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CPI da Pedofilia: Adail Pinheiro recorre à Justiça

Prefeito de Coari entrará com ação civil pública por improbidade administrativa contra a presidente da CPI, Érika Kokay 16/07/2013 às 08:04
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O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (à direita), quando foi ouvido, em 2009, em Brasília, na CPI da Pedofilia
Lúcio Pinheiro ---

Depois de faltar à convocação para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP), se voltou contra a presidente da comissão, deputada federal Érika Kokay (PT-DF), e informou, nesta segunda-feira (15), que vai ingressar com uma ação civil pública por improbidade administrativa contra a parlamentar petista.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Comunicação de Coari informou nesta segunda-feira que o advogado do município, Antonio Batista, foi à Brasília, nesta segunda-feira, “tomar as medidas jurídicas cabíveis em relação às irregularidades cometidas durante as diligências da CPI em Coari”. No texto, o advogado classifica a CPI de “circo”, e afirma que o dinheiro público empregado pela comissão para se deslocar à cidade foi gasto indevidamente, pois teria atendido apenas aos interesses de opositores do cliente dele.

“Tudo à custa do Governo Federal para participar de um circo montado pela comissão, a serviço de um grupo político que perdeu a última eleição no município e não aceita o resultado das urnas”, ataca Antonio Batista, na nota.

O advogado avisa ainda que, além da ação por ato de improbidade administrativa contra Érika Kokay, vai apresentar uma notícia-crime na Procuradoria da República, também em Brasília, contra o presidente da Assembleia Legislativa (ALE–AM), deputado Josué Neto (PSD), por ter custeado a logística da CPI no Amazonas.

O deputado Luiz Castro (PPS), que acompanhou a CPI no município também virou alvo de Adail. Antônio Batista disse vai denunciar o parlamentar. Mas não diz que crime Castro teria cometido. Foi o deputado que levou ao conhecimento da comissão a denúncia de que o prefeito de Coari teria tenta encontro com uma menina de 12 anos, no ano passado.

Com depoimento marcado para o dia 9, na própria sede do município, Adail não compareceu. Como justificativa, as assessorias de comunicação e jurídica dele apresentaram cópias de um atestado médico, informando que o prefeito se encontrava internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Segundo o documento, Adail teria sido submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal. Alegando respeito ao sigilo médico, a assessoria de imprensa do hospital paulista não quis confirmar se a cirurgia foi mesmo realizada. E nem se o prefeito esteve internado no Sírio-Libanês. “Respeitando o sigilo médico exigido pelo código de ética, o Hospital Sírio-Libanês só pode fornecer tais informações diretamente aos seus pacientes”, respondeu a assessoria, em e-mail enviado pela reportagem.

Adail teve alta no dia 11. De acordo com o a Secretaria de Comunicação do Município de Coari, o prefeito estava em Brasília, ontem, acompanhando o trabalho do advogado Antonio Batista.

De acordo com a Secretaria de Comunicação, se não houver nenhum imprevisto na recuperação da cirurgia, Adail voltará para Coari nesta terça-feira (16) ou nesta quarta-feira (17).

Tática é antiga, diz deputada

A presidente da CPI que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes, deputada federal Érika Kokay, disse nesta segunda-feira, em entrevista A CRÍTICA, por telefone, que a “tática” utilizada por Adail Pinheiro é velha e típica de quem tem dificuldade para provar inocência. “É uma estratégia do prefeito para colocar uma cortina de fumaça na gravidade das acusações contra ele”, afirmou Érika.

A deputada disse ainda que ao querer reduzir o trabalho da CPI a uma briga política local o prefeito mostra que não conhece nada de direito de criança e adolescente. Nem de legislação. “É a velha tática dos que não têm como se justificar, e tentam transformar a vítima em algoz”, afirmou a parlamentar.

Érika Kokay afirmou que não manteve nenhum contato com opositores de Adail na cidade. E que a relação entre a CPI e a ALE-AM, assim como com o deputado Luiz Castro (PPS), foi institucional. “O deputado, que levou denúncias à comissão, no dever funcional dele, apenas acompanhou os depoimentos, mas em nenhum momento se manifestou ou pediu a palavra”, disse a deputada.

Érika Kokay disse que o auxílio da ALE-AM à CPI foi no deslocamento da equipe da comissão entre aeroportos e hotel, em Manaus: “O que nos interessa é investigar os fatos que apontam para um esquema de abuso sexual de crianças e adolescentes”.

Membros da CPI têm reunião nesta terça-feira

A CPI a Pedofilia realiza nesta terça-feira (16), em Brasília, a primeira reunião, após a passagem por Coari. A comissão investiga denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o Brasil.

Segundo a presidente da CPI, Érika Kokay, provavelmente em agosto, a comissão retorna ao Amazonas. E vai ouvir quem não foi encontrado pela Polícia Federal para ser intimado.

Oito pessoas ligadas ao prefeito Adail Pinheiro e acusadas de integrar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes deixaram de ser intimadas porque os policiais federais não conseguiram localizá-las.

A presidente da CPI já adiantou que, além de Coari, a comissão vai investigar também casos de pedofilia em São Gabriel da Cachoeira e em Manaus.

Em Manaus, o alvo será a operação Estocolmo, realizada pela Polícia Civil. O advogado de Adail, Antônio Batista, disse que a CPI deveria voltar suas atenções para esses casos, e não para o cliente dele.

“Se a CPI quisesse realmente investigar denúncias   de exploração sexual de crianças e adolescentes e pedofilia, teria ficado em Manaus para apurar a operação   realizada pela Polícia Civil, no ano passado, e que resultou na denúncia de pelo menos 40 empresários, políticos e funcionários públicos suspeitos de envolvimento neste crime”, afirmou o advogado, em nota.

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