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Corretor é preso após vender terrenos em área de preservação

Segundo o delegado Daniel Ottoni, da Delegacia Especializada em Meio Ambiente (DEMA), em dois anos o corretor vendeu pelo menos 270 terrenos com pendências na regularização 10/09/2013 às 20:43
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Corretor vendeu no mínimo 270 lotes, além de realizar propaganda de venda de terrenos sem regularização
OSWALDO NETO Manaus (AM)

O corretor de imóveis José Ivo Ferreira Lima, 53, foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (10), no município de Iranduba - a 22 quilômetros da capital - acusado dos crimes de desmatamento ilegal e loteamento irregular na área do Pique Bela Vista, localizada no município. O espaço faz parte do programa "Terra Legal", iniciativa do Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária (INCRA), portanto da União, e estava tendo a área devastada e comercializada sem autorização.   

Segundo o delegado Daniel Ottoni, da Delegacia Especializada em Meio Ambiente (DEMA), em dois anos o corretor vendeu pelo menos 270 terrenos com pendências na regularização, os quais variavam de R$ 9 mil a R$ 20 mil. Além da área do Pique Bela Vista, o homem ainda vendia terrenos na comunidade do Açutuba e em áreas próximas ao hotel Ariaú.


As investigações iniciaram em maio deste ano após a denúncia de uma pessoa que comprou um imóvel porém não recebeu o título definitivo do terreno. Durante a apuração, também foi constatado que, no local, eram constantes confrontos entre "posseiros" – pessoas que detém a posse de terras da União –, ocorrendo inclusive troca de tiros por ocupação de terrenos e cobrança de dívidas.

A polícia está investigando ainda um possível envolvimento da filha do corretor e alguns associados. O homem também praticava a atividade irregular de propaganda através da implantação de placas em terrenos que não são regularizados. Em depoimento, ele afirmou que “sabia da irregularidade, mas precisava trabalhar”.

José Ivo foi autuado no art. 50 nº 6776, que sugere a venda e proposta de imóvel irregular, além de responder por crime ambiental em área de preservação permanente. O acusado ficará preso até esta quarta-feira (11), quando será liberado o pagamento da fiança de R$ 20 mil.  

Ponte Rio Negro

Conforme informações repassadas pelo delegado Ottoni, crimes de ocupação ilegal na área aumentaram consideravelmente após a inauguração da ponte Rio Negro, o chamado "efeito pós-ponte".

Ottoni também pontuou a preocupação da Polícia com futuras obras. “O Governo do Estado precisa regularizar a situação fundiária da região, pois obras como a Cidade Universitária e a duplicação da AM-070 necessitam desta normalização”, disse.

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