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Cotidiano
SAÚDE

Conheça o crudivorismo, estilo de vida que ganha adeptos e gera polêmica

Doutrina alimentar defende a ideia de que os alimentos consumidos devem ser crus e de origem agrícola 10/06/2018 às 15:30 - Atualizado em 11/06/2018 às 16:19
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(Fotos: Antônio Lima)
Tiago Melo Manaus (AM)

Diz o ditado que “o apressado come cru”. A frase, sempre aplicada com uma conotação negativa a respeito de algo que acaba mal por ter sido feito sem cuidado, agora ganha um sentido positivo graças ao viés do crudivorismo. Essa doutrina alimentar defende a ideia de que os alimentos consumidos devem ser crus e de origem agrícola, evitando que o cozimento ou a fritura altere a forma natural e afete negativamente a capacidade nutritiva da comida.

Criado nos EUA na década de 80, o crudivorismo passou por fases de desconfiança até entrar de vez em dietas nutricionais pelo mundo. Para a culinarista Roberta Freire, de 26 anos, o crudivorismo, do qual é adepta há cerca de um ano, foi uma evolução natural do seu veganismo e  vegetarianismo.

“Foi um processo gradual e difícil. Faz apenas dois meses que parei completamente com o consumo de alimentos cozidos ou fritos. Hoje, a minha dieta é totalmente composta por alimentos crus, como folhas, vegetais, frutas, legumes, grãos, brotos germinados e sementes. Para tanto, tive que dar um restart no meu organismo e fiz um jejum de oito dias à base de água”, afirma ela, que atualmente prepara os pratos crudívoros servidos na Vila Vagalume (Av. Fernão Dias Paes Leme, 80 - Dom Pedro), onde também mora.

Segundo ela, a decisão de adotar o crudivorismo vai além da questão nutricional. Acredita-se que, ao aquecer o alimento acima de 47 °C, ele perde nutrientes, vitaminas e enzimas, transformando-o apenas em uma toxina alimentar. Por isso, é comum entre os crudívoros se referir aos itens da sua dieta como “alimentos vivos”. 

“Eu cheguei a pesar 90kg. Sentia meu corpo pedindo, de forma física e emocional, para que eu parasse de colocar coisas mortas para dentro dele. Mais do que os 30kg que perdi, o crudivorismo me permitiu entrar em contato com a natureza e redescobrir meu próprio corpo”, disse Roberta, que, para abastecer a sua estante e geladeira, também parou de ir a supermercados e hoje faz compras apenas em feiras, hortas e casas especializadas em grãos. 

Cuidados na gravidez

Quem chamou a atenção recentemente foi Mayra Cardi. Grávida de seis meses, a ex-BBB anunciou que vai passar a gravidez comendo segundo as regras do crudivorismo e que sua filha também vai ser adepta da dieta até pelo menos os 8 anos de idade.

“Para aderir ao crudivorismo, não é do dia para a noite; a pessoa que é adepta já foi ou é vegetariana ou vegana. Uma grávida para começar já tem de estar adaptada. O feto necessita de energia , então as grávidas são orientadas para que tenham atenção na gestação com os micronutrientes:  cálcio, ferro, vitamina B, proteínas e Ômega 3”, afirma a nutricionista Adriana Cunha.

A especialista adverte ainda que o crudivorismo deve ser uma dieta complementar e não única, uma vez que existem alimentos que não são totalmente digeridos pelo nosso organismo.

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