Domingo, 19 de Maio de 2019
TRÁFICO DE DROGAS

Crime organizado no AM ficou enfraquecido com prisões da FDN e apreensões de drogas

Em 2016, recordes de apreensões de entorpecentes e prisões de comandantes diminuíram o poder de fogo da facção Família do Norte



1177906.JPG
“João Branco”, membro do “conselho” da FDN, foi preso em fevereiro deste ano (Foto: Evandro Seixas)
31/12/2016 às 13:38

Depois de ser incluído na lista de procurados da Interpol, a chamada “Red Notice” (difusão vermelha em inglês), período em que foi caçado em 188 países e considerado como o procurado número 1, o narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, encerrou a sua carreira de fugitivo em fevereiro deste ano, quando foi preso pela Polícia Federal em Rondônia, enquanto tentava entrar no Brasil com documentos falsos.  O membro do “conselho” da facção criminosa Família do Norte (FDN) foi submetido a cirurgias plásticas que modificaram o seu rosto.

A captura do narcotraficante representou para os órgãos de segurança do Amazonas o enfraquecimento da FDN, a maior facção criminosa da história do Estado, que tinha como lideranças principais os traficantes José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, Gelson Carnaúba, além de João Branco. Todos estão presos em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) em presídios federais.

João Branco estava foragido desde outubro de 2014, depois de ter comandado e participado diretamente da execução com mais de 20 tiros do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso, apenas um dos crimes praticado por ele, classificado pelo Ministério Público Estadual (MP-AM) como cruel e de motivação fútil.

O narcotraficante também foi alvo da operação La Muralla, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2015, com objetivo desarticular a estrutura FDN na capital amazonense, porém ele não foi localizado no dia. A investigação do Departamento de Repreensão a Entorpecentes (DRE) da PF acreditava que o traficante se encontrava na Venezuela, protegido por outros criminosos de lá.

João Branco era uma das últimas lideranças da FDN que não estava atrás das grades, desde que fugiu do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em 2014. O julgamento dele pelo homicídio do delegado Oscar Cardoso, que deveria ter acontecido no dia 12 de dezembro deste ano, foi adiado e deverá acontecer no primeiro semestre de 2017.

Facção enfraquecida

A desarticulação da facção criminosa FDN, que por quase dez anos manteve praticamente o monopólio do tráfico de drogas no Estado – e ordenava a execução de vários assaltos e homicídios – abriu espaço para novos traficantes. “Nós já temos estes nomes, porém ainda estamos investigando”, disse o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes.

De acordo com o secretário de Estado de Segurança Pública, Sérgio Fontes, a Polícia Federal e a SSP-AM estão empenhas em impedir que a FDN volte a se estruturar. Ele acredita que o tempo de permanência das principais lideranças da facção nos presídios federais deve ser renovado, e que os traficantes devem permanecer lá por pelo menos por mais um ano. “Estamos fazendo muita força para que o crime organizado não volte a se estruturar no Estado”, disse o secretário.

Grandes apreensões

Aprender droga é uma das ações que mais enfraquece o crime organizado, de acordo com Sérgio Fontes. “Nesse ano, foram feitas grandes apreensões que resultaram na ‘descapitalização’ do crime organizado, que compra a droga de organizações peruanas e colombianas. Mas eles (os narcotraficantes) têm que pagar pela droga que foi apreendida. (descapitalizar). É isso que estamos tentando fazer”.

Superintendente da PF

O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Marcelo Resende, falou sobre as ações em 2016. “Neste ano, mais uma vez superamos nas apreensões de droga e na consolidação de prisões de criminosos que estavam com mandado de prisões em aberto, inclusive alguns da operação La Muralla. Para o ano que vem, vamos recrudescer o combate ao narcotráfico, principalmente nos rios, que têm se tornado cada vez mais perigosos. Já fizemos vários enfrentamentos nas águas, inclusive com perda de vidas de policiais”, disse.

“Nós estamos trabalhando com mais segurança, com equipamentos mais potentes e investindo cada vez mais em equipamentos de investigação. A facção criminosa ‘Família do Norte’ sofreu um grande golpe com a prisão de toda a sua liderança e de seus comandados. Nós vamos continuar combatendo a formação de outros grupos que venham se formar, eles, inclusive, já estão sendo investigados, mas ainda não podemos detalhar sobre isso”, completou Resende.

Outras prisões

Neste ano, outros integrantes que não foram localizados durante a operação La Muralla acabaram depois presos. Em setembro, por exemplo, Luciano da Silva Barbosa, filho “Zé Roberto da Compensa”, um dos principais líderes da FDN, foi preso pela Polícia Civil quando participava de um treino de futebol no campo que fica em frente ao prédio onde funciona o 8º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e a 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), na Compensa, Zona Oeste da cidade.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.