Sábado, 07 de Dezembro de 2019
MERCADO

Cresce número de brasileiros que optam por trabalhar em casa

Segundo pesquisa do IBGE, 4,5 milhões de brasileiros completam sua renda sem sair de casa e a maioria deles é mulher.



show_office-work-1149087_960_720_77237474-24C8-46FE-B318-58057F185CCD.jpg Foto: Reprodução
25/10/2019 às 09:51

O número de brasileiros que trabalham em casa cresceu 36% desde 2018 até o primeiro trimestre deste ano. É o que aponta uma pesquisa feita pela consultoria iDados, com base nas informações disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 São mais de 4,5 milhões de brasileiros que geram ou complementam sua renda sem sair de casa. A maioria é de mulheres que contabilizam quase 69% do total desses trabalhadores.



Como Lene Matos que é formada em enfermagem, mas descobriu seu dom para os negócios quando começou a revender cosméticos e semijoias, de onde obtém toda sua renda.

Ela está buscando o registro como Microempreendedora Individual (MEI) e realiza cursos para alavancar as vendas e conquistar mais clientes. “Estou fazendo cursos do Sebrae para me registrar como MEI, e conseguir mais benefícios como pessoa jurídica. Já, consegui comprar um carro e agora posso ir a casa das clientes, mas muitas delas ainda se dispõem a vir a minha residência”, explicou.

Informalidade

O levantamento também aponta que 27,1% das pessoas que optam por trabalhar em casa não têm instrução e ganham menos que um salário mínimo. Muitas delas fugindo do desemprego, que apesar do recuo ainda atinge 12,6 milhões de brasileiros.

Uma das opções desse contingente é atuar como MEI, a exemplo de Lene Matos. O analista técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/AM), Daniel Azevedo, explica que são mais de quatrocentos perfis de profissionais que podem ser cadastrados como MEI.

Ele destacou as vantagens de ter a chamada ‘cidadania empresarial’. “Ele passa a ter os mesmos direitos que uma empresa teria como abrir conta como pessoa jurídica, a obtenção de crédito a tirar o alvará de funcionamento fazer compras de mercadorias de outros estados”, esclarece.

O Amazonas contabilizou 76.300  microempresas cadrastradas, até o mês passado, no Portal o Empreendor.

Empresas mais flexíveis

Outro dado significativo é que o número de empresas que adotam o home office (escritórios em casa) cresceu 35% e as que possuem regimes diferenciados de horário agora são 62%. Também houve aumento de 1,3% da quantidade de pessoas que ganham mais de cinco salários mínimos que optam por realizar suas atividades em casa.

A desenvolvedora de produto do Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), Luana Lobão, trabalhou neste formato por um mês. Ela relatou  que entra as vantagens as vantagens de trabalhar em casa está a liberdade, a economia de tempo com o trânsito, e a diminuição das distrações ao longo do dia.

Já as desvantagens seriam a falta dos companheiros de trabalho, a demora para resolver questões ao telefone, além do acesso a recursos e serviços que estão apenas na empresa, como arquivos.

Ela confessa que optou por não pedir auxílio da empresa para pagamento das despesas, como gastos como luz e internet.

“Sinceramente, penso que isso é uma escolha pessoal. Então eu acho que o custo fica por conta do funcionário mesmo. Não sei se a empresa deveria ser obrigada a pagar isso. Nem passou pela minha cabeça pedir esse tipo de ajuda”, declara.

Cresce o mercado de freelancers

A quantidade de profissionais com ensino superior que trabalham em domicílio subiu 3% no mesmo período. E esse crescimento foi notado também pela empresa Workana.

A plataforma que facilita a relação entre os freelancers e as empresas identificou um aumento de 30% de negócios realizados pelo market place.

No levantamento foi possível identificar que a categoria mais contratada é a de TI e Programação, com 46,8% dos projetos, seguida de Design e Multimídia, com 24,8% e Tradução e Conteúdo, 13,8%.

A procura por freelancers é para o Country Manager da Workana no Brasil Daniel Schwebel, uma tendência nas empresas, mas que apesar da liberdade o trabalhador deve ficar atendo no cumprimento das suas funções.

“As empresas estão enxergando a possibilidade de contar com talentos externos de maneira rápida para projetos pontuais, agilizando alguns processos”, explicou.

Números

38,8 milhões de trabalhadores informais no Brasil. Segundo dados do IBGE, esse é o recorde de  empregos sem carteira assinada. Eles geram mais postos do que os formais no país.

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