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CPI da Pedofilia diz que vítimas mudaram depoimento com a promessa de receber R$ 500 mil

Garotas exploradas sexualmente no interior do Amazonas voltam atrás e mudam depoimentos já dados à Justiça. Para "vender" e alterar declarações, elas teriam recebido apartamentos em Manaus e a quantia de R$ 500 mil 14/11/2014 às 12:51
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CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa fez denúncias
VINICIUS LEAL* Manaus (AM)

Duas garotas vítimas da rede de exploração sexual de Coari, município no interior do Amazonas, voltaram atrás e modificaram depoimentos, com versões diferentes das apresentadas anteriormente à Justiça. A suspeita é que as garotas tenham sido coagidas ou receberam algum tipo de vantagem para alterarem declarações feitas ao Tribunal de Justiça e o Ministério Público.

A denúncia foi feita na manhã desta sexta-feira (14) por deputados estaduais que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). Segundo os parlamentares, as mudanças nos depoimentos foi uma suposta "estratégia" de pessoas ligadas ao ex-prefeito de Coari Adail Pinheiro, acusado de liderar o esquema.

Conforme o presidente da CPI, deputado Abdala Fraxe, duas garotas, naturais de Coari, e que foram exploradas pela rede de pedofilia comandada por Adail, foram pressionadas a "venderem" declarações em troca de pagamentos na faixa de R$ 500 mil, que ainda não foram entregues, e dois apartamentos localizados em Manaus.

As alterações nos depoimentos favorecem diretamente Adail Pinheiro e outros acusados de integrarem a rede de pedofilia em Coari, a maioria ex-funcionários da Prefeitura do município, e que atualmente estão presos e respondem a processos judiciais. Conforme os deputados, mais vítimas estão sendo coagidas e recebendo propostas para mudar depoimentos.

As duas garotas que ganharam apartamentos eram adolescentes na época que foram aliciadas pela rede de exploração sexual, entre 2008 e 2009, e que hoje são adultas, compõem o rol de testemunhas do processo judicial mais recente contra Adail Pinheiro e os outros integrantes da rede, de fevereiro deste ano.

De acordo com os parlamentares, as duas vítimas entregaram as novas declarações em papel, escritas à mão, negando e modificando informações dadas seis meses atrás à Justiça. Segundo Abdala Fraxe, a reversão nos depoimentos atinge tanto a CPI local quanto a Comissão em trâmite no Congresso Federal, liderados pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

Além de Fraxe, os deputados Luiz Castro, José Ricardo, Conceição Sampaio e Orlando Cidade compõem a CPI da Pedofilia da ALE. Eles pretendem se reunir com a presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Graça Figueiredo, para tratar sobre a suspeita de "compra" de depoimento das vítimas e sobre o trâmite dos processos que citam Adail e os outros envolvidos no esquema.

*Com informações da repórter Janaína Andrade

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