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Crimes de ‘pistolagem’ contra prefeitos no interior do Amazonas ainda sobrevivem

Nas últimas duas décadas, cinco crimes com essas características foram registrados contra prefeitos de municípios do interior 01/03/2016 às 12:06
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Filha do prefeito Cícero Lopes da Silva atribui assassinato dele a adversários políticos e diz que a oposição no município era comandada pelo vice-prefeito Luiz Magno
Aristide Furtado Manaus (AM)

No momento em que a Secretaria de Segurança mobiliza seu aparato policial para desvendar a autoria do assassinato do prefeito de Maraã, Cícero Lopes da Silva (Pros), ocorrido na noite de domingo, a Justiça do Amazonas ainda não conseguiu, depois de 14 anos, levar a juri popular o ex-vice-prefeito de Novo Aripuanã, Hilton Laborda Pinto, apontado pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) como possível autor da morte do ex-prefeito Adiel Meira Santana.

Em comum, os dois casos carregam indícios de crime de pistolagem, com arma de grosso calibre, por suposta motivação política. Adiel Santana foi assassinado com vários tiros de pistola e de escopeta calibre 12, na noite do dia 28 de agosto de 2002, quando chegava, em seu carro, com a namorada, na praça de alimentação do conjunto Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste de Manaus. Cícero Lopes foi atingido por um disparo de uma espingarda do mesmo calibre pelas costas por volta das 19h de domingo em frente à casa dele, em Maraã (a 681 quilômetros de Manaus).

O comandante da Polícia Militar, coronel James Frota, informou ontem que 28 PMs lotados em Tefé e oito membros da Polícia de Choque foram deslocados para Maraã a fim de conter possíveis tumultos da população. “Vamos fazer vistoria de casa a casa, ver se encontra a arma calibre 12. Também fizemos barreira no rio que dá acesso à cidade. E protegemos o vice-prefeito para evitar o problema de se querer fazer Justiça com as próprias mãos. Também estamos protegendo a família do prefeito”, disse James Frota, ressaltando que o clima na cidade é de tensão, mas que não foram registradas manifestações.

Uma equipe da Polícia Civil composta por seis pessoas também encontra-se no município, segundo o delegado da Delegacia Especializada em Homicídios, Ivo Martins. A investigação está sendo conduzida pelo delegado de Polícia Civil Luiz Rocha. “Não descartamos nenhuma hipótese, seja rixa pessoal, seja politica. Estamos trabalhando na colheita de informação”, explicou Ivo Martins sobre a possível motivação do crime. Ao ser questionado se houve testemunha do disparo ele disse que sim, mas preferiu não revelar o nome.

Por telefone, a secretária municipal de governo e filha do prefeito assassinado, Maria Glaciane, informou que o pai estava acompanhado de um neto no momento do crime. A família, segundo ela, defende a tese de que a execução de Cícero da Silva se deu por conflitos com adversários políticos. “Foi crime político. Falta apenas identificar quem foi. Todos os indícios apontam para isso. Por tudo o que vivemos ultimamente. Um grupo de oposição que não media consequência, postava vídeo envolvendo crianças. Já entregamos tudo isso para a polícia”, disse Glaciane. Como adversários do pai, ela citou os nomes do ex-prefeito Gefferson Almeida e o do vice-prefeito Luiz Magno Moraes.

A reportagem ligou para o celular do vice-prefeito (97-991xx-54xx), mas as ligações não foram atendidas.

Ex-prefeito de Manicoré foi vítima

Outro atentado envolvendo figuras políticas do interior do Estado ocorreu no dia 20 de janeiro de 2009 no centro de Manaus. Manoel Oliveira Galdinho, ex-prefeito de Manicoré, foi baleado dentro do próprio carro, na rua Sete de Setembro, por uma dupla de pistoleiros, no momento em que deixava o colégio Santa Terezinha.

No mesmo ano, Galdinho, que havia ficado com a segunda maior votação no pleito de 2008, assumiu o comando do município com a cassação do registro de candidatura do primeiro lugar, Emerson Pedraça.

Por conta dos tiros, Galdino perdeu um dos rins e ficou paraplégico. À época, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) desembargador Ari Moutinho, pediu a Polícia Federal que investigasse o caso, após solicitação do advogado da vítima que suspeitava de motivação política para o atentado, o que nunca ficou comprovado.

Em outubro de 2009, Ronilson Brito de Azevedo e outras oito pessoas foram presas preventivamente acusadas de envolvimento no atentado ao prefeito. Os mandados de prisão foram decretados pela juíza Mirza Telma após pedido do Ministério Público amparado por revelações de escutas telefônicas e quebra do sigilo bancários dos supostos envolvidos. O caso encontra-se na 1ª Vara do Tribunal do Júri em fase de instrução.

Réus de Novo Aripuanã devem ir a júri

A desembargadora Encarnação das Graças Salgado marcou para as próximas sessões da Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ-AM) o julgamento do recurso apresentado pelo ex-vi-ce-prefeito de Novo Aripuanã, Hilton Laborda Pinto, para evitar ir a júri popular.

O recurso, apresentado em outubro de 2014, tenta anular sentença de pronuncia emitida pelo juiz da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Anésio Rocha Pinheiro, na qual afirma que há indícios suficientes para determinar que os réus Hilton Laborda Pinto, Edmundo Barbalho Pinto Júnior (falecido), Olímpio Laborda Pinto, Luiz Otávio Rodrigues Pereira, Raimundo Erasmo Alecrim Ribeiro, Francisco das Chagas de Oliveira e Antônio Péricles Laborda Pinto sejam levados a julgamento.

Mitouso foi condenado por assassinato

O ex-prefeito de Coari Arnaldo Mitouso experimentou os dois lados da moeda. Em agosto de 2011, teve a picape Hilux crivadas de balas, na avenida Torquato Tapajos, próximo à entrada do bairro Novo Israel, Zona Norte de Manaus. Foi atingido no ombro e atribuiu o atentado, à épóca, a adversários políticos.

No dia 22 de novembro do mesmo ano, Mituoso foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), pelo assassinato, em 1995, do então prefeito de Coari Odair Carlos Geraldo. A pena foi de oito anos de prisão. O prefeito recorreu.

Quase um ano depois, no dia 25 de setembro de 2012, o Pleno do TJ-AM, por unanimidade, diminuiu, em seis meses, a punição. A relatora do processo, desembargadora Encarnação das Graças Sampaio, justificou o voto pela redução da pena alegando que o Código Penal prevê esse tipo de medida nos casos em que o criminoso o confessa, atitude cumprida por Mitouso.

Acompanharam esse voto, os desembargadores Domingos Jorge Chalub Pereira, Jorge Lins, Aristóteles Thury, Sabino Marques, Mauro Bessa, Cláudio Roessing, Wilson Barroso, Yedo Simões, Rafael de Araújo Romano, Wellington de Araújo e Graça Figueiredo. Mitouso disputou a eleição em 2012 e ficou com a terceira colocação. Ele também recorreu da condenação.

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