Publicidade
Cotidiano
Crime organizado

Crime organizado faz população refém da insegurança

Poderosos grupos que agem com mãos invisíveis atuam desde a venda de droga a contrabando de remédio para impotência 01/09/2013 às 16:23
Show 1
Edifício-garagem da ALE-AM, foi objeto de investigação do Centro de Combate ao crime Organizado do MP-AM
Joana Queiroz Manaus

Autoridades  ligadas à Justiça e à segurança pública admitem a existência de organizações criminosas atuando no Amazonas, especialmente em Manaus. O superintendente da Polícia Federal no Estado, Sérgio Fontes,  e o delegado Mauro Spósito garantem que as organizações criminosas estão praticamente em todas as áreas, porém as principais estão voltadas para o narcotráfico  e estas são as mais nocivas.

Os delegados dizem que há organizações dedicadas ao contrabando, ao ingresso de produtos montados na Zona Franca, como sendo matéria prima, contrabando de remédio para disfunção erétil, com a participação de redes de farmácias, fraudes fazendárias, de biopirataria e outras que eles dizem não poder falar por estarem sob investigação.

Segundo Fontes e Spósito, os grupos são poderosos e violentos, cujos integrantes raramente aparecem. Eles  não transportam drogas, não vão para dentro dos presídios e são capazes de corromper poderes por meio do dinheiro e ainda têm alto poder de infiltração nas mais elevadas instituições públicas e privadas.

Contudo, o coordenador do Centro de Combate ao crime Organizado (Caocrimo) do Ministério Público Estadual (MPE), o promotor de Justiça  Fábio Monteiro, lembra que há as  que estão arraigadas na administração públicas produzindo grandes danos à sociedade, algumas  funcionam dentro das prefeituras fraudando licitações.

Fontes e Spósito explicaram  que as dos narcotraficantes, aparentemente, são as mais organizadas. Elas têm hierarquia, área de domínio e um único objetivo,  ganhar dinheiro fácil. “O mais deprimente é o que acontece nas fronteiras, onde eles usam os coitados dos ribeirinhos como mulas, seduzem pessoal humilde  com a promessas de que vão ganhar R$ 5 mil para transportar droga e essas, na maioria das vezes acabam sendo presas. É a contaminação do tecido social”, diz Spósito.

Spósito explica que as organizações de narcotraficantes são voláteis. Quando um membro é preso, os outros se organizam e dão continuidade às suas atividades.  Ele cita como exemplo a organização comandada pelo peruano Jair Ardela Michue, o ‘Javier’ , preso pela Polícia Federal na Operação Ilhas em março de 2011. A organização era peruana, mas tinha ramificações no Amazonas.

Além de Javier foram presos foram presas mais 14 integrantes de sua organização. Todos ainda estão na cadeia, mas o grupo continua operando.  Entre os crimes atribuídos ao narcotraficante estão os assassinatos dos agentes federais Mauro Lobo  e Leonardo Yamaguti, em novembro de 2011, durante uma abordagem policial no rio Negro.

Uma outra organização criminosa ligada ao narcotráfico já dura mais de duas décadas  é comandada pelo amazonense Antonio Mota Graça, o “Curica”, um dos mais poderosos que segundo a polícia mantém contato  diretamente com os cartéis da Colômbia e movimentam grandes partidas de cocaína, sempre na casa da tonelada. Ele foi preso acusado de ligação com uma carga de cocaína avaliada em 50 milhões de reais.

O delegado Spósito, que não reconhece a facção criminosa Família do Norte (FDN) como uma organização criminosa, diz que esse grupo é apenas  um braço operacional das grandes organizações. São seus membros que recepcionam os transportadores  que trazem droga do Peru e Colômbia para Manaus. Aqui  funciona como um entreposto dessa droga. Parte fica aqui e a maior parte vai para o resto do país e para o exterior.


Publicidade
Publicidade