materna. Mas foi criado em Ipanema, no Rio de Janeiro até o final da adolescência.

Instrutor de asa delta por hobby, Marcos vivia na Indonésia há pelo menos 15 anos antes de ser preso em 2003. Era um experiente traficante da rota entre Bali, paraíso dos surfistas, e a América do Sul (onde se abastecia de drogas), passando pela Europa.

Ele foi flagrado em 2003 com 13,4 quilos de cocaína escondidos nos tubos do seu equipamento de asa delta, no Aeroporto de Jacarta, quando driblou os policiais e protagonizou uma fuga cinematográfica, apanhando um táxi e viajando de ilha em ilha do arquipélago indonésio até chegar em Bali, onde foi preso pelas autoridades duas semanas depois da caçada.

Desde 2004, o governo brasileiro tentou junto às autoridades da Indonésia de todas as maneiras evitar a execução do brasileiro, o primeiro condenado à pena de morte no exterior. Pedidos de clemência foram negados por dois presidentes e a sentença foi cumprida.

Em protesto, o Brasil e a Holanda convocaram seus embaixadores na Indonésia após a nação do sudeste asiático ignorar seus apelos de clemência e ter executado seis presos por delitos ligados a drogas, as primeiras execuções sob o comando do presidente Joko Widodo.

Pena de morte proibida

No Brasil, a pena de morte é proibida pela Constituição Federal de 1988 (exceto em casos de guerra), e é considerada cláusula pétrea, ou seja não pode ser alterada por nenhuma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

A Anistia Internacional e as Organizações das Nações Unidas (ONU) não aprovam a pena capital e têm negociado tratados de moratória com países que ainda aplicam esta penalidade.

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