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Cotidiano
Música na nuvem

Crescimento do 'streaming' liquida indústria fonográfica e abre um novo mercado

O mais novo desenvolvimento em um mercado que acompanha frenéticas revoluções desde a ascensão do MP3 teve impacto profundo na renda de gravadoras, artistas e empresas que fabricam mídias físicas 25/06/2016 às 21:52 - Atualizado em 26/06/2016 às 15:49
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O professor Igor Michel é um dos consumidores que, a despeito da tendência da indústria em migrar para plataformas digitais, continua apostando na mídia física (Foto: Clóvis Miranda)
Lucas Jardim Manaus (AM)

Independente de condições meteorológicas, o futuro da música está cada vez mais migrando para a “nuvem” digital. O sucesso das plataformas de reprodução musical na web, os chamados serviços de “streaming”, é o mais novo desenvolvimento em um mercado que acompanha frenéticas revoluções desde a ascensão do MP3 no início da década de 2000. 

Quem tem pago o preço são tanto as gravadoras e artistas, que ainda têm críticas quanto aos novos modelos de negócio do setor, quanto as empresas que fabricam mídias físicas como CDs, DVDs e Blu-Rays, que experimentam quedas vertiginosas de produção nos últimos anos.

A produção dessas mídias na Zona Franca de Manaus (ZFM), origem da maior parte do suprimento nacional desses produção, perdeu muito do volume com a digitalização da música e dos filmes.

Para mérito comparativo, segundo a Superintendência da ZFM, a Suframa, cerca de 27,4 mi CDs foram produzidos no polo industrial amazonense em 2015, menos da metade dos 55,7 mi que foram produzidos apenas em um único mês em 2010 (no caso, março).

Gigantes do setor tiveram que mudar suas principais fontes de receita, com a Videolar, que ganhou renome produzindo mídias físicas, passando a fabricar resina após a aquisição de uma indústria petroquímica.

Essa mudança acompanha o comportamento de consumidores como a designer Bárbara Gonçalves, que abraçou as plataformas digitais. “Acho que não só a variedade que essas plataformas oferecem, mas também a facilidade com que eu tenho acesso a um número enorme de músicas. Além disso, se você tem muitos CDs, eventualmente você acumula e você gera uma questão de espaço, espaço que eu preferiria destinar a outras coisas que não empilhar discos”, disse Bárbara.

A questão econômica também pesou para a estudante: enquanto um CD sai, em média, R$ 30 mesmo na atual recessão econômica, a assinatura de um serviço de “streaming” como o Spotify permite o acesso a milhares de CDs por R$ 14,90 mensais.

“Antes, eu chegava a comprar vários álbuns por mês. Hoje, eu compro algum que eu escute muito, de um artista que eu aprecio mais que os demais, o que provavelmente dá um por semestre”, comparou.

O físico resiste

A opção por se comprar mídia física apenas de artistas prediletos é uma prática que deve se tornar cada vez mais comum: lançamentos arrasa-quarteirão na parada americana, a Billboard, neste ano foram de discos de artistas que com um séquito entusiasta de fãs, como Beyoncé e Adele (esta última, por exemplo, manteve seu mais recente “25” fora das plataformas de “streaming” até anteontem).

“Eu acho que isso deve se tornar mais frequente e que a repaginação de conteúdo, com versões diferentes de álbuns feitas para agradar os fãs, virará mais regra do que exceção. Eu, pessoalmente, compro CDs porque gosto de senti-los em mãos, checar as fotos do encarte, ver todo o trabalho envolvido naquele produto. Quando um artista que eu adoro lança algo novo, eu tenho prazer em sair da minha casa, ir até a loja, comprar aquele disco, ouvi-lo todo uma vez, ouvir várias vezes depois. É importante”, disse o professor Igor Michel.

“Pra mim, a mídia física é um modo de vida. Além de comprar para mim, eu ainda compro para dar de presente. Eu sou uma pessoa antenada com novas tecnologias, pesquiso um pouco a ligação da literatura com o vídeo e com a dança, por exemplo, mas me apaixono pelo tradicional”, disse a professora Fátima Souza, que disse abrir espaço para o CD inclusive na sala de aula, em especial, no interior do Amazonas, um lugar bastante desconectado da web. Em Manaus, apenas a Livraria Saraiva possui uma seção de discos. Apenas uma unidade das lojas Bemol, antes tradicional, mantém esta seção atualmente.

Tendência já invade mercado de carros

A tendência de mercado que vê consumidores migrando cada vez mais para longe das mídias físicas e abraçando plataformas digitais de consumo de música já tem influenciado o setor automobilístico.

A nova coqueluche entre os lançamentos desse segmento envolve a inclusão de uma central multimídia, que permite que o usuário faça uso de vários aplicativos, como o Waze e o próprio Spotify.

Enquanto alguns dependem de um dispositivo móvel, como um smartphone, para parear e transferir as funções desses aplicativos para a central do veículo, carros mais recentes já têm investido em sistemas que funcionem de forma independente, rodando seus próprios aplicativos e deixando o usuário totalmente livre para usar o telefone como quiser. 

Cada montadora dá um nome próprio às suas centrais multimídia: a da Ford se chama Sync AppLink; a da Wolkswagen, Connect; e a da Nissan, MultiApp, por exemplo. Todas elas, no entanto, tem funcionalidades similares e todas buscam facilitar o acesso de mídia pelo motorista, em especial, música.

Nesse sentido, algumas delas até criaram suas playlists, como a Ford, que lançou três playlists no Spotify em abri, inspiradas em campanhas do Ka, do New Fiesta e da Ranger.

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