Sábado, 16 de Outubro de 2021
GREVE

Servidores dos Correios no Amazonas podem realizar paralisação

Servidores farão assembleia geral, na Praça do Congresso, na terça-feira, para decidir se entram em greve por tempo indeterminado



unnamed_408E82A0-D15E-4EEE-AAE3-F70C591C0C3C.jpg Foto: Reprodução
09/08/2021 às 09:52

Os servidores da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) do Amazonas pretendem realizar uma assembleia, na Praça do Congresso, no Centro de Manaus, na terça-feira (10), para decidir se entram ou não em greve por tempo indeterminado, em virtude da decisão do Congresso Nacional em aprovar o texto base do Projeto de Lei 591/21 que autoriza a exploração, pela iniciativa privada, de todos os serviços postais no Brasil.

Para o Sindicato dos trabalhadores da ECT/AM, a medida vai causar desemprego em massa da categoria. “É uma catástrofe o que aconteceu com esse PL que desestatiza os Correios para a compra da nossa empresa brasileira, de 358 anos. Foi um golpe severo à nação brasileira vender uma estatal dessa. Uma estatal que cobre mais de 5.570 municípios, sem prejuízo nenhum, onde o governo federal não gasta um real, um centavo com nenhum desses municípios. O próprio Correios mantém o funcionamento de agências em todos os lugares. Quem vai sofrer será a população que vai pagar mais caro e vai deixar de ser assistido. Será um apagão postal”, disse o secretário jurídico do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Maxwel Figueiredo.

Para o cientista social e membro do Conselho de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Amazonas (OAB-AM), Carlos Santiago, a privatização dos Correios é inconstitucional.

“Não existe na Constitucional nenhum dispositivo que autorize a privatização dos Correios, pelo contrário, há disposições que vedam tal iniciativa pelo Poder Executivo federal. Ademais, os serviços postais e o Correio Aéreo Nacional acumulam lucros financeiros enormes e promovem serviços essenciais porque chegam nas localidades bem distantes de forma rápida e segura, em especial, nesse momento de pandemia, contribuindo com a economia e a cidadania de milhões de brasileiros”, explicou Santiago.

Para Carlos, privatizar o Correios é entregar para a iniciativa privada um negócio lucrativo “Um serviço estratégico e poderá deixar milhões de brasileiros sem serviço essencial porque depois de um período de cinco anos quem comprou pode fazer reorganização da sua logística e área de atuação, além de demitir milhares pessoas alentando ainda mais o índice de desempregados”, disse.

MUNICÍPIOS

Em nota, a Associação dos Amazonenses de Municípios (AAM)disse que “entende que é um direito da União realizar a privatização daqueles ativos que julgar pertinentes. Todavia, a eventual privatização dos Correios deve considerar a atuação em regiões remotas, em regiões cujo acesso não é lucrativo. O Amazonas possui muitas localidades de difícil acesso, dependendo de uma atuação ramificada para assegurar a entrega de correspondências”, disse.




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