Terça-feira, 30 de Novembro de 2021
Infraestrutura

Cratera em beco no bairro Compensa causa transtornos e até perigo de morte para moradores

Comunitários se reuniram para protesta contra a falta de obras naquela área. Segundo relatos, uma criança quase morreu ao cair naquela cratera



WhatsApp_Image_2021-08-16_at_16.52.18_FD2D15FB-7AC9-4AAD-8D73-F07CE8985EEA.jpeg Foto: Junio Matos
16/08/2021 às 17:12

Moradores do Beco Adelino Magalhães, no bairro Compensa, se reuniram na manhã desta segunda-feira (16) em protesto por melhorias de saneamento básico nas redondezas da comunidade. Conforme os populares, desde o início do ano uma cratera tem impedido a circulação do sistema de esgoto dos moradores do beco.

Segundo a moradora Deisiane Lima, o buraco se encontra na frente de uma edificação que já foi interditada pela Defesa Civil de Manaus e que o próprio órgão visitou para fazer a interdição. No entanto, o trabalho não foi concluído.

"Tem uma obra aqui perto que a Prefeitura já veio, já escavou e deixou aberto. A casa já foi condenada pela Defesa Civil e mesmo assim o buraco está aberto. Com a chuva, o barro caiu dentro do buraco e entupiu. Já tem dois dias que estamos com o beco alagado. Essa água não é mais da cheia, não é do rio. É só a água que não está passando", comentou a moradora.

Deisiane teme as possíveis doenças que sua família e os demais moradores podem acabar contraindo devido à exposição ao esgoto.

"Não tem como deixar assim. As crianças caem dentro dessa lama. Estamos sendo prejudicados com a falta de segurança contra doenças, como aquelas que vem de ratos, que sobem nas casas. Esse buraco já existe há mais de cinco meses. Foi no começo do ano que teve uma chuva que alagou todo o beco. As águas inundaram as casas da comunidade. Nosso medo é que isso aconteça de novo e a água que já está num nível grande. Se chover, vai nos prejudicar muito", disse a moradora.

A dona de casa, Naiara Santos, conta que uma criança, de aproximadamente três anos, chegou a cair na água e se afogar.

"A filha da vizinha quase morreu afogada ao cair dentro da água. Se o pessoal não fosse mais rápido, ela teria morrido. Ela foi puxada pelos cabelos porque foi a única forma de conseguir salvar. Ela já estava indo para debaixo da casa. Isso me atormenta porque eu também tenho um filho de três anos que quase caiu aí uma vez", relata Naiara.

A moradora daquela área comenta ainda que no período de enchente acabou perdendo diversos móveis e teme que isso aconteça novamente.

"A minha casa, quando alagou, perdi muita coisa, muitos móveis, como guarda-roupa, camas. É difícil a gente construir a nossa casa, conquistar nossas coisas e por causa de um buraco entupido, perder tudo o que temos", comentou Naiara.

REPRESÁLIAS

Policiais militares que estavam fazendo patrulhamento no local retiram as barricadas que foram colocadas na avenida Brasil pelos moradores. Os populares afirmaram a reportagem da A CRÍTICA que a equipe policial chegou até intimidá-los.

"Eles chegaram falando que não era pra tacar fogo e nem fazer baderna porque se não todos nós iríamos presos. Mas essa é a nossa forma de chamar atenção da sociedade, dos órgãos públicos, porque ninguém quer nos atender. Isso é um direito nosso. Mesmo morando em um beco, nós pagamos impostos", destacou uma das moradoras, que preferiu não se identificar.

A CRÍTICA solicitou nota da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) sobre o ocorrido e aguarda o posicionamento. A equipe de reportagem também procurou a assessoria da Defesa Civil do município e questionou sobre a situação apontada pelos moradores.



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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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