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Cotidiano
Mazelas da Saúde

Criada há 38 anos para abrigar hansenianos, Casa Andrea agoniza com a falta de apoio

Instituição localizada no bairro Coroado 2 vive sérios problemas financeiros; estudantes universitários alertam para problema em projeto acadêmico que será apresentado durante a semana 24/09/2016 às 07:50
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Um projeto acadêmico envolvendo 45 estudantes do 4º período de Serviço Social da faculdade Unip, da disciplina “Supervisão de Estágio Acadêmico”, por ocasião dos festejos de 13 anos do Estatuto do Idoso vai enfocar, no próximo dia 27, a lamentável situação da Casa Andrea do Amazonas, uma sociedade de amparo a hansenianos que existe há 38 anos na capital e que fica localizada na rua Brasil, nº 40, Coroado 2. Criada para abrigar pessoas acometidas da doença quando em tratamento em Manaus, a instituição já viveu tempos bem melhores e, hoje, agoniza lentamente.

“O projeto é uma ação social que escolheu instituições que estão em estado de vulnerabilidade social e que acolhem idosos. Como vem aí o aniversário do estatuto dos idosos, e como conhecemos o trabalho desenvolvido na Casa Andrea, que vive em situação difícil e está esquecida, decidimos abordar a instituição nessa atividade da faculdade. A Casa Andrea existe há mais de 38 anos e acolhe pessoas do interior para tratamento com hanseníase, cujo tratamento é longo. As pessoas vinham de outras cidades e ficavam acolhidas nas casas de familiares que, por preconceito, os abandonavam. E há idosos que vivem lá esquecidos pela sociedade, o que contraria o estatuto que cobre as garantias e direitos deles”, disse a universitária Andrea Paixão, que integra a comissão de acadêmicos. 

Na apresentação do próximo dia 27, os acadêmicos vão falar das particularidades da casa e das condições de vivência das pessoas que vivem provisória, ou já há alguns anos, naquela entidade, atrás de doações. Idosos da Universidade da Terceira Idade (Unati) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) estarão presentes quando da apresentação dos alunos. 

A Casa Andrea nasceu da abnegação de populares que decidiram criar uma entidade assistencial que abrigasse os hansenianos em trânsito por Manaus. Localizada sempre no mesmo local, a instituição começou como uma sede de madeira, e chegou até mesmo a ter convênios com o Governo do Estado para a manutenção das atividades, bem como veículos como kombis e caminhonetes para o transporte dos pacientes a unidades de saúde como o da Fundação Alfredo da Matta. 

Hoje, de acordo com Neuton Dione, presidente da Casa Andrea, o único apoio governamental vem da Prefeitura de Manaus, que ajuda com o pagamento da energia elétrica. A mesma sorte não houve com as despesas astronômicas do consumo de água. “Estamos com uma dívida que vem desde 2007 e que, hoje, está na casa dos R$ 71.000.

Uma das histórias mais curiosas é a do cearense José Rodrigues da Silva, 70: ele trabalhou em vários serviços de copa e almoxarifado, até sofrer os males da hanseníase, virar paciente e, há 3 anos e meio passar a residir no local. “Já tivemos tempos melhores aqui. Tínhamos mais apoio. Hoje, estamos abandonados. Já vi muitas pessoas morrerem”, lamenta ele, que tem o lado direito do corpo comprometido após um derrame.

Se você está disposto a ajudar a causa da Casa Andrea, pode entrar em contato com a instituição pelo fone 99222-4165, do presidente Neuton Dione. Se preferir ajudar com depósitos em dinheiro, o dirigente informa que o número da conta corrente da entidade, do Banco Caixa Econômica, é 38607-2, agência 1043, operador 13.

Frase

"Cada pessoa que fica aqui paga R$ 150 mensais. Estamos com 10 pessoas atualmente. É como mantemos a entidade” (Neuton Dione, presidente da Casa Andrea) 

Blog

Raimundo Prata
Paciente da Casa Andrea

Sou natural do Município de Humaitá, mas morava em Porto Velho até me mudar para Manaus para fazer tratamento da hanseníase. Estou curado, mas recentemente perdi parte da minha perna direita (ele sofreu um câncer e a parte do corpo teve de ser amputada). No momento estou aguardando por uma prótese que me foi prometida, mas que, até agora não veio. Minha família não me quis mais, me abandonou, tem medo de mim. Nossa situação aqui é muito difícil. Só eu e outro rapaz atuamos como zeladores daqui. A casa vive só de doações. Só Deus que olha por nós, pois o governo não olha e não sabe a nossa situação. Estamos passando o pão que o diabo amassou sem remédio e sem médicos”.

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