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Cunha diz que Dilma mentiu à nação em pronunciamento e que 'barganha' partiu do governo

O presidente da Câmara acatou na quarta-feira pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff e chamará uma reunião extraordinária para dia 7, às 18h, para formação da comissão especial que vai analisar a denúncia 03/12/2015 às 10:29
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O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou o pedido protocolado pelos advogados Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal
Leonardo Goy/Reuters brasil Brasília (DF)

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quinta-feira que a presidente Dilma Rousseff mentiu à nação ao dizer que não aceitaria barganha para tentar evitar deflagração de um processo de impeachment contra ela, e que houve uma proposta de acordo por parte do governo.

Segundo Cunha, o deputado André Moura (PSC-SE) participou de reunião com Dilma na quarta-feira de manhã em que o governo quis vincular apoio de deputados do PT a Cunha em processo no Conselho de Ética da Câmara à aprovação da CPMF no Congresso.

"Quero deixar bem claro que ontem (quarta-feira) a presidente mentiu à nação quando fez o seu pronunciamento. Ela mentiu quando disse que seu governo, e ela, não autorizavam qualquer barganha", afirmou Cunha em entrevista coletiva na Câmara.

"A barganha veio sim proposta pelo governo, e eu me recusei a aceitar", declarou.

O presidente da Câmara acatou na quarta-feira pedido de abertura de processo de impeachment contra Dilma elaborado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, com apoio da oposição.

Em resposta, a presidente manifestou "indignação" em declaração à imprensa e disse que jamais aceitaria qualquer tipo de barganha, em referência a relatos de que Cunha estaria negociando o voto favorável de três deputados do PT no Conselho de Ética em troca de segurar o pedido de impedimento.

A decisão de Cunha foi anunciada no dia em que os representantes do PT no Conselho de Ética anunciaram que votarão pela continuidade do processo que pede a cassação do mandato do presidente da Casa, que é acusado de mentir à CPI da Petrobras por afirmar que não tinha conta bancária no exterior.

Cunha afirmou ainda, nesta quinta-feira, que chamará uma reunião extraordinária para dia 7, às 18h, para formação da comissão especial que vai analisar a denúncia contra Dilma e receber a defesa da presidente. Essa comissão terá 66 deputados titulares e mesmo número de suplentes, todos indicados pelos líderes partidários.

O Palácio do Planalto não quis comentar as declarações de Cunha desta quinta-feira.

Nesta quinta-feira, o deputado Wadih Damous (PT-RJ) disse que encaminhará ao Supremo Tribunal Federal (STF) mandado de segurança para anular a decisão de Cunha de aceitar o processo de impeachment.

Segundo o deputado, o mandado alegará que Cunha estaria abusando de seus poderes de presidente da Câmara, “em desvio de finalidade”.

“Um ato público, praticado por uma autoridade, tem de ter finalidade pública. No caso do ato do presidente da Câmara, a finalidade foi privada. Ele praticou esse ato em retaliação a um posicionamento que o PT vai adotar no Conselho de Ética”, disse o deputado a jornalistas.

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