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Cotidiano
ENSINO SUPERIOR

Curso de licenciatura da Ufam investe na formação de professores indígenas

Criado em 2008, graduação incluiu conhecimentos tradicionais de cada etnia e já está sendo implantado em sete polos no Amazonas 27/05/2018 às 09:40
Show indi
Foto: Jair Araújo
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A existência do curso de licenciatura em formação de professores indígenas, implantado em 2008 na Universidade do Estado do Amazonas (Ufam), é uma conquista dos próprios índios e que vem se solidificando como um verdadeiro marco para um povo que acumulou tantas perdas nos últimos séculos.

A ideia para a criação do curso partiu dos anseios da Organização dos Professores Indígenas Mura (Opim), que se juntou à Ufam e, num protagonismo compartilhado, elaborou a licenciatura de formação de profissionais da educação para atuação do 6º ao 9º anos do Ensino Fundamental e no Médio em três grandes áreas do conhecimento: para Letras e Artes, Ciências Humanas Sociais e, Exatas e Biológicas.

A turma Mura, por exemplo, recebeu o aprendizado um mês em Manaus e o restante no Município de Autazes, a 84 quilômetros de Manaus. E há duas turmas para colar grau: de Sateré e Mundurucus em Maués, em junho. No total há sete polos com cursos em desenvolvimento no Estado pela Ufam.

Turmas

A primeira turma do curso reuniu 53 indígenas Mura e formou-se em Autazes em sua quase totalidade em 2013 com 48 concluintes, nos anos seguintes mais quatro e no último dia 14, formou-se a última professora: Luzia Pacheco, da aldeia São Félix, de Autazes, que já atua junto a outros indígenas da cidade.  

Tudo levando em conta a máxima de unidade e companheirismo do filme “Nenhum a menos”, um drama chinês de 1999 do diretor Zhang Yimou. É o que lembra a professora do departamento de Educação Escola Indígena da Ufam, mestre Elcilei Faria dos Santos, que atua em disciplinas da área pedagógicas e de fundamentos da educação, estágio e pesquisa - atualmente ela faz um doutorado.

“Os indígenas são os participantes do processo todo provocando uma construção de elaboração do curso. Deixou-se de ser uma turma especial para expandir para outros povos”, explicou a mestre.

“O ensino superior, para mim, marca uma das etapas de lutas que a Organização dos Professores Indígenas Mura (Opim) tem conquistado. Uma conquista de muita união por uma educação que viesse valorizar a filosofia de Educação Escolar Indígena Mura”, disse o professor e egresso do curso Alcilei Avale Neto, um indígenas da etnia Mura que esteve presente nas conversações para a criação da importante atividade universitária.

Segundo ele, entre outras particularidades, “o curso traz uma resposta a essa ansiedade dos povos indígenas terem uma formação superior para atuar nas suas escolas, coisa que há 10 anos não havia essa possibilidade”.

Recursos escassos

Um “gargalo” que prejudica a realização do curso para indígenas na Ufam é o valor do financiamento destinado para transporte, alimento e diária de passagem dos docentes: hoje, a verba federal é de R$ 900 mil, considerada pela coordenação e professores do curso muito aquém do esperado. Ano passado era R$ 1.600.000

“Estamos fragilizados pelo corte de recursos em Educação, que não chegam em dia. Ano passado, por exemplo, chegou em agosto”, diz Jonise Nunes, coordenadora do curso.

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