Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
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CPI da Câmara dos Deputados vai investigar novas denúncias de pedofilia em Coari

Parlamentares ficarão dois dias no município. Prefeito Adail Pinheiro é um dos convocados a prestar depoimento



1.png A diligência da Câmara dos Deputados vai investigar novas denúncias de pedofilia contra o prefeito Adail Pinheiro, indiciado pela PF e denunciado pelo Ministério Público por chefiar uma rede de exploração sexual de menores em 2008
03/07/2013 às 17:03

Chega ao Município de Coari (a 370 quilômetros de Manaus), no dia 8, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara dos Deputados, que investiga, desde fevereiro de 2012, a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Presidida pela deputada Erika Kokay PT-DF) e tendo com relatora a deputada Liliam Sá (PSD-RJ), a CPI sairá da capital federal no domingo à noite, em um jato da Força Aérea Brasileira (FAB). Os membros descansam em Manaus e no dia seguinte, às 12h, viajam rumo a Coari escoltados por agentes da Polícia Federal do Amazonas. Eles retornarão de Coari no dia 9.

A diligência da Câmara dos Deputados vai investigar novas denúncias de pedofilia contra o prefeito Adail Pinheiro, indiciado pela PF e denunciado pelo Ministério Público por chefiar uma rede de exploração sexual de menores em 2008. Há três anos, também foi pedido o indiciamento do atual prefeito de Coari, pelo menos crime, na CPI da Pedofilia no Senado.

Desta feita, a CPI da Câmara vai averiguar uma denúncia de maio do ano passado, quando Adail Pinheiro estava em campanha para retornar à Prefeitura de Coari. Maria Edsandra da Silva Lins, 41, moradora do bairro Santa Efigênia, registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Interativa de Polícia de Coari. Ela comunicou ao delegado Osvaldo Figueiredo Maia que a filha dela, J. L, de 12 anos, vinha sendo constantemente aliciada pela prima J., também menor de idade, que queria levar a garota para ficar com Adail Pinheiro. “Que um tal Anselmo, segurança de Adail, era o elemento que ia até J., para tentar levar a menor J.L para o senhor Adail”, relatou a mãe à polícia.

Um dos requerimentos aprovados na CPI da Câmara autoriza o depoimento do delegado de Polícia Civil, Osvaldo Maia pelo fato de ele não ter tomado providências a respeito da ocorrência. O policial teria dito: “O Adail é um doente e todo mundo sabe disso, eu tenho mais o que fazer”.

Prefeito convocado a depor

Nos dois dias que a CPI da Pedofilia vai permanecer em Coari, serão ouvidas a senhora Maria Edsandra da Silva Lima, as menores J.L e J, o ex-secretário de administração de Coari Adriano Salam e o próprio prefeito Adail Pinheiro. Os membros da CPI também colherão depoimentos de diversas vítimas de abuso sexual na cidade.

No caso de o prefeito não comparecer à sessão de depoimentos, a presidente da Comissão, deputada Erika Kokay, é incisiva: “Ele não foi convidado, mas está sendo convocado a prestar os esclarecimentos necessários”. A deputada disse ainda que a CPI pode requisitar as forças policiais para que ele preste depoimento. “O prefeito não tem o direito de não querer depor na comissão. Se ele se negar a fazê-lo, a CPI pode recorrer às forças policiais e o prefeito será obrigado a prestar esse depoimento seja em Coari ou em Brasília”, declarou a parlamentar.

‘Seremos implacáveis’, afirma deputada

Mostrando-se conhecedora dos fatos que vêm ocorrendo em Coari nos últimos anos, a presidente da CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, deputada Erika Kokay, promete ser implacável com os responsáveis e envolvidos com pedofilia no município. “É bom que o prefeito (Adail Pinheiro) saiba: Se ele tiver envolvimento, se os indícios forem tão robustos quanto nos parecem, nós seremos implacáveis com esse crime e não estaremos suscetíveis a qualquer nível de influência política ou econômica. Estamos indo a Coari para poder investigar e contribuir para eliminar e enfrentar a exploração sexual de crianças e adolescentes praticada por quem deveria ser responsável para proteger nossos meninos e meninas”, disse Erika Kokay.

Para a parlamentar, a impunidade naturaliza a exploração sexual de crianças e adolescente e o grande desafio é romper com essa impunidade.

Inquérito da Operação Vorax 

A CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes  da Câmara dos Deputados já recebeu o inquérito da Operação Vorax, da Polícia Federal, protegido por segredo de Justiça. Além de Adail e de seus assessores, a PF realizou gravações de seis magistrados do Amazonas, entre juízes e desembargadores.

Grupo pressiona Justiça Eleitoral por Julgamento

Um grupo de manifestantes do Movimento Independente  - Manaus na mudança do Brasil está convocando para hoje, às 14h, um protesto em frente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), dia em que os juízes da Justiça Eleitoral do Amazonas devem julgar o recurso especial da coligação “Coari tem Jeito”, derrotada nas últimas eleições, que pede a anulação do diploma do prefeito Adail Pinheiro. Durante o julgamento, os manifestantes prometem dar um “abraçaço” no prédio onde funciona o TRE-AM.

Em outra frente de ação, os opositores do prefeito Adail Pinheiro também estão conclamando a população de Coari e todo o Brasil a assinar uma petição on line no AVAAZ.org, destinada à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia.

O pedido é pára que o tribunal julgue o recurso especial do Ministério Público Eleitoral que também pede o indeferimento da candidatura de Adail Pinheiro por ele se enquadrar na Lei da Ficha Limpa (LC nº 64/90).

O prefeito tem duas condenações no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), duas no Tribunal de Contas da União (TCU) e ainda uma condenação no TRE-AM por abuso de poder econômico e político. O processo, que segundo o advogado Flávio Britto está pronto para ir a julgamento, encontra-se nas mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.

O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP), informou, ontem, por meio de sua assessoria de comunicação, que, embora não tenha sido comunicado oficialmente sobre o assunto, receberá a todos que forem a Coari com muita tranquilidade. Disse que o assunto está superado porque já prestou depoimento no Senado e nada ficou comprovado contra ele. Adail disse ainda considerar que foi inocentado pela própria população que o elegeu pela terceira vez, no ano passado.

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